Página Inicial | Terça-Feira, 7 de Setembro de 2010

. // Saberes do passado com futuro Por: Calado Rodrigues / Secção: Editorial / 26-10-2009 Imprimir Enviar a um amigo

.

A necessidade de reconstruir as velhas casas das nossas aldeias tem revelado técnicas de construção admiráveis e surpreendentes. Pensavam os teóricos da construção que em regiões, como a de Trás-os-Montes, onde predomina a pedra nos edifícios, não se utilizasse a construção em terra ou barro. A demolição de casas ou a sua reconstrução veio demonstrar que a construção em adobe, ainda que raro e pouco conhecido na região, era bastante utilizada. Como se pode comprovar no “Olhar” desta semana, ainda há pessoas que se recordam de nas nossas aldeias se produzirem os tijolos resultantes do barro da região, que, depois de amassado e misturado com a palha trilhada , eram secos ao sol sem qualquer cozedura. Os mais velhos ainda se lembram dos locais onde esse barro era extraído, bem como das eiras onde era pisado, por juntas de bois, enquanto se ia misturando, na quantidade certa, com palha e saibro. Nos últimos tempos, a utilização de técnicas e materiais tradicionais na construção, sobretudo a construção em terra, tem vindo a revelar uma vertente que a tem tornado altamente atractiva: a sua característica ecológica. Enquanto que na produção dos materiais mais utilizados, hoje em dia, como o ferro, o cimento ou os tijolos, é necessário utilizar quantidades consideráveis de energia, os outros permitem uma grande poupança energética, que se traduzirá numa maior sustentabilidade do planeta e preservação dos seus recursos. Por outro lado, enquanto que os materiais de hoje não podem ser reutilizados, quase todos os tradicionais podem ser novamente usados. Quando se faz obras numa habitação,o betão armado, os tijolos e cimentos, resultantes das demolições, vão todos para o lixo. Enquanto que na reconstrução de habitações construídas de forma tradicional, as madeiras podem ser usadas novamente ou então servirem de combustível para aquecimento, seja em lareiras ou em recuperadores. Os tijolos de adobe podem de novo ser amassados e voltarem às novas paredes. A pedra, ainda mais facilmente, pode ser recolocada nas paredes, padieiras ou soleiras. Com o abandono das técnicas tradicionais de construção desapareceram diversos artífices ligados a essa actividade, como os canteiros, os carpinteiros ou os que faziam os tijolos de adobe. Se essas técnicas, sobretudo a construção em terra, forem recuperadas, podem representar uma oportunidade para a região. Temos o barro e o clima não é de todo adverso à produção de adobe. Como, hoje em dia, a produção que se faz em outras partes do país já não chega para as encomendas, como testemunhou ao Mensageiro Vera Schmidberger, se a sua procura aumentar, ainda mais, com a divulgação e a promoção das técnicas tradicionais de construção, então abre-se aqui uma boa oportunidade para a região. O adobe poderia começar-se a produzir nas nossas aldeias, com pequeníssimas adaptações, de forma quase industrial. Seria óptimo para a região, pois poderia gerar emprego nas envelhecidas e despovoadas aldeias de Trás-os-Montes e, assim, contribuir para a fixação da população mais jovem e inverter esta tendência de “desertificação humana” que assola o meio rural transmontano.

O que achou desta notícia?

0 Comentários Feed

Deixe o seu Comentário

(necessário)

(opcional)

(opcional)

(necessário)

Nota: Os comentários são da exclusiva responsabilidade dos seus autores.


Login de Assinantes //

  Recuperar password

Última edição em PDF
Edição 3284 - 26 de Agosto
Publicidade // Anuncie aqui... Estatísticas das notícias // Últimas notícias por secção //