Bragança // Movimento vai boicotar eleições Por: / Secção: Actual / 19-03-2009 Imprimir Enviar a um amigo
Protesto visa chamar a atenção do Governo para o mau estado da Estrada Nacional 308-3. A Via já foi desclassificada, mas a autarquia não aceita ficar com a responsabilidadeO Movimento Cívico de Utentes da estrada Bragança/Dine (308-3) vai boicotar as eleições europeias. A medida foi tomada após uma manifestação em Carragosa, no passado domingo, que uniu os utentes da estrada e os autarcas das sete juntas de freguesia envolventes e que contou ainda com o apoio do executivo camarário, do Partido Comunista Português (PCP) e da associação Montesinho Vivo. Carlos Fernandes, líder do Movimento, anunciou já que novas formas de luta se seguirão, dependendo da atitude do Governo perante aquela Estrada Nacional. “Depois das eleições europeias e antes das legislativas e das autárquicas, em função do comportamento do Governo e dos seus representantes no distrito, o Movimento irá decidir novas formas de luta que poderão passar por manifestações semelhantes a estas ou por situações mais complicadas, dentro das normas legais”, esclareceu Carlos Fernandes. O boicote às europeias foi decidido e aceite por todos os autarcas das freguesias locais, independentemente do partido que representam, como explicou o presidente da Junta do Parâmio, Manuel Fernandes: “não estamos aqui contra ninguém. Há aqui autarcas de várias cores polÍticas mas estamos unidos a defender os interesses da população”. O vice-presidente do executivo camarário, Rui Caseiro, não quis comentar esta posição, afirmando apenas que “os cidadão são livres de intervirem da melhor forma que entenderem e demonstrar a sua indignação”. Já do lado do PCP, José Castro considerou que melhor seria “votar contra as forças políticas que estando no Governo e nas autarquias pouco têm feito para que a estrada seja remodelada”. Construída durante a ditadura de Salazar, a estrada nacional 308-3 ligaria o distrito de Bragança a Viana do Castelo e à Espanha. No entanto, ao longo de 40 anos nunca foi intervencionada ao ponto de ser difícil a circulação de dois carros em determinados troços. Actualmente é por aqui que passam os moradores de Carragosa, Parâmio, Dine, Meixedo, Espinhosela, Donai, Mofreita e das localidades mais próximas de Espanha. Aliás, a nacional 308-3 fica somente a 20 quilómetros da auto-estrada espanhola das Rias Baixas e é uma das principais vias de acesso às unidades de turismo rural do Parque Natural de Montesinho. Foi precisamente por isso que a Associação Montesinho Vivo, em Setembro do ano passado, solicitou ao Ministério das Obras Publicas informações relativamente à estrada. “A resposta foi que a via estava desclassificada e que deveriam ser feitos protocolos entre os municípios de Bragança, Vinhais e Estradas de Portugal, com vista à sua melhoria”, apontou o dirigente associativo, Telmo Cadavez. O representante da associação considera “inadmissível” que a situação se mantenha, sobretudo quando se falam em grandes investimentos para a área do Parque Natural. Do lado da autarquia municipal, o vice-presidente fez saber que a Câmara não vai aceitar responsabilidades de receber aquela estrada, a não ser que sejam satisfeitas três premissas: a sua correcção, a colocação de um tapete novo e a transferência de uma verba para a autarquia correspondente ao que o Governo gastaria para a sua manutenção anual. Na mesma situação está também a estrada nacional 217, entre Bragança e Izeda, já desclassificada do Plano Rodoviário nacional e em vias de passar para o domínio das autarquias. No entanto, segundo Rui Caseiro, a autarquia continuará a “insistir” para que o Governo assuma as suas responsabilidades na manutenção das estradas. Recorde-se que ainda no ano passado, o grupo parlamentar do PCP propôs um reforço na dotação do orçamento de 2009 para a correcção de alguns troços, entre os quais o da estrada entre Bragança – Carragosa –Mofreita e Bragança – Penacal – Izeda. A proposta foi rejeitada em comissão por todos os partidos, com excepção do PCP e do Bloco de Esquerda (BE).

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