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Vila Real // Mau tempo causou estragos Por: Patrícia Posse / Secção: Actual / 31-01-2009 Imprimir Enviar a um amigo

Rajadas de vento poderão ter atingido os 120 km/h

Várias árvores caídas, ferro retorcido, quedas de cabos eléctricos, estradas cortadas e escolas fechadas foram algumas das consequências do mau tempo que se fez sentir no último fim-de-semana pelo distrito de Vila Real.

Na noite da última sexta-feira, 23, o concelho foi o mais fustigado pelos fortes ventos a nível nacional. A justificá-lo estão os dados da Autoridade Nacional de Protecção Civil, que referem 43 árvores derrubadas e a queda de 17 estruturas construídas. “Tivemos várias chamadas a informar da queda de árvores e algumas delas impediram a circulação automóvel. A zona da Campeã, de Parada de Cunhos, de Andrães, de Abaças e de Folhadela foram algumas das freguesias afectadas”, confirmou o responsável pelo gabinete de Protecção Civil da autarquia vila-realense, Álvaro Ribeiro.

As fortes rajadas de vento fizeram cair vários painéis publicitários, placas de sinalização, taipais de protecção de obras e cabos eléctricos, daí que as linhas telefónicas tenham sofrido alguns cortes. O material foi sendo removido e recolhido da via pública, evitando estragos em veículos e danos pessoais.

A previsão do Instituto de Meteorologia para as terras altas era de ventos na ordem dos 120 km/h e nem as árvores seculares do Jardim da Carreira, um dos ex-libris da cidade de Vila Real, resistiram à força do vento. O espaço esteve encerrado ao público para “acorrer a situações prioritárias na via pública”, mas Álvaro Ribeiro previa que até hoje, sexta-feira, fosse reaberto. De igual forma, a queda de árvores não poupou o cemitério de Santa Iria, afectando algumas campas e jazigos e obrigando ao seu encerramento. Também os edifícios do Teatro Municipal de Vila Real e do Centro Comercial foram danificados. No primeiro, um problema com uma clarabóia levou ao cancelamento de um espectáculo, no segundo caso, caiu uma placa.

No dia seguinte, também se registaram “muitos problemas devido ao vento com queda de árvores”. “Tivemos 168 ocorrências, nas quais estiveram envolvidos mais de 700 bombeiros e quase 200 viaturas. Todo o distrito foi afectado, sobretudo a zona sul e o concelho de Vila Real foi muito atingido. Houve ainda alguns desabamentos”, disse, ao Mensageiro, o comandante distrital das Operações de Socorro de Vila Real, Carlos Silva.

A fechar o fim-de-semana, a neve que caiu levou ao corte do Itinerário Principal 4 durante quatro horas e das auto-estradas 24 e 7, nas quais o tempo de espera não ultrapassou as duas horas. Foram desbloqueados 270 veículos, o que obrigou a que 750 pessoas ficassem retidas na neve, sobretudo na estrada que liga Chaves a Montalegre por Vilar de Perdizes. “O forte nevão que se fez sentir naquela zona reteve cerca de 50 viaturas, que vinham da Feira do Fumeiro de Montalegre, durante cerca de duas horas”, revelou Carlos Silva.

O comandante distrital referiu ainda o corte das estradas nacionais 304 (Campeã/Vila Real e Mondim de Basto) e 311 (entre Boticas e Salto). A estrada municipal 1134 entre Mondim de Basto e o Alto de Velão e as estradas nacionais 206 (Portela de Santa Eulália/Viduedo) e 213 (Chaves/Valpaços) estiveram condicionadas. A municipal 313, que liga Vila Real a Lamas de Olo, esteve cortada durante “bastante tempo”.

No início da semana, as escolas das localidades de Boticas, Montalegre, Carrazedo de Montenegro e Sabrosa não abriram, porque o gelo inviabilizou que o transporte escolar fosse efectuado em condições de segurança. Em Alijó apenas funcionaram as escolas do 1º ciclo.

De acordo com Carlos Silva, as operações do fim-de-semana envolveram mais de 530 viaturas e mais de 1270 homens, entre todos os elementos das forças de Protecção Civil. Não houve necessidade de reforçar os meios existentes no distrito, “embora houvesse meios nacionais prontos a intervir a qualquer momento”, frisou.

Estufas sofreram danos irreversíveis

“Ficou tudo destruído, tínhamos estufas numa área de 3 000 m² e ficamos sem nada. Não ficou nada no ar”, lamentou-se Sandra Ribeiro que, juntamente com a cunhada, tem uma exploração hortícola em Fonteita (freguesia de Andrães). O prejuízo causado pelo vento rondará “pelo menos” 60 mil euros, por isso aguardam por “apoios para reconstruir”.

Para fazer o levantamento das estufas danificadas, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) convocou uma reunião com produtores, na última terça-feira, dia 27. “Grande parte dos concelhos da região foram fustigados por vendavais ciclónicos que causaram prejuízos avultados em várias culturas de estufa. Além das produções danificadas, ficaram destruídas as infra-estruturas, desde as coberturas aos seus equipamentos”, afirmou o dirigente da CNA, Armando Carvalho.

Perante tal situação, os produtores anseiam por medidas de apoio por parte do Governo, sob pena de “hipotecarem o seu futuro e o dos seus filhos”. “Estamos a falar de prejuízos anormais, de jovens agricultores que investiram, que fizeram projectos e alguns deles ainda estão a acabar de os cumprir e já têm agora esta dívida”, acrescentou Armando Carvalho.

Os estragos relativos aos oito produtores que marcaram presença na reunião significam um prejuízo entre 120 a 130 mil euros. Embora haja seguros para os estragos causados pela neve, pelo gelo ou pelos incêndios, Armando Carvalho destacou que os mesmos não estão previstos “para este tipo de intempéries”. “É preciso que esta situação seja declarada pelo Governador Civil como calamidade, por isso vamos solicitar uma reunião com carácter de urgência com as entidades”, frisou.

Jorge Alves, proprietário de uma exploração de floricultura em Carlão (freguesia de Alijó), espera que os apoios sejam “rápidos”, porque “a produção de estufas tem que ser continuada”. “Devido à falta de plásticos, metade da produção ficou sem cobertura. A chuva e o vento fizeram o resto do trabalho, destruindo a produção e causando graves danos na estrutura”, descreveu. Com uma área de 3 600 m², a quebra de produção poderá variar entre os 50 e os 70 por cento e os “prejuízos imediatos” serão de 15 a 20 mil euros.

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