Página Inicial | Sexta-Feira, 3 de Setembro de 2010

Mirandela // Reprovada a classificação da Linha do Tua Por: Fernando Pires / Secção: Actual / 13-03-2009 · 5 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo

Maioria PS chumbou proposta

A maioria socialista chumbou o projecto do partido "Os Verdes" (PEV), que propunha a classificação da Linha do Tua como património de interesse nacional, contra os votos favoráveis do PEV, PCP e BE e abstenção do PSD e CDS-PP. Na apresentação do projecto do PEV, na passada quinta-feira, o Partido Socialista (PS) acusou o partido ecologista de querer impedir a construção da barragem da Foz do Tua. O deputado socialista, eleito por Bragança, Mota Andrade, afirmou que a proposta de resolução tinha a intenção de ser “mais uma impossibilidade à construção da barragem da Foz do Tua, apoiada pelas populações e pela maioria das autarquias”. Na apresentação da proposta, o deputado ecologista, Francisco Madeira Lopes, justificou a classificação da linha com a “perda colectiva irreversível” que significaria o seu afundamento pelas águas da barragem projectada para a foz do rio Tua. O Partido Social Democrata (PSD) considerou que a proposta é “prematura” antes de apuradas as responsabilidades dos acidentes. O deputado social-democrata, Santos Pereira, aproveitou o debate para anunciar que o PSD vai pedir a presença do ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações no Parlamento para esclarecer “responsabilidades e motivos” dos acidentes ocorridos nos últimos meses na linha. Pelo CDS-PP, Abel Baptista, afirmou que a linha do Tua “precisa é de obras, não de classificação” de maneira a ser “posta em boas condições de transporte”, alegando que a classificação poderia ser “mais uma razão para o governo não fazer obras”. Agostinho Lopes, do Partido Comunista (PCP), apoiou a proposta, enumerando iniciativas de encerramento de troços ferroviários desde o tempo da ditadura passando pelos sucessivos governos do PS e PSD. Finalmente, Helena Pinto, do Bloco de Esquerda, defendeu que o Governo “não dá resposta” a uma obra “com 120 anos de história”, que “não tem paralelo no país”, advogando mais investimentos na linha.

Silvano critica deputados do PSD

O presidente do Município de Mirandela diz estar decepcionado com os deputados do PSD, eleitos por Bragança, por não terem defendido a proposta dos Verdes de classificar a linha do Tua como património de interesse nacional, no debate na Assembleia da República. O autarca social-democrata também critica as declarações de Mota Andrade, do PS, que defendeu claramente a construção da barragem do Tua e o encerramento da linha. “Do PS nacional já esperava essa decisão, mas a nível distrital pensei que o deputado que falou sobre a matéria não fosse tão radicalmente contra a linha do Tua”, refere José Silvano. Relativamente aos deputados do PSD, o edil diz ter ficado “decepcionado”, alegando que estava convencido que “um deles defendesse a posição dos verdes”.

O que achou desta notícia?

5 Comentários Feed

António · escreveu em 13-03-2009 às 11:44:12
QUE GRANDE SURPRESA O PS VOTAR CONTRA!!
Ricardo Neves · escreveu em 15-03-2009 às 16:26:22
Ficamos à espera que a Sra. Secretária de Estado cumpra a sua palavra, no que toca à manutenção da ligação ferroviária ao Nordeste. As suas sucessivas afirmações vêm sendo esquecidas, mas é bom relembrar que ela se comprometeu com esta ferrovia!
J.Pinto · escreveu em 16-03-2009 às 01:26:48
"Abel Baptista, afirmou que a linha do Tua “precisa é de obras, não de classificação” "
Este observou o óbvio.
Precisamos desta linha a funcionar e não de mega-empreendimentos de utilidade duvidosa para engordar as grandes empresas multinacionais à custa da população.
General Arménio Nuno Ramires e Oliveira · escreveu em 17-03-2009 às 09:58:46
A Linha do Tua e o Rio Tua precisam de tudo desde obras na primeira como protecção para o segundo.
Também precisa do empenho de todos os que amam o Distrito de Bragança com as suas gentes, as que se mantêm corajosamente ali como todos as espalhadas pelo Mundo.
Pedro Couteiro · escreveu em 17-03-2009 às 12:07:46
A Coordenadora de Afectados pelas Grandes Barragens e Transvases declara o maior espanto e repúdio pelo "Mota-Andradismo" que andou à solta no final do plenário da Assembleia da República neste fatídico dia para a história de Trás-os-Montes.
Ser deputado devia ser condicionado a um mínimo de competência e vergonha da cara (mas isto é apenas uma opinião de quem trabalha pelo futuro de Trás-os-Montes e não tem cotas escondidas num jornal regional...).

O Instituto da Democracia Portuguesa concebeu o projecto de desenvolvimento regional "Tua Valley" e a COAGRET aguarda que os fundos para o desenvolvimento rural (em falta desde 2007! em todo o país) sejam aplicados nas "Aldeias Ribeirinhas" do vale do Tua (ambos os projectos foram ignorados pelo Estudo de Impacto Ambiental da putativa barragem EDPiana na Foz do Tua).
Também é ignorado que o Tua é o mais valorado rio para a prática de canoagem de águas bravas em Portugal (segundo Calado, Rui (2005). Portugal Kayak. CCABP) e toda a economia que o desenvovimento do cluster turístico poderia significar (mas também o Baixo Sabor e o Tâmega e o Vouga... estão no corredor da morte mais imediato...).


Acrescentamos três links para textos de enquadramento ao holocausto hídrico em curso pelo governo pouco Socrático (que não referia qualquer afogamento no programa eleitoral submetido ao voto dos portugueses). Ficamos a aguardar uma operação mãos-limpas para perceber toda a extensão desta fúria barragista

link para texto de Pacheco Pereira:
http://www.abrupto.blogspot.com/search?q=Barragens
[...] Depois seguir-se-ão os vales dos rios de montanha, como aquele que a tragédia ferroviária da linha do Tua revelou: escarpas rasgadas pela torrente, ar bravio, cheiros fortes na Primavera, chuva dura no Inverno e calor assustador no Verão. Todos os afluentes do Douro, de um lado e do outro, mais a Norte do que a Sul, quando não tem já barragens, acabarão por vir a tê-las e com elas despareceram os seus vales cavados e os seus ecosistemas únicos, que, verdade seja dita, como não dão pão a ninguém desaparecerão com aplauso dos locais. Os pobres e os remediados não tem os meios para se porem agora a cuidar destas coisas e só darão por ela da asneira de as perder a favor da ganância iluminada quando tiverem mais posses. O problema é que nessa altura será demasiado tarde.[...]

link para texto de Manuel Carvalho (editorial do Jornal Público):
http://www.coagret.com/internacional/49-portugal/421-quanto-vale-um-vale-natural
Enquanto houver em Portugal uma paisagem fluvial incólume, não haverá descanso nas empresas de engenharia da EDP nem nos gabinetes governamentais associados às questões energéticas. As sondagens geológicas ainda não estão acabadas e os estudos de impacte ambiental apenas começaram, mas, para a EDP e para o Governo, a barragem que se anuncia para a garganta do Tua é já uma realidade incontornável. No país em que os estudos e as discussões públicas servem apenas para enfeitar com pretensa seriedade as opções tomadas a priori, o ministro Manuel Pinho foi queimando etapas e afirmou que, em 2015, a barragem estará em produção. Ontem, a EDP voltou a anunciar que Foz-Tua é um dos projectos em carteira para reforçar o seu potencial de produção. O ministro e a EDP julgam-se donos e senhores dos recursos naturais do país e já decidiram por todos o que se há-de fazer. [...]


link para textos de Pedro Almeida Vieira:
http://estragodanacao.blogspot.com/search/label/barragens
Neoliberalismo socialista e barragens [...]


Ao dispor para posteriores esclarecimentos,
COAGRET-Portugal
coagret.pt@gmail.com
Estação de Caminhos de Ferro de Mirandela, 4
5370-408 MIRANDELA
telm: (+351) 969761301
Deixe o seu Comentário

(necessário)

(opcional)

(opcional)

(necessário)

Nota: Os comentários são da exclusiva responsabilidade dos seus autores.


Login de Assinantes //

  Recuperar password

Última edição em PDF
Edição 3284 - 26 de Agosto
Publicidade // Anuncie aqui... Estatísticas das notícias // Últimas notícias por secção //