. // A santidade caminho de doação Por: / Secção: Editorial / 02-05-2009 Imprimir Enviar a um amigo
.Nuno Álvares Pereira era já para os Portugueses o Santo Condestável. No dia 26 de Abril, Bento XVI reconheceu a sua santidade e pode ser conhecido em todo o mundo como o São Nuno de Santa Maria. Não foi o Papa que santificou Nuno Álvares Pereira, ou o frei Nuno de Santa Maria, nem foi ele que lhe concedeu a santidade, como se ouviu num dos canais televisivos. O Pastor da Igreja de Jesus Cristo limitou-se a reconhecer o caminho de santidade que Nuno soube percorrer ao longo da sua vida. De facto, este herói nacional, soube sempre encontrar espaço para Deus e para os outros, em especial os mais necessitados, no meio de tantas e tão exigentes responsabilidades e actividades. Mesmo enquanto lutava pela independência nacional, reservou sempre tempo para a oração e o diálogo com Deus. Olhou com humanidade para os prisioneiros de guerra, prestou-lhes assistência e garantiu-lhes alimento. Gastou os últimos tempos da sua vida na luta contra a pobreza, pedindo esmola e distribuindo bens pelos mais necessitados. Provavelmente, a ele se deve a primeira sopa dos pobres na capital Portuguesa. Foi pela forma como viveu a sua vida, que este ilustre português se santificou, pelo que, é um motivo de orgulho para todos nós os portugueses e um desafio para que o imitemos. Sejam quais forem as circunstâncias concretas em que vivemos. Se S. Nuno se santificou, também nós podemos entrar nesse caminho que conduz à Casa do Pai e que passa necessariamente pela atenção ao Outro, aos seus anseios, dores e angústias, necessidades e privações. Orgulhamo-nos porque o nosso Santo Condestável foi reconhecido pelo Papa e pode agora ser invocado, em todo o Mundo, como S. Nuno de Santa Maria. Em Portugal, e para todos os que já reconheciam nele a santidade, S. Nuno continuará a ser o Santo Condestável, um modelo a imitar e a seguir. O verdadeiro objectivo da canonização, não é tanto a declaração da santidade, mas sobretudo propor mais um exemplo de santidade a todos os fiéis. Recordar a todos e a cada um, que, se tantos homens e mulheres que ao longo destes vinte séculos da Igreja, conseguiram trilhar este caminho de santidade, também é possível agora continuarmos a caminhar para Deus sem nunca nos esquecermos do nosso próximo, que connosco vai fazendo esse caminho e nos ajuda a desprendermos de nós para nos libertarmos para outros valores, que nos conduzirão à Mesa do Pai. Da mesma forma que o Papa, nem ninguém na Igreja, pode conceder a santidade, mas apenas declará-la, também, ninguém pode condenar ninguém, nem mesmo declarar que alguém se condenou e nunca poderá participar da alegria do Reino de Deus. As autoridades eclesiásticas, somente, podem declarar, que um determinado homem ou mulher, pelo seu comportamento, pelas suas atitudes, ou pelas teses que defende, está fora da comunhão da Igreja. é o que significa declarar a excomunhão. Mas essa pessoa não está longe do olhar misericordioso de Deus, que poderá sempre despertar nele a conversão que o poderá reintegrar na Igreja e inseri-lo de novo no caminho da salvação. É a história do Filho Pródigo, cujo Pai todos os dias subia à torre esperançado que um dia o seu filho mais novo regressasse a casa. A santidade e a condenação, ou se quisermos, a felicidade de entrar na casa do Pai ou a infelicidade de não o conseguir, é o resultado da forma como cada um vive a sua vida e se abre, ou não, à graça de Deus.

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