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. // A Igreja no palco mediático Por: Calado Rodrigues / Secção: Editorial / 19-09-2009 Imprimir Enviar a um amigo

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A relação da Igreja com os meios de comunicação social não é fácil. Frequentemente ela é mal tratada e mal compreendida pelos media. Mas, apesar de todos os problemas que possam ter existido e continuem a verificar-se, o Magistério da Igreja teve sempre em muito apreço o mundo da comunicação social e depressa compreendeu as suas potencialidades para a difusão da sua Palavra e da sua Mensagem. A Igreja situa mesmo os meios de comunicação social entre as coisas maravilhosas que a humanidade criou. “Inter Mirifica” é o nome do decreto sobre a comunicação do Concílio Vaticano II. Para uma presença mais eficaz no espaço mediático, há muito que a Igreja vem investindo na formação de comunicadores católicos, no lançamento de meios de comunicação social por Ela geridos e na criação de Gabinetes de Imprensa, que facilitem os diálogo com os media exteriores, e às vezes um pouco hostis à Igreja. São poucas as dioceses e as instituições da Igreja Católica em Portugal que têm Gabinetes de Imprensa ou responsáveis pela comunicação. Considera-se essa estrutura um luxo e ainda não se descobriu a sua real importância. Na passada semana o Secretariado Nacional das Comunicações Sociais promoveu em Fátima umas Jornadas subordinadas ao tema “Gabinetes de Imprensa: luxo ou necessidade?”. Dioceses pequenas, como as do interior, que estão muito menos expostas aos holofotes da comunicação social, ainda sentem menos a necessidade de tal serviço eclesial. Mas, mesmo essas não estão livres de repentinamente serem projectadas para o palco da comunicação social, sobretudo de alguns media, sempre à espreita do mais ínfimo escândalo no seio da Igreja. Contudo, esses gabinetes não se esgotam na gestão de crises, mas o seu papel é muito mais lato. É um verdadeiro serviço ao Evangelho e à divulgação da “palavra e do testemunho da Igreja” no mundo, como bem explicou em Fátima o director da Sala de imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, são um serviço também à comunhão, dentro e fora da Igreja. Para o responsável pela comunicação da Santa Sé, é essencial que as instituições eclesiais tenham alguém que saiba traduzir, de forma “clara, simples e compreensível”, a linguagem, tantas vezes muito técnica e hermética. É exigido a esse serviço da Igreja que diga sempre a verdade, para não ser apanhado em contradição, que esteja sempre disponível para responder aos jornalistas e, sobretudo em situação de crise, intervenha de modo rápido, para não deixar avolumar as suspeitas ou que se continuem a difundir notícias falsas ou inexactas. Em relação aos media católicos, o Pe. Lombardi defendeu que “devem ser encorajadas, embora seja oportuno avaliar a sua qualidade e utilidade e os recursos que absorvem; é necessário, às vezes, lançar novas iniciativas: por exemplo, hoje é indispensável garantir uma presença eficaz da realidade diocesana na Internet. Mas é sempre preciso recordar que a comunicação – especialmente na Igreja – é um valor que exige energias e envolve custos, mas dificilmente gera receitas económicas”.

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