Vila Real // Encorajado por militantes do PSD Por: / Secção: Actual / 13-03-2009 · 6 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo
O Partido Socialista (PS) anunciou Rui Santos como o cabeça de lista às próximas eleições autárquicasRui Santos desempenha actualmente o cargo de director do Centro Distrital da Segurança Social, é coordenador do grupo parlamentar na Assembleia Municipal e membro da Comissão Nacional do Partido Socialista (PS). Agora que se assumiu como candidato à presidência da autarquia vila-realense, o socialista falou ao Mensageiro para explicar as suas motivações, ideias e propostas para mudar um município “cansado de 30 anos da mesma gente”. A localização da Feira do Levante ou o preço da factura da água são alguns dos motivos que incitaram Rui Santos a avançar, mas foi a necessidade de “tratar todos os cidadãos por igual” que o levaram a aceitar este confronto político.
Mensageiro Notícias: Já há bastantes meses que se afirmava em Vila Real como a voz socialista mais activa contra o actual presidente Manuel Martins. Porque razão não anunciou a sua candidatura mais cedo?
Rui Santos: Só depois dos órgãos do Partido se pronunciarem é que o candidato foi escolhido. Eu mostrei desde cedo a disponibilidade para encetar este combate. Faço-o com alegria, com naturalidade, porque nasci e cresci em Vila Real. Faço actividade política em Vila Real há muito anos e isso é facilmente constatável pelo meu currículo. Não me resigno, sou exigente comigo e com os outros e, portanto, com naturalidade apareci como candidato à autarquia para enfrentar o doutor Manuel Martins e os candidatos que entretanto vierem a surgir.
MN: Pode dizer-se que esta atitude, que foi fomentando ao longo dos últimos meses, foi uma demonstração da sua vontade e disponibilidade para assumir esta candidatura?
R.S: Já no anterior mandato fui líder coordenador do grupo parlamentar na Assembleia Municipal, escrevi vários artigos e fiz sempre intervenções. Fui inclusive porta-voz do PS e fiz várias intervenções que julgava úteis em defesa da nossa terra. Sempre disse que seria candidato se fosse eu a pessoa que estivesse em melhores condições para fazer este combate. Se houvesse alguém em melhores condições que eu, nesse caso, seria o primeiro a apoiar essa pessoa.
MN: Porque é que se considera ou porque é que o consideraram a pessoa mais bem preparada para assumir este desafio?
R.S: Houve uma sondagem que indicou o meu nome. Para além disso, vamos ouvindo os militantes e as pessoas na rua. Queremos que este seja um projecto transversal à sociedade. Fomos ouvindo pessoas, fui encorajado por muita gente, inclusivamente militantes do Partido Social Democrata (PSD) que estão cansados de 30 anos da mesma gente, dos mesmos protagonistas. Nestas questões autárquicas e na gestão de uma autarquia, as candidaturas devem ir além dos partidos, devem ser mais abrangentes. O que interessa são os projectos e as pessoas capazes de os concretizar.
MN: Em que pilares assenta esta sua candidatura?
R.S: Vamos tentar apresentar uma nova visão para o concelho, estando obviamente ancorado no diário político do PS que defende igualdade e um desenvolvimento equilibrado de todos os cidadãos. Primeiro, julgamos que é importante lutar pela afirmação da capitalidade de Vila Real no contexto regional, maximizando, por um lado, as estruturas viárias construídas e a construir, essencialmente durante os governos do PS, que deram uma centralidade indesmentível ao nosso concelho. Por outro lado, o Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado, que permitiu a Vila Real ser o segundo distrito da NUT II Norte, com o maior número de direcções de serviços desconcentrados da Administração Central. Ajudar estes serviços a consolidarem-se e ajudar os cidadãos e organizações a usufruir da sua proximidade é um objectivo que vamos prosseguir. Achamos inconcebível que a Direcção das Finanças esteja num extremo da cidade e o Cartório no outro. Não compreendemos porque Vila Real não tem uma Loja do Cidadão. Iremos lutar para que essa centralidade se afirme, que os cidadãos e organizações tirem vantagem dos serviços que temos instalados em Vila Real.
MN: Que propostas apresenta para os sectores da educação e da economia?
R.S: No âmbito da educação, redefiniremos uma rede mais realista, tendo presente o que existe, perspectivando o futuro que desejamos para esta área importante no distrito. Sabemos que a carta educativa está aprovada, mas já todos pressentimos e constatámos que não está a ser levada a cabo como foi inicialmente aprovada. É igualmente urgente, e lutaremos por isso, implementar uma carta social municipal com metas definidas para serviços de apoio domiciliário, lares, centros de dia, unidades de cuidados continuados e integrados e outras áreas emergentes. Na área do desenvolvimento económico, há que pensar de forma realista em investimentos reprodutivos, utilizando, de forma inteligente e transparente, uma política fiscal municipal adequada para atrair empresas, encetar parcerias estratégicas e realistas para conseguir a aprovação de um parque de ciência e tecnologia para a nossa terra. Aqui a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), as associações empresariais e também outros municípios são importantíssimos. Como se sabe a câmara municipal desenvolveu um processo, colocando de parte todos os outros municípios do distrito de Vila Real. Concretizar uma nova e verdadeira zona industrial é fundamental, o mercado abastecedor é importante, uma central de transportes com a dimensão adequada ou um aeródromo competitivo e um parque desportivo adaptado à procura serão objectivos que prosseguiremos. Também investiremos num plano de atracção de investimentos, serviços e equipamentos estrategicamente fundamentais. Ter um novo lugar para o mundo rural, potenciando os nossos recursos naturais é um imperativo que não esqueceremos. Ajudar o nosso comércio local, mas sem demagogias ou promessas estéreis e comprometedoras de interesses colectivos, será também necessário e algo que não esqueceremos nesta candidatura.
MN: E a nível cultural, o que pretende fazer?
R.S: Nessa área, reconhecemos que tem sido feito algo de muito positivo. Tentaremos continuar a rentabilizar os equipamentos já existentes. O apoio às instituições culturais, desportivas e ambientais tem que ter regras claras, aceites e previsíveis por parte de todos os parceiros. Queria ainda acrescentar que pretendemos potenciar a capacidade turística e articular com os nossos vizinhos. Por último, queremos uma autarquia amigável, prestadora de contas junto dos cidadãos, capaz de criar mecanismos de participação com todos os vila-realenses e reflectir um planeamento em todas as suas vertentes (ambiental, patrimonial, urbanística), reabilitando equipamentos públicos e habitação social. Também a gestão interna da câmara deve ser repensada. São necessárias empresas municipais, mas há que as rentabilizar. Temos excelentes profissionais, mas há que rentabilizar esse potencial humano que gravita em Vila Real. Vamos lutar por implementar um sistema de gestão por objectivo, um cadastro actualizado de solos municipais, regulamentos para as compensações urbanísticas. O cruzamento dos sistemas informáticos de contabilidade, de recursos humanos e também na área do urbanismo será algo que teremos que implementar. Se estes instrumentos já existissem, vários casos que têm manchado a gestão autárquica não teriam acontecido. O autódromo construído sem licença, os processos urbanísticos desaparecidos na autarquia, concursos em nove dias, a revisão dos planos de pormenor discutida em épocas de férias, as indemnizações milionárias em processos judiciais que duraram anos e anos, como é o caso do buraco da Quinta do Seixo, onde hoje se está a construir o pavilhão. Teríamos poupado milhões de euros para o município de Vila Real.
MN: Que situações foi observando ao longo deste e de anteriores mandatos que o tenham motivado a avançar?
R.S: Posso dar vários exemplos. Fui vereador da câmara de Vila Real entre 1997 e 2001. Na altura, fizemos uma declaração de voto, dizendo que não era aceitável que a Feira do Levante fosse construída no local onde o PSD queria fazer. Isto foi feito em 1999. Passaram dez anos e só ao fim deste tempo é que concretizaram a obra. Hoje, aos olhos de todos, é visto que é uma má solução para a cidade e sobretudo um perigo para o Centro Hospitalar. Outro exemplo é o preço da água em Vila Real. Será razoável que Vila Real pague a factura mais cara de água, resíduos, e recolha de lixo de todo o distrito? Que paguemos 300 por cento a mais que o concelho vizinho de Sabrosa? Será que os cidadãos estão contentes com isso? Que sejamos o oitavo concelho do País com a água mais cara? Isso não é razoável obviamente. Vila Real é governada desde 1986 pelo PSD. O primeiro, principal e mais constante responsável por este governo tem um nome e tem um rosto que é o actual presidente da câmara. Existe, na nossa opinião, claustrofobia, acomodação e tiques de autismo por parte do actual executivo camarário. O concelho tem-se transformado, mas as mudanças são evidentes quando o PS está no Governo. As transferências para as autarquias cresceram entre 1995 e 2006 e, no caso concreto de Vila Real, 117 por cento e a Administração Central apoiou a construção do Teatro Municipal, incrementou o Polis, a biblioteca, fez investimentos no âmbito do ambiente, entre outras realizações. Todavia, o município nem sempre tem caminhado no sentido correcto. O cuidado com o urbanismo foi pouco. Se fizermos uma visita cuidada a Vila Real notamos que os erros urbanísticos são mais do que muitos. A rede desportiva é desadequada. Os instrumentos de gestão estratégica não existem, como são os casos dos planos de pormenor e plano director municipal que andam há mais de quinze anos sem serem concretizados. O mundo rural tem sido mal tratado. Tem sido uma liderança sem visão de futuro, incapaz de estabelecer parcerias com instituições locais e com os seus vizinhos.
MN: O que falta actualmente em Vila Real que mudaria com a sua vitória?
R.S: Falta tratar todos os cidadãos por igual e, sobretudo, envolvê-los na discussão das coisas que são de todos nós. Não é aceitável que a Carta Escolar tenha sido discutida com dez ou 15 pessoas. Também não é aceitável que se queiram alterar os planos de pormenor da zona histórica da cidade nos meses do Verão. Ter uma autarquia amigável e transparente é fundamental. Ter também regras claras para atribuição de subsídios e delegação de competências para as juntas de freguesia independentemente da sua cor partidária, é absolutamente necessário. Depois falta aqui e ali um ou outro equipamento, mas mais grave do que isso é faltar uma visão estratégica do conjunto. Aquilo que tentaremos fazer é, com todas as forças vivas do concelho de Vila Real, criar essa visão de conjunto no sentido de responder às pessoas, estejam elas incluídas ou não na nossa área política. O meu partido será o partido de Vila Real e não o de qualquer força político-partidária.
MN: Caso não seja bem sucedido e a vitória sorria mais uma vez a Manuel Martins, a sua figura política não poderá ficar fragilizada com esta candidatura?
R.S: Rigorosamente nada. Só perde quem não vai à luta. Indo à luta, com convicções e determinação, estou convencido que podemos ganhar. Se essas convicções e essas ideias não vincarem no imediato, vingarão no futuro. A força da razão é o fundamental.

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6 Comentários
Como é que uma pessoa que nunca trabalhou (trabalhar no verdadeiro sentido da palavra pois andou sempre pendurado em tachos politicos) pode ter a veleidade de querer ser Presidente da Camâra de Vila Real, só se for para arranjar lugar para uma quantidade de assessores para pagar certos favores, não é para trabalhar.
Um Sr. que na sua actual actividade (director do Centro Distrital da Segurança Social) tem sido tudo menos imparcial nas suas tomadas de decisão.
Mudar de gente, de processos e sobretudo agir de forma a dignificar esta capital de Distrito é urgente e necessario.
O que este candidato do PS afirma na entrevista é a verdade que muitos tem medo de dizer.Factura de "agua" mais cara do Distrito, aberrações na area do urbanismo, clastrofobia na acção politica e na vivencia do dia a dia da cidade....coisas estranhas que todas observamos nesta gestão errante, cansada e agarrada ao poder...30 anos não são suficientes?.... M.Martins não consegue deixar o poder porquê?Quem não deixa?Que forças ocultas obrigam este homem a caminhar para uma derrota quase certa? O PSD não arranja mais ninguem?Em 2009 vai acontecer historia em Vila Real.Rui Santos ganhará a Camara Municipal.
Alguem que foi estudante/trabalhador, assessor do Reitor da UTAD, salvou os serviços de Acção Social da Universidade sa falêcia e hoje desempenha o lugar de Director da S.Social nunca fez nada?Nunca trabalhou?O Dr Manuel Martins o que fez nos ultimos 30 anos?Politica...má politica e favores, muitos favores....basta olhar para a Cidade e para o seu urbanismo´.Sejamos sérios.
E o Dr. M.Martins, actual Presidente, Ex Vereador do Dr Moreira.Que métodos utiliza ou utilizou?Parquê este apego ao poder?
Não basta ter talento, é necessário licença para o usar ( A.Bessa Luis)......a inveja é o pior deste pais.
Discutam ideias, projectos, curriculos....não ataquem as pessoas pelo simples motivo de darem provas de competencia por onde vão passando.