Página Inicial | Domingo, 5 de Fevereiro de 2012

. // "Solidariedade global" Por: Calado Rodrigues / Secção: Editorial / 03-01-2009 Imprimir Enviar a um amigo

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Bento XVI na sua mensagem para o dia 1 de Janeiro, o Dia Mundial da Paz, decidiu chamar a atenção para a temática da pobreza, propondo uma globalização da solidariedade, em ordem à promoção da paz no mundo. O Papa retoma um tema já abordado pelo seu predecessor, também numa mensagem para o primeiro dia do ano. Em 1993, João Paulo II lançou o desafio a todos os homens e mulheres de boa vontade: “Se queres a Paz, vai ao encontro dos pobres”. O Papa actual, na sua mensagem, convida a uma reflexão sobre o tema: “Combater a pobreza construir a paz”. Para Bento XVI o combate à pobreza “implica uma análise atenta do fenómeno complexo que é a globalização” e exige “uma visão ampla e articulada da pobreza”. Nessa perspectiva, o Santo Padre detectou algumas “dinâmicas perversas da pobreza” e alguns equívocos no seu combate. O primeiro é a associação que se fez, e ainda continua a fazer, entre pobreza e desenvolvimento demográfico. Como consequência dessa associação, “realizam-se campanhas de redução da natalidade, promovidas a nível internacional, até com métodos que não respeitam a dignidade da mulher nem o direito dos esposos a decidirem responsavelmente o número dos filhos e que muitas vezes – facto ainda mais grave – não respeitam sequer o direito à vida”. Bento XVI assinala que “contra tal presunção, fala o dado seguinte: enquanto, em 1981, cerca de 40% da população mundial vivia abaixo da linha de pobreza absoluta, hoje tal percentagem aparece substancialmente reduzida a metade, tendo saído da pobreza populações caracterizadas precisamente por um incremento demográfico notável” e sublinha que “dentre as nações que mais se desenvolveram, aquelas que detêm maiores índices de natalidade gozam de melhores potencialidades de progresso”. Tendo em conta tudo isso, conclui o Papa: “a população confirma-se como uma riqueza e não como um factor de pobreza”. Desta forma Bento XVI desmascara uma tese que se impôs durante o século XX e que poucos se atrevem a contestar desta forma clara e aberta em pleno século XXI. Para além deste equívoco o Papa aborda outras questões na sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, como sejam as pandemias, as crianças como as mais vulneráveis à pobreza, a urgência do desarmamento para o progresso dos povos, a crise alimentar e propõe, para combater a pobreza, “uma solidariedade global entre países ricos e países pobres, como também no âmbito interno de cada uma das nações, incluindo ricas” e uma cooperação entre as nações ao nível económico e jurídico. Neste quadro de solidariedade global devem os países legislar e promover políticas que coloquem os pobres em primeiro lugar e que deixem de os considerar “como um fardo e como importunos maçadores, que pretendem consumir tudo o que os outros produziram” como escreveu o Papa João Paulo II na Encíclica Centesimus annus. Essas “boas políticas de desenvolvimento são confiadas à responsabilidade dos homens” e, segundo Bento XVI, deverão fomentar “as positivas sinergias entre mercados, sociedade civil e Estados”. Vale a pena ler e reflectir bem a mensagem do Papa, pois nela se apresenta um discurso bem diferente do comum sobre a problemática da pobreza no mundo.

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