Entrevista // À procura da Antárctica Por: / Secção: Actual / 13-09-2009 · 1 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo
Caso ganhe, levará o Mensageiro até à AntárcticaTem 28 anos, nasceu em Vila Real e os pais baptizaram-no como Luís Monteiro. Nada o fazia famoso, se não tivesse ele uma “vontade descomunal” de conhecer à Antárctica. Desde que entrou num concurso, em que o mais votado ganha a viagem “de borla”, já passou por vários canais de televisão, andou vestido de pinguim em praias, cidades e transportes públicos e até formou a pingu band. Tudo isto para conseguir votos. O Mensageiro arriscou uma entrevista “diferente” e, por isso, estará a caminho da Antárctica na bagagem do Luís.
MN: Como é que se lembrou que poderia ir à Antárctica “de borla”?
LM: Nunca me passou pela cabeça que pudesse ser possível ir “de borla” à Antárctica... Se ganhasse o EuroMilhões seria simples, mas teria de gastar dinheiro no boletim e, por isso, nunca sairia completamente à borla! Ainda tentei, por várias vezes, ir trabalhar para lá em bases científicas, mas o facto de não ser nenhum “cientista” não facilitava a tarefa e repetidamente ouvia a palavra não. Felizmente, recebi o e-mail da empresa “Quark Expeditions” e aquilo que julgava ser difícil, para não dizer impossível, proporcionou-se. O prémio do concurso é uma viagem à Antárctica, esta sim à borla, com direito a ser o blogger oficial da expedição. É um sonho!
MN: Tem apostado em passar a mensagem de “votem em mim” através dos media. Vale tudo para ganhar?
LM: Costumo dizer que vale tudo menos fazer batota ou fazer algo que possa magoar alguém. A minha estratégia passa por ser o mais simples, humilde e divertida possível. Quero distribuir sorrisos e perseguir o meu sonho de forma simpática. Admito que é uma visão romântica, mas até agora tem chamado a atenção dos media e isso dá-me a visibilidade necessária para que os portugueses conheçam o meu sonho e me ajudem a concretizá-lo.
MN: Andar vestido de pinguim quase noite e dia não é fácil, por isso, o historial de peripécias deve longo...
LM: Sem dúvida! Mas o desafio dos três mil votos proporcionou imagens de rara beleza nos transportes públicos de Lisboa. Entrar no metro, no cacilheiro, no eléctrico, no autocarro ou mesmo num táxi vestido de pinguim com um conjunto de amigos de guitarras em punho, a pingu band, foi simplesmente memorável. Recordo-me da primeira vez que estive na baixa vestido de pinguim, em que a determinada altura apareceu um polícia que se aproximou e disse: “Vocês não podem estar aqui, tenham cuidado que ainda chamam a polícia”! Estes dois meses têm sido assim, cheios de histórias para contar.
MN: Os seus pais acham piada ou tentaram “interná-lo”?
LM: A minha mãe vibra comigo e está a viver intensamente esta aventura. Por ela, já tinha feito muito mais do que me vestir de pinguim. O meu pai, por outro, lado ri-se, diverte-se e provavelmente acha que sou completamente doido. No fundo, foram eles que me ensinaram a perseguir os nossos sonhos e a ter ambição em tudo o que fazemos. Se estou aqui hoje e não estou “internado” algures devo isso a eles. Esta aventura é saudável e muito divertida. MN: Não estaremos a correr o risco de ajudar um transmontano a ganhar e depois termos de fazer notícia pelo facto de ele ter fugido da comitiva e optado por ficar pela a Antárctica, dado o seu amor por este continente? Não existe esse risco. Embora apaixonado pelo continente gelado, o amor da minha vida é Portugal. Caso ganhe, pode acontecer que fique por lá mais algum tempo do que planeado, mas, no fundo no fundo, a aventura não pode durar para sempre e o porto de abrigo acaba por ser a nossa casa. Já vivi no Brasil, na Sérvia, na Bélgica e sei que não há melhor do que voltar para junto dos nossos.
MN: É actualmente o primeiro numa “corrida” com 520 perseguidores, uma espécie de maratona. Está bem fisicamente? Tem noção que é dos poucos portugueses que está a conseguir deixar para trás norte-americanos e ingleses?
LM: Estou óptimo! Preparadíssimo para o próximo e último mês de competição. Sejam norte-americanos, canadianos ou ingleses estou prontíssimo. Tenho o apoio dos portugueses e um grupo de amigos brutal, o que me deixa muito confiante e optimista. Venham eles que nós unidos somos fortes. Vamos conseguir angariar muitos mais votos, vamos lançar muitos mais desafios no nosso blog (www.rumoantarctica). Vamos rir muito e a concorrência que esteja atenta porque aqui o transmontano não desiste, afinal: até ao lavar dos cestos é vindima!
MN: O que promete fazer caso esta entrevista seja publicada?
LM: Caso ganhe, prometo levar o exemplar do “Mensageiro” até à Antárctica, tirar um foto por lá a lê-lo e enviar-vos.
MN: Quando será conhecido o resultado final?
LM: Saberemos dia 30 de Setembro quem ficou em primeiro lugar a nível de votação. Depois, será feita uma entrevista ao primeiro classificado, validar se ele cumpre os critérios definidos e diria no dia 5 de Outubro saberemos quem oficialmente ganha a viagem. Oxalá seja o transmontano Luís Monteiro.

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