Bragança // Para "afastar os maus espíritos" Por: / Secção: Actual / 19-06-2009 · 1 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo
Adriano Moreira considera que instituições de ensino públicas têm que ser defendidas da lei do mercadoA inauguração da Biblioteca Adriano Moreira, no Centro Cultural de Bragança, constituiu um dos pontos altos da visita de Aníbal Cavaco Silva a Bragança, no passado dia 17. O Presidente da República presidiu ainda à inauguração da Avenida Cidade de León, monumento escultórico aos caretos e sede portuguesa da Fundação Rei Afonso Henriques. Adriano Moreira ofereceu os seus livros e condecorações à cidade de Bragança, na esperança que esta biblioteca contribua para aumentar o conhecimento e o saber indispensáveis à manutenção da soberania. O professor mostrou-se preocupado com os momentos difíceis, nível orçamental da rede pública de ensino e sublinhou que instituições, como o Instituto Politécnico de Bragança e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, têm que ser defendidas. “A competência da formação hoje, a meu ver, é uma parcela fundamental da soberania, da nova soberania funcional, cooperativa, e sendo área da soberania, não é o mercado que deve enfraquecer ou fortalecer esse ensino, é a qualidade e o apoio”, disse. Adriano Moreira festejou a vinda do Presidente da República para este conjunto de inaugurações, entre outras razões, por ter inaugurado o monumento aos caretos. “Porque nós, desde antes dos romanos, andamos com esta luta contra os maus espíritos e ainda não ganhámos a guerra, mas ainda não a perdemos”, referiu. No contexto da crise internacional, esta vivência antiga da interioridade terá ainda mais dificuldades, “numa situação que os economistas chamam periférica do país.” Jorge Nunes, no seu discurso de homenagem ao Professor Adriano Moreira, destacou também a necessidade de “dar um salto qualitativo na política regional, orientando-a para objectivos de coesão”. Para isso “é necessário dar voz ao interior e fazer mudanças no sistema político, nomeadamente ao nível regional e nos sistema de representação parlamentar”, disse. Apesar das dificuldades, Nunes destacou mais uma vez a resistência transmontana e bragançana. “Na última década o PIB per capita subiu 20,6 pontos percentuais, a capacidade hoteleira triplicou, a economia evoluiu positivamente. Bragança tem sido referida em sentido positivo, em várias avaliações”, disse. “Venceu este ano o Prémio “Cidades de Excelência”, na categoria de “Planeamento Estratégico”, promovido pelo Jornal Planeamento e Cidade, com o Plano Estratégico da Ecocidade”, explicou o edil. Foram precisamente estas características de Bragança e da gestão deste município, além de ser uma cidade com Ensino Superior público, que levaram Adriano Moreira a doar a sua biblioteca a esta terra. “Nesta data, em toda a comunicação social, faz profissão da teoria das dificuldade, da incapacidade da administração pública, dá-me alegria poder contribuir para um bom exemplo, que é a administração da Câmara Municipal de Bragança”, sublinhou o Professor. Também Cavaco Silva elogiou o papel de Bragança no processo de desenvolvimento do Nordeste, “promovendo uma melhoria da qualidade de vida de todos, sem romper o equilíbrio do ambiente e dos traços históricos e culturais da região”, afirmou o Presidente da República. Além de elogiar a cidade, Cavaco Silva sublinhou as qualidades de Adriano Moreira, natural de Grijó de Vale Benfeito, no concelho de Macedo de Cavaleiros. “A pátria Pequenina que é Trás-os-Montes da vida austera, que produz homens de porte agreste e alma sensível. Aqui nasceram, ao longo dos séculos, portugueses que interpretaram, como poucos, o sentido do dever e da honra”, disse.
Biblioteca Adriano Moreira
O Centro Cultural de Bragança passou a albergar um espólio composto por cerca de 12 mil livros, doados por Adriano Moreira. “Não está cá toda a biblioteca ainda. Eu tive que guardar, enquanto for vivo, a parte que é indispensável para o meu trabalho, ainda devem ser uns quatro mil a cinco mil livros”. Esses virão depois. “Já há uma espécie de compromisso, que todos os meus filhos assinaram, que está lá na biblioteca e que mandarão o restantes para cá”. Adriano Moreira referiu que já antes outras pessoas, por amor à sua terra, e por querer vê-la desenvolver-se, deram contributos semelhantes e citou os exemplos do Abade de Baçal e da pintura Graça Morais. Jorge Nunes agradeceu a doação, não só a Adriano Moreira, mas também à esposa e filhos.
Inaugurada sede da Fundação Rei Afonso Henriques
Fundada em 1994 a Fundação Rei Afonso Henriques, instituição luso-espanhola, passou a dispor de uma sede em Bragança, cedida pela Câmara Municipal, no antigo edifício onde funcionou o Banco de Portugal, situado em frente a Governo Civil. Segundo Arlindo Cunha, presidente da Fundação, esta inauguração significa que ao longo de 15 anos de existência a instituição se tem mantido muito actuante, na região fronteiriça. A sede portuguesa deixou o Porto e passou para Bragança, onde tem “condições de trabalho excelentes, quer pelas instalações, quer porque temos uma funcionária permanente, para poder acompanhar mais de perto as nossas actividades e dar-lhes uma nova dinâmica”, explicou Arlindo Cunha. Segundo o responsável, a Fundação é uma plataforma de dinamização de iniciativas, quer a nível empresarial, quer a nível universitário e institucional. Um dos projectos mais recentes foi a criação da Rota do Douro Património Mundial. Neste momento, a Fundação candidatou ao Programa Operacional da Região Norte um projecto para divulgação dessa rota. “Fez-se um roteiro para dar um contributo aos agentes económicos do sector do turismo, para poder depois fazer daquilo um elemento de marketing. Este foi o primeiro passo. Agora vamos criar um site e fazer um acompanhamento o desenvolvimento desse trabalho”.
Avenida Cidade de León
A inauguração da Avenida Cidade de León e do monumento alusivo aos caretos de Trás-os-Montes e Castela e Leão constituiu mais uma passo no reforço da relações transfronteiriças, entendidas por Jorge Nunes como estratégicas. A avenida, co-financiada por fundos comunitários, “salienta a vontade de partilharmos um caminho de cooperação e de progresso, que reclama adequadas vias rodoviárias entre Bragança e León e Bragança e Zamora, que liguem o Norte de Portugal, Castela e Leão e Astúrias”, disse o presidente da Câmara. O monumento escultórico situado na avenida, da autoria de Manuel Barroco, é também uma representação alusiva aos mascarados de Bragança e Zamora que partilham “rituais populares, tradição que se perde no tempo, um dos muitos traços comuns da cultura destes povos fronteiriços, que partilham as raízes e a identidade”, acrescentou Nunes. A avenida é uma parte da variante que será construída e torno da cidade. No entanto, apenas a parte que confina com terrenos públicos, nos quais será instalado o Parque de Ciência e Tecnologia (PCT), foi concluída. A parte restante já tem projecto elaborado, mas não é uma prioridade estratégica do município. “Temos outras prioridades, como o PCT, a Ciclovia, os centros escolares, e aeroporto regional”, referiu Jorge Nunes.

Estatísticas das notícias //
1 Comentário
Muitos parabéns pelo dia 17 de Junho.
Foi com enorme prazer que participei na Festa da cidade de Bragança, cheia de história e certamente se agarrar a estrela da sabedoria que se instalou no centro cultural continuará a ser a cidade de Excelência que já é neste momento.
Muito ficou por ver e por ler, mas voltarei. Assim os "bons espíritos me ajudem".
Obrigada pelo vosso exemplo e determinação.
A minha intenção é continuar em peregrinação no querido avião da AEROVIP e assim que me for possível regressar.
Espero que ganhem todas as batalhas em curso e que a biblioteca possa ser a mais dinamizada, lida e consultada. pelos estudantes de Bragança e todas os "homens bons" deste país.
A minha amizade Angélica Trindade