TRANSMONTANOS EM CONGRESSO

 
No passado dia 25 de maio, realizou-se no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, o IV Congresso de Trás-os-Montes e Alto Douro, promovido pela respetiva Casa Regional.
Tendo em conta que o I Congresso ocorreu em 1920, o II em 1941 e o III em 2002, só pelo facto de se ter realizado, o IV é digno de destaque. Estão, pois, de parabéns o presidente da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, Hirondino Isaías, cuja capacidade de iniciativa muito tem contribuído para dinamizar a CTMAD, e todas e todos os que deram o seu melhor para a concretização e êxito da reunião magna dos transmontanos e durienses.
Tive o gosto de participar na sessão de abertura com o reitor da UTAD, António Fontainhas Fernandes, e o professor Adriano Moreira, entre outros, e na apresentação da “Antologia de autores transmontanos, durienses e da beira transmontana”, coordenada por Armando Palavras. Apreciei a forma magistral e lúdica como um grupo de sócios, quais jograis, nos deram a conhecer o essencial das mais de 900 páginas da vultuosa obra. E ainda tive oportunidade de conhecer e aplaudir as vozes dos cantores Tereza Carvalho e Paulo Bragança.
Felicitei a ideia de dar voz e reunir os escritores e outros agentes culturais numa interessante obra coletiva. Vozes diversas, de diferentes gerações e proveniências que transmitem a pluralidade de olhares sobre as nossas terras e as nossas gentes. Como diz o provérbio latino, verba volant, scripta manent (as palavras ditas voam, as escritas permanecem).   
Fui incumbida de ressaltar a importância das falas da componente feminina da Antologia. Procurei descobrir afinidades nos olhares dispersos e na variedade linguística que, para além do idioma pátrio, inclui o mirandês e o espanhol, nos escritos das minhas conterrâneas. Mulheres cujo denominador comum é serem filhas legítimas ou adotivas deste Reino Maravilhoso, como lhe chamou Miguel Torga. Umas são, como eu, transmontanas da diáspora. Partiram para outras terras, mantendo, contudo, o cordão umbilical da família e dos afetos. Outras, migraram em sentido contrário, respondendo ao apelo telúrico dos seus antepassados. E há as que permaneceram na terra que as viu nascer.
Se é certo que vemos o mundo através da sensibilidade do nosso olhar único e intransmissível, estas mulheres, portadoras de múltiplos olhares de observação, filtraram aprendizagens e vivências, convocaram saberes, sentimentos e volições que plasmaram em textos em prosa e verso, textos autobiográficos e de ficção, de temas e registos diversos.
A opção pela vinculação geográfica de nível concelhio da edição da Antologia, dispensa qualquer outro tipo de unidade ou afinidade.  As autoras são mulheres de culturas diversas como diversas são as suas escritas. Mulheres que exercem as mais diversas profissões e funções, mulheres que merecem público reconhecimento, embora muitas delas sejam ignoradas pela comunicação social e, portanto, desconhecidas dos seus próprios conterrâneos. São vozes femininas e plurais que merecem ser ouvidas e lidas.