. // Que Seminário para o Século XXI? Por: / Secção: Editorial / 14-11-2008 Imprimir Enviar a um amigo
.Durante esta semana, a Igreja em Portugal viveu a Semana dos Seminários. De acordo com as palavras do Reitor do Seminário de Bragança, na última edição do Mensageiro, esta semana serve “para motivar os fiéis e as comunidades a reflectirem”, sobre esta problemática. Na sua primeira viagem apostólica o Papa Bento XVI definiu o Seminário como, “não tanto um lugar, mas exactamente um significativo tempo da vida de um discípulo de Jesus”. Perante os seminaristas reunidos em Colónia, por ocasião da XX Jornada Mundial da Juventude, Bento XVI explicou que o Seminário é um “tempo destinado à formação e ao discernimento”, um “tempo de caminho, de busca, mas sobretudo de descoberta de Cristo” e um tempo de preparação para a missão”. Durante o tempo do Seminário, o candidato ao sacerdócio deve receber uma cuidada formação nas ciências humanas, filosóficas e teológicas. Na sua caminhada vocacional, o seminarista é chamado a encontrar-se com Jesus e a entrar com Ele nessa “viagem única e irrepetível”, como a define D. António Santos, Bispo de Aveiro e Presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios. “Uma viagem realizada em passos de peregrino, em campos a semear ou em rotas desconhecidas de pescadores e marinheiros, sempre de olhos colocados em longínquas paragens aonde nos conduz o chamamento de Deus”. Os candidatos a esta viagem, sobretudo os mais jovens, revelam alguma imaturidade afectiva, quando entram no Seminário. Essa imaturidade deve-se à cultura em que estão imersos, marcada por “uma mentalidade caracterizada pelo consumismo”, “uma instabilidade nas relações familiares e sociais”, pelo “relativismo moral”, por “visões erradas da sexualidade”, pela “precariedade das escolhas”, feitas quase sempre a prazo, por “uma sistemática negação dos valores”. Para o cardeal Zenon Grocholewski, Prefeito da Congregação para a Educação Católica, da Santa Sé, são estas as características do nosso tempo, que mais influenciam a personalidade dos candidatos à entrada no Seminário, e que estão na génese de “fragilidade de carácter” e de “uma incerteza vocacional” em tantos jovens de hoje. No final do mês passado, essa Congregação apresentou um documento aprovado pelo Papa, em Junho, com as “Orientações para a utilização de competências psicológicas na admissão e na formação de candidatos ao sacerdócio”. Perante estas características exige-se aos interessados em tornar-se seminaristas, entre outras, uma maior estabilidade afectiva, um carácter mais flexível, lealdade e uma sexualidade já integrada e madura. Com tantas exigências para a admissão no Seminário, como as que constam nas Orientações da Congregação e tendo em conta as palavras do Santo Padre, não estará na mente da Santa Sé uma reformulação dos Seminários para o Século XXI? Um Seminário constituído por pessoas mais “crescidas”, com uma personalidade e afectividade mais amadurecida, provavelmente, já com uma formação superior, e a viverem espalhados por paróquias ou famílias, como já acontece em algumas experiências, tanto no estrangeiro, como entre nós. Parece ser esse o Seminário mais adequado aos tempos que correm e às ideias e instruções que têm vindo de Roma.

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