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Comunicação Social // Jornalistas em situação precária Por: Frederico Correia / Secção: Actual / 10-04-2008 · 2 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo

Foto: Frederico Correia
Miguel Portas em aula sobre jornalismo e política, na UTAD

O exercício da profissão de jornalista encontra-se, actualmente, numa situação de precariedade, referiu Miguel Portas, eurodeputado pelo partido do Bloco de Esquerda, no passado dia 8, em Vila Real, no âmbito de uma conferência subordinada ao tema “Do Jornalismo à Política: o Caso do Dr. Miguel Portas”. A conferência teve lugar no Complexo Pedagógico da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. “Actualmente, com as pessoas a poderem ser despedidas às terças e quintas e a terem de pagar para trabalhar em vez de serem pagas por trabalhar, os factores de precariedade são tão fortes que condicionam efectivamente a independência do jornalismo. A precariedade é o principal factor objectivo da degenerescência do jornalismo”, disse Miguel Portas. Segundo o deputado, a precariedade traduz-se ainda numa falta de confiança entre os jornalistas e as fontes e, também, numa falta de confiança no próprio jornalismo. “Com a precariedade de hoje, o jornalista sente que tem de dizer tudo de qualquer maneira, e rapidamente, em vez de construir relações de confiança com as suas próprias fontes, o que não implica estar de acordo com elas. A fonte tem de sentir que, mesmo que o jornalista não concorde com a fonte, ele é capaz de respeitar a fonte”, sublinhou. O deputado e ex-jornalista, que esteve na UTAD para falar da sua experiência enquanto jornalista e político, começaria por lembrar que “não é de bom tom” desempenhar as funções de jornalista enquanto se está na política, onde diz estar “por ser um direito e não é encarada como uma reforma dourada nem como destino de vida” e, por isso, regressará “de novo ao jornalismo”. Durante a conferência, a plateia compôs-se maioritariamente por jovens estudantes de Ciências da Comunicação, muitos deles candidatos a serem jornalistas. Miguel Portas deixaria, por isso, o aviso de que “não há uma boa história, sendo fria e sem subjectividade”. “O bom jornalismo é inevitavelmente subjectivo. O facto não é só o facto, mas sim o facto no seu contexto. O bom jornalismo é aquele que, podendo se perceber qual é a opinião do jornalista sobre determinado facto, qualquer pessoa possa ler essa notícia, não concordar com o jornalista e ter dentro da notícia todos os elementos que lhe permita construir a sua verdade.”

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2 Comentários Feed

eu · escreveu em 11-04-2008 às 11:06:21
Haja coragem de denunciar estas situações que afectam cada vez mais jovens! É ridículo que jovens licenciados tenham de se sujeitar a receber salários miseráveis que não chegam sequer aos 800 euros. Como se pode viver dessa maneira? E a exploração? São profissionais que nunca têm folgas, que não têm praticamente direitos nenhuns e É IGUAL EM TODO O LADO!!!! Parabéns pela publicação e pela denúncia!
joaquim jose fernandes · escreveu em 11-04-2008 às 19:07:44
"É ridículo que jovens licenciados tenham de se sujeitar a receber salários miseráveis que não chegam sequer aos 800 euros."
Bem, por esse valor nao me queixava, por favor indica-me um licenciado que ganhe esse ordenado como jornalista? quem te dera...
pergunta ao mensageiro notícias quanto paga...
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