. // O Pântano Por: / Secção: Editorial / 14-02-2009 · 3 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo
.Há sete anos, António Guterres demitia-se para que o país não caísse “num pântano político”. Desde então, ainda não se notou, que Portugal tenha saído do pântano, a não ser na boca dos governantes que sucederam ao Engenheiro Guterres. Uns encontraram o país de tanga, outros num descontrolo das contas públicas, ambos, enquanto governo, conseguiram maravilhas, mas a sensação que continuam a ter muitos portugueses é a de que o país está cada vez mais atolado. A classe política está cada vez mais enterrada aos olhos dos cidadãos. Apesar de muitos dos nossos políticos ainda se dedicarem à causa pública com entrega e como forma de ir contribuindo para a construção de uma sociedade melhor, vários são os que permitem a suspeita de que utilizam os cargos públicos, não para governar, mas para se governarem. Nem é preciso enumerar exemplos, basta estar atento às manchetes dos jornais. Uns são acusados injustamente, outros com fundamento e vários, governam-se, sem que hajam denúncias ou acusações. Quando acabam por ser acusados e vão a tribunal vários processos não dão em nada. No “Expresso” da última semana, vinham, a título de exemplo, dez processos, de entre os muitos que “rebentam nos jornais, alimentam as televisões e morrem nos tribunais”, em que foram presos mais de 50 pessoas Também a justiça não tem ajudado o país a sair do atoleiro. Ela demora a actuar, muitas vezes é ineficaz e dá a sensação que, raramente, consegue condenar e castigar os poderosos deste país, que podem pagar bons advogados. Nem a Assembleia da República se livra de ser arrastada pela lama, quando alguns dos seus deputados admitem que alguma legislação é produzida à pressa e até com “uns erritos” e quando várias vozes no país denunciam que os deputados não sabem produzir a legislação que o país precisa. O cidadão comum começa a acreditar que, de facto, os nossos legisladores são um pouco incompetentes, ao constatarem que, tantas vezes, uma legislação, acabada de produzir, necessita logo de correcções e adaptações. Veja-se a do Ministério da Educação. Ainda mal começa a ser implementada já está a receber modificações e, algumas vezes, correcções das correcções. Com o país neste lodaçal, ainda por cima, tem de enfrentar uma gravíssima crise global. O partido do Governo, em vez de procurar soluções para a crise e encontrar formas de credibilizar as instituições, prefere lançar o debate da regionalização e essa “questão fracturante” (como está na moda dizer) do casamento dos homossexuais, para assim distrair do fundamental e agitar uma “bandeirazita” de esquerda. A esta iniciativa do PS respondeu sabiamente o Padre Morujão, secretário da Conferência Episcopal, num comentário publicado pela Agência Ecclesia, em que afirma: “Parece‑me, contudo, desproporcionado que o partido do Governo se fixe neste assunto dos casamentos homossexuais, quando há tantos problemas graves e gritantes na nossa sociedade actual, como seja a crise financeira e económica que está afectando gravemente as famílias e as empresas”. E assim vai o nosso país político, enterrando-se na lama e assobiando para o lado..

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3 Comentários
1 - É por estas e por outras que a imprensa regionalista é tratada como realmente é pelos poderes públicos, como se duma imprensa menor se tratasse;
2 - Muitos dos jornalistas que, com inusitado pedantismo, se pavoneiam pelas televisões ou pelos ditos grandes jornais e grandes revistas, deviam ter este recorte na mesinha de cabeceira e, todas as noites antes de adormecerem, comparar o que dizem ou o que escrevem com o desassombro, a lucidez e a justeza deste artigo;
3 - Quanto à classse política, apetecia-me referir Cicero quando invectiva Catilina dizendo-lhe:
"Até quando,Catilina, abusarás da nossa paciência?" e, se o faço em português, o que tira muita força à citação em latim, é porque conheço bem o miserávelmente baixo nível de cultura da grande maioria da tal classe política, uma grande parte da qual, se dependesse de mim, nem para colar cartazes eu quereria na próxima campanha;
4 - Alternativa?
Há, muito simples, practica, eficiente e radical:
Nas próximas eleições todos, mas mesmo todos, vamos votar mas VOTAR BRANCO.
Nem um voto em nenhum destes senhores esperando que, se ainda lhes restar um pingo de senso comum, desapareçam todos para as suas terras trabalhar os campos que com as suas políticas obrigaram a deixar ao abandono, ou
ir para o mar pescar com asucata em que transformaram a nossa frota pesqueira.
5 - A continuar tudo assim, neste "sais tu e aseguir entro eu", ficaremos irremediavelmente condenados a ser um povo sem presente nem futuro.
O nosso passado exige e vale bem mais que isto.
Junto-me à discussão para opinar que em democracia o voto em branco nunca resolverá nada. É certo que os partidos tradicionais estão em decadência irreversível, a corrupção e o clientelismo são "cancros" com metástases por demasiados centros de decisão em Portugal, que acabarão por fazer sucumbir o país se continuarmos indiferentes. Por isso, é preciso mudar de rumo e renovar a democracia e os partidos políticos em que votamos ou pelos quais estamos dispostos a trabalhar e a dar a cara. O voto em branco é como um cheque em branco, não permite ao votante exigir nada pois desvinculou-se da decisão fundamental em democracia. Para mim, quem não está contente e não vê alternativa no panorama político português, isto depois de conhecer todos os partidos activos - e creio que são cerca de 15 - e de concluir que nenhum representa a ideologia adequada às necessidades do país, deve envidar esforços por contribuir para uma verdadeira solução, ou bem pela criação de um novo partido ou bem aderindo ao que mais se aproxima do seu ideal e tentar melhora-lo com as correcções necessárias. Por tudo isto, no ano de 2008, um grupo de cidadãos muito preocupados com a (des)governação do país nas últimas décadas, decidiu criar um novo partido, o MMS-Movimento Mérito e Sociedade, e outros novos partidos se lhe seguiram. Esta é, para mim, a solução correcta, porque levando ao limite o voto em branco o resultado seria ficar sem governo e possivelmente com uma ditadura militar. A solução, volto a insistir, é usar as vias da democracia e apresentar uma nova alternativa ao país através de novas ideias e de novas pessoas, configurando-se numa nova organização política, vulgo partido.
Cumps,
Sérgio Deusdado
Responsável MMS-Bragança
mms-braganca.blogspot.com
Confesso sinceramente que, quando alinhavei aquela meia dúzia de palavras, esperava desencadear um série de reacções de diversos quadrantes, bem diferente do seu comentário.
Como vê o " cavalo lazarento", como diria N. Tolentino de Almeida, mesmo "picado" já nâo reagiu.
Em termos ideológicos, continuo a acreditar nos princípios programáticos da força política que sempre me pareceram mais ajustados à nossa realidade nacional, mas na prática, a realidade de hoje é já bem diferente.
Um a nova realidade poderá ser a solução?
Duvido e duvido muito.
Será possível que a situação actual ainda descubra em si força e, sobretudo vontade, para se auto regenerar?
Creio convictamente que não.
De qualquer maneira, agradeço a atenção do seu comentário, reservando-me o direito de não concordar totalmente com ele.
Ser