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Vila Real // Cavalgar em busca do sucesso Por: Frederico Correia / Secção: O Olhar / 10-07-2009 · 6 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo

Foto: Frederico Correia
Ser cavaleiro não é fácil, nem muito menos ser cavaleiro e tratador dos seus próprios animais. A aventura de Nuno Mourão na equitação começou por “feliz acaso” e tornou-se uma “obsessão sadia”.

Com os olhos postos no futuro, segura com firmeza as rédeas que o haverão colocar nas provas de cinco estrelas que, como em quase tudo na vida, são o topo... Actualmente tem 22 anos e está longe da maturidade de um adulto, mas sente-se mais traquejo desde que tomou conta do seu primeiro cavalo. Então, com apenas 17 anos, Nuno Mourão apaixonou-se pelo Mirage. “Actualmente, é o melhor cavalo de Vila Real”, sem receio da concorrência e assegura-o. Antes de lhe chegar às mãos, já sentia “aquela” coisa pelo cavalo. “Foi, como se diz um pouco com as mulheres, amor à primeira vez.” O seu tio, de quem possivelmente herdou o gosto pelos cavalos, comprou o Mirage. Felizmente para Nuno Mourão, o tio não se deu bem com o cavalo e vendeu-lho pelo mesmo preço que o tinha comprado. “Posso dizer que foi o meu melhor negócio até hoje”, afirma sem esconder o gozo pela faceta. “É que o meu Mirage tem temperamento e personalidade, dignos de registo”, tenta explicar o insucesso do familiar. Decorria o ano de 2003, quando o agora cavaleiro começou os seus primeiros passeios a cavalo. Tudo se prolongou até ao ano de 2006, quando, finalmente, incitado a participar na Feira do Cavalo de Vila Real sentiu a potencialidade do seu Mirage. “Ganhei então gosto por correr a cavalo. Aprendi a montar a cavalo, o que não é o mesmo que andar em cima dele. Para montar é preciso muito tempo, muito trabalho e muita dedicação”, destaca Nuno Mourão. Com ajuda de “Tozé”, como trata o seu primeiro instrutor, começou a sua aventura no mundo a que agora pertence o seu tempo, a equitação. Em Dezembro de 2007, fez o Exame de Sela 4 que lhe atribuiu a designação de Cavaleiro Nacional. Desde então, a ascensão foi abrupta. Logo em Março do ano seguinte, tornou-se Cavaleiro Internacional, com o êxito no Exame de Sela 7. Estreou internacionalmente em Abril de 2009.

Cavaleiro e tratador

Para conseguir este objectivo, Nuno Mourão admite que teve de trabalhar, aprender e dedicar-se como nunca ao seu objectivo. Irremediavelmente, contou mais um vez com a capacidade do até então único cavalo de saltos, o inevitável Mirage. “Fiz com ele os exames, quando devia ter dois cavalos, tenho mesmo um enorme gosto por ele”, explica. Seguro da força do seu “herói”, Nuno Mourão arriscou e foi mais longe. Depois de confirmado o potencial do Mirage, o vila-realense tinha duas das três coisas que diz serem indispensáveis para entrar no mundo da equitação. Paixão, um bom cavalo e dinheiro. Destes, Nuno Mourão diz ter os dois primeiros, quanto ao segundo vai arranjando, mas não arrisca gerir a carreira. “A minha mãe é que toma conta do meu destino na equitação. Ela é que diz, compra, vende e, mais importante, garante o dinheiro”, sublinha orgulhoso. Apesar de trabalhar, não consegue sustentar o seu “vício”. Para tal, avançou para a solução mais óbvia. “Rentabilizar o investimento”, começa por revelar. Nada mais, nada menos, do que começar a retirar dividendos dos cavalos. “Arreado, posso dizer que o Mirage apresenta 2500 euros só em trajes. Em comida são 250 euros mensais e algumas contas no veterinário.” Pelo animal, já lhe ofereceram 25 mil euros, mas o talismã não sai de casa tão cedo. Depois do sucesso iniciou a actividade de “empresário”. Já comprou mais três animais, um cavalo e duas éguas: Eskapade, Dior Kranich e Ake-Z. Os dois primeiros são apostas de futuro, já a terceira é apenas para “continuar a aprender”. Ake-Z é uma excelente égua, mas o cavaleiro ainda não está no seu melhor. Tal como o macho Mirage, será usada para aperfeiçoar os dotes de cavaleiro e servir depois como moeda de troca, num negócio próximo. “Dela quero que me dê prática a montar e depois rentabilizá-la, porque tem potencial. Por mais que queria, não posso ficar a fazer colecção de cavalos, não tenho dinheiro para isso”, lamenta. Com o crescer da cavalariça à porta de casa, cresceu também, além da despesa, as horas de trabalho. Agora, com quatro bocas para alimentar e quatro corpos para escovar e lavar, Nuno Mourão vive “para os cavalos”. Pela manhã, acorda e dá a primeira volta aos animais. “Dou-lhes de comer antes de ir trabalhar. Ao meio-dia, volto a dar-lhes de comer e aproveito para dar um banhinho, caso esteja muito calor. À noite, ainda os trabalho e depois preparo a cama para eles”, nada fácil, confidencia.

Tudo em pouco mais de um minuto

Depois de todo o trabalho feito ao longo de dias, semanas, meses e anos, a equitação coloca o resultado em disputa em pouco mais de 60 segundos, “às vezes nem isso”. “Estás dentro da pista, tens 13 ou 14 obstáculos e se dás um toque, pronto”, explica, sublinhando que “basta apenas um toque para o trabalho estar estragado”. Dentro das pistas, Nuno Mourão já sabe o que quer atingir. Com o Mirage, a caminho dos dez anos de idade e com isso a entrar no “pico de forma”, que pode ir até aos 15, o cavaleiro quer estar num Grande Prémio de Portugal. “Já seria muito bom para o meu Miragezinho”, refere em tom mais carinhoso. Quanto às promessas, Dior Kranich, que já detém o recorde da poldra mais cara a entrar em Vila Real, o cavaleiro quer participar no Europeu de Obstáculos para Cavalos Novos, possibilidade apenas atingível daqui a cinco anos. Quanto ao poldro Eskapade, com apenas quatro meses, o destino também já está traçado. “Se o conseguir acompanhar, pretendo um futuro internacional do mais alto nível”, desvenda mais uma vez com convicção. O futuro promissor do cavaleiro manter-se-á, para já, dependente da capacidade que o Mirage tem em surpreender. Seguir-se-á a lusa Ake-Z, de quem se espera o alinhar da técnica do cavaleiro, para depois, a sorte e o destino definirem se Nuno Mourão consegue seguir o potencial das suas “duas pérolas”. Até lá, continuará a repetir-se, dia após dia, sem direito a férias nem descanso, a rotina de Nuno Mourão.

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6 Comentários Feed

Ana Moreira · escreveu em 10-07-2009 às 13:52:59
:D

Que orgulho !!!
realmente é por gosto que ele dedica a maior parte do seu tempo aos cavalos, sao uma paixao!!i
A noticia retrata assim, de uma forma simplificada, o dia a dia de um GRANDE CAVALEIRO...
O melhor....
AFONSO · escreveu em 10-07-2009 às 15:53:10
gostei da noticia pois gosto de cavalos, mas afinal Vila Real ainda é grande, de que terra é afinal o Nuno Mourão
JB · escreveu em 10-07-2009 às 17:55:16
Um cavalo muito bonito, parabéns!
Céu · escreveu em 12-07-2009 às 13:48:00
FANTASTICA!!!
ele merece, os dois fazem uma dupla implacavel. O MIRAGE é um cavalo lindo!!!...Parabens NUNO
LUISA · escreveu em 21-01-2010 às 17:50:47
parabens por teres uma paixão tão bonita por cavalos, só a dedicação por eles vais conseguir atengir todos os teus sonhos , já tentaste ir ao concursso intrenacional em Vila Moura ? Vai não tevais arrepender , é sempre na semana da pascoa , eu estou lá sempre , tambem sou uma amante dos cavalos .
CarlaHito · escreveu em 23-01-2010 às 16:54:25
Em relação ao Mirage, tenho a dizer que é ( ou melhor foi) um cavalo espectacular. O Nuno , e' retratado quase como um herói. No entanto, aquilo que ele faz é a rotina de milhares de outros cavaleiros. Ja' tive a opurtunidade de ver o Nuno montar (tanto o Mirage como outros cavalos) e tenho a dizer que esta' muito , mas mesmo muito longe de ser um bom cavaleiro... Ego a mais? Talvez... Ja' tive opurtunidade de ver em provas e não e' , como se diz , um mar de rosas. Por isso, penso que as pessoas não se deviam deixar entusiasmar tanto por um artigo deste género. Um conselho ao Nuno: (com todo o respeito) aprende realmente a montar e a respeitar os 'optimos cavalos que tens... Depois sim, recebe os elogios que quiseres...
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