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. // Uma Quaresma voltada para o Outro Por: Calado Rodrigues / Secção: Editorial / 01-03-2009 · 1 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo

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A oração, a esmola e o jejum são as atitudes fundamentais da forma cristã de viver a Quaresma. Este tempo litúrgico, de preparação para a Páscoa, iniciou-se na passada Quarta-feira, chamada de Cinzas, porque na Eucaristia desse dia se impõem as cinzas, como primeiro gesto penitencial. Bento XVI, na sua Mensagem para a Quaresma, deste ano, propõe uma reflexão sobre o jejum, uma prática pouco valorizada e para muitos em desuso. “Nos nossos dias, a prática do jejum parece ter perdido um pouco do seu valor espiritual e ter adquirido antes, numa cultura marcada pela busca da satisfação material, o valor de uma medida terapêutica para a cura do próprio corpo. Jejuar sem dúvida é bom para o bem-estar, mas para os crentes é em primeiro lugar uma «terapia» para curar tudo o que os impede de se conformarem com a vontade de Deus”. Mais do que uma qualquer terapia, o Papa destaca o carácter voluntário desta atitude que tem como principal objectivo criar o ambiente necessário ao restabelecimento da “amizade com o Senhor”, tendo sempre como horizonte a doação aos outros e a comunhão com os que sofrem e passam privações. O jejum não é uma prática estéril que se esgota na mortificação, como se o sofrimento fosse agradável a Deus. Como ensina Jesus no Evangelho, o verdadeiro jejum é antes cumprir a vontade do Pai. E a vontade do Pai é que ultrapassemos o egoísmo que nos encerra dentro das nossas preocupações, mais mesquinhas, e nos leva a ir ao encontro do outro e das suas necessidades. Quem voluntariamente está disponível para prescindir dos bens que possui, mais facilmente se pode desapegar de si próprio e colocar -se ao serviço dos outros. É essa a primeira finalidade do jejum, levar-nos a sair de nós, fazer nosso o sofrimento do outro e empenharmo-nos em tornar o outro um pouco mais feliz. Concretamente, na Quaresma, o jejum não se esgota na mera privação de alimentos ou de algum tipo de alimentos, implica necessariamente, utilizarmos o que eventualmente poupamos com essa atitude para fazer face à necessidade de alguém que nos é próximo, ou segundo as determinações sugeridas pelo bispo diocesano, a que se dá o nome de Contributo Penitencial, que, habitualmente é entregue no ofertório das missas de Domingo de Ramos. O bispo da Diocese de Bragança-Miranda, D. António Montes, destinou o Contributo Penitencial ao Seminário de Bragança e à Diocese de Bafatá, na Guiné-bissau, um dos países lusófonos, que ainda não tinha sido contemplado, nos últimos anos. Ao longo da Quaresma, são dias especialmente dedicados ao jejum, a Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa. As restantes Sextas são dias de abstinência, em que os cristãos são convidados a não comer carne e fazer umas refeições mais simples e pobres, para, mais uma vez, estarem em comunhão com os irmãos que sofrem dificuldades e partilharem o que poupam com esses que mais necessitam. Nas outras Sextas do ano, a abstinência pode ser substituída por um acto de piedade, de maior comunhão com Deus, ou por um gesto de solidariedade. Mais importante do que a forma é o conteúdo e o significado que damos a essas práticas que nos devem ajudar a uma maior intimidade com Deus e a uma maior proximidade com os irmãos.

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1 Comentário Feed

Claudio · escreveu em 04-04-2009 às 12:35:42
Excelente comentario,poucas vezes li noticias assim,que em poucas frases disesse palavras tao verdadeiras e sabias...parabens.
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