Trás-os-Montes // Túnel do Marão parado pelas Águas Por: / Secção: Actual / 19-11-2009 · 10 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo
Empresário teme pela perda de quantidade na captação, concessionário responde com “prejuízo de milhões”À medida que a Auto-estrada Transmontana avança muitos são os entraves que surgem pelo caminho. Depois da polémica com o Tribunal de Contas (ler caixa), agora foi a vez das obras que irão furar um dos maiores túneis rodoviários da Península Ibérica ficarem suspensas. Em causa está uma providência cautelar da empresa Águas do Marão que alerta para a possibilidade do túnel vir a interferir na captação de águas. Sem rodeios, em declarações ao Mensageiro, o administrador da empresa Águas do Marão, António Pereira, afirmou que “este já é assunto antigo” e que “não surgiu agora por mero acaso”. “É uma preocupação já antes do traçado ser aprovado, do estudo prévio, da obra ser adjudicada. Também é do conhecimento dos Ministérios, do Governo, da empresa Estradas de Portugal (EP).” A empresa Águas do Marão apresentou uma providência cautelar sobre as obras, que o levou à sua imediata suspensão. Os motivos são, segundo António Pereira, “óbvios e claros”. “Um túnel que passa 127 metros a baixo das captações das águas e que está desviado 800 metros, com certeza que irá drenar toda a água. O túnel funcionará como um dreno, que termina na boca do túnel.” No Relatório de Conformidade Ambiental do Projecto de Execução (RECAPE), a que o Mensageiro teve acesso, pode ler-se que “poderão ocorrer influências quantitativas, pouco significativas, a partir de um troço do túnel atravessando uma zona fortemente tectonizada (fragmentada) ”. O documento acrescenta ainda que “a zona de contribuição das Águas do Marão será provavelmente afectada”, embora no que se refere à qualidade das mesmas, “da realização da obra não se prevêem impactes”. Mas não é sobre a qualidade, até agora assegurada, mas sobre a quantidade que a empresa Águas do Marão está preocupada. “Alertei em tempo devido as autoridades que, se este projecto avançasse, iria prejudicar irreversivelmente as Águas do Marão. Nessa altura, a EP garantiu que não fariam este traçado, mas aprovaram-no passado de ano e meio”, lamentou o responsável pela empresa de água. O RECAPE prevê ainda que, “para conciliar a obra e a continuação da operação das Águas do Marão, cenário que se considera perfeitamente exequível, será necessário um sistema de monitorização, incluindo registo sistemático de níveis e caudais nas captações de água”. O consórcio liderado pela Somage já entregou, ao final da tarde de segunda-feira, dia 16, a justificação para “tentar retomar as obras”, confirmou fonte da empresa ao Mensageiro. Sobre eventuais prejuízos com a suspensão dos trabalhos, a mesma fonte avançou que “tudo tens os seus custos”, referindo-se a trabalhadores, maquinaria e tempo de execução da obra, e que poderão atingir os “milhares de euros”. Para António Pereira a escolha, “entre os quatro traçados possíveis, foi a pior e o único que prejudicava a empresa”. Assumindo-se a favor do “desenvolvimento da região” e admitindo que “a ligação é fundamental”, o empresário disse que “não se pode destruir um investimento de milhões de euros, que levou uma vida a construir”. Estima-se que a empresa Águas do Marão engarrafa, por ano, mais de 11 milhões de litros e dá trabalho a mais de meia centena de funcionários. Quando terminado, o túnel rodoviário vai ajudar a ultrapassar as sistemáticas dificuldades impostas pelas condições climatéricas no ponto alto do actual traçado no Marão. A sua extensão será de 5,6 quilómetros, pertencendo a um total de 29,8 quilómetros entre Amarante e Vila Real. Actualmente, os trabalhos empregam mais de mil pessoas de 88 empresas.
Recurso ao chumbo das auto-estradas transmontanas
A Estradas de Portugal (EP) fez chegar, no passado dia 17, ao Tribunal de Contas (TC), o recurso aos acórdãos que impediram o visto prévio aos contratos das concessões da Auto-estrada Transmontana e do Douro Interior, que engloba o Itinerário Principal 2 e o Itinerário Complementar 5. A decisão do tribunal assentava na violação da lei ao ter sido permitido que os consórcios apurados para as negociações finais dos dois concursos apresentassem propostas piores do que as iniciais. O presidente da EP, Almerindo Marques, já veio esclarecer que o tempo entre a primeira e a segunda propostas dos consórcios coincidiu com a crise económica global e, como consequência, no que respeita às concessões, um aumento significativo dos custos financeiros. Quanto aos pagamentos “à cabeça” de cerca de 430 milhões por parte dos concessionários à EP, inicialmente previstos, mas depois retirados quando da “reformulação” de propostas, o mesmo responsável justificou que seria mais oneroso receber esses adiantamentos e pagar os juros do que recorrer à banca. Recorde-se que, embora não haja, até ao momento qualquer decisão deste processo, as obras das duas auto-estradas continuam a decorrer.

10 Comentários
Assim, se no final se verificar que tudo o que consta da DIA salvaguarda potências prejuizos, ele deve ser obrigado a pagar pelos prejuizos às populações que iriam utilizar o tunel e também à empresa concessionária.
Só empatam, só adiam e depois queixam-se que as contas derrapam...
São sempre os mesmos. Falam muito, mas não fazem nada
1- A Obra é irreversível e vai acabar, ou seja VAI HAVER TÚNEL!
2- "Todos os custos" foram contabilizados no Cadernos de Encargos, inclusive os chamados imponderáveis!
3- Este tempo de espera acaba por ser retemperador de forças e bom para rever "a matéria dada"!
4- Deverá estar contabilizado o caudal futuro a escoar pela drenagem do próprio túnel, que "a ser aproveitado" dará para MUITA COISA, inclusive para planos de regadios!
... entretanto, calcula-se que deva estar a ser "tratada" toda a água que desde já vem do interior das galerias, de modo a que os aditivos usados em obra não venham contaminar as vertentes!
Depois do Túnel feito vai haver mais água do que aquela que havia até agora! Saibam, quem tem que o fazer, administrar atempadamente como se vai distribuir, sem que se perca em qualquer buraco longe "dos olhos de quem passa"
5- Sosseguem pois os Transmontanos: já não há volta a dar, até porque já não há "voltinhas do Marão"!
Meteram-se com ele, é com ele que t~em que se haver.....
O resto, ora..........!
De acordo com os argumentos apresentados por quem entrepôs esta providência o túnel do canal da Mancha não teria sido feito, pois esvaziava-se o mar para França e Inglaterra através dos túneis.
Eu conto passar no túnel do Marão e não estou a pensar molhar os pés.
Agora este senhor como típico empresário Português começou a pensar e que tal sacar umas coroas cá para o rapaz. Nem que seja obrigar o consórcio a fazer novas captações com equipamento mais moderno do que o que tem. E isto tudo na mera suposição que os túneis vão ser verdadeira torneiras ridículo!
Em Portugal é assim que se trabalha primeiro começa a obra depois ao fim de alguns meses mandam parar é trite.
Este senhor é tão somente membro do conselho de administração da construtora do tamega, parceira da Mota Engil...
Talvez agora percebam a dor de c.... que eles têm, e não só, mas o não só fica para a proxima..
Eu pergunto?
1º - Se havia 3 alternativas à abertura e passagem do Túnel!!..
2º - Se foi analisado pela Empresa que aquele traçado era o mais inviável!!..
3º - Se lhe foi prometido que em face da possivel afectação nunca se faria esta opcão!!.
Eu respondo...É tipico dos últimos anos de Portugal!!! É tipico do Socrates!! É tipo do actual Cavaco Silva!!..
Os políticos decidem fazer grandes obras, que eram importantes há vinte anos, mas que agora, nesta altura do Mercado Global, não são tão necessárias, porque existem outras prioridades.
Em Lisboa, olham para o mapa e medem os quilómetros de Auto-estrada que falta construir e distribuem, por concessão, às grandes empresas de construção. Estas empresas apresentam orçamentos elevados, digo mesmo astronómicos, pois não existe concorrência, e como o dinheiro é dos portugueses, a ganância prevalece (a mesma dos Bancos que entraram em falência e onde os cidadãos incautos perderam as poupanças), e os políticos concordam. Quem vai pagar com juros elevados, podem estar certos disso, são os mesmos de sempre, os cidadãos, através dos impostos directos e indirectos, desemprego, juros altos, portagens, etc. e assim é instalado paulatinamente o empobrecimento e a perda de qualidade de vida de uma grande maioria, comprometendo mesmo o padrão de vida dos seus filhos. A elite, os tais, põem o seu dinheiro no estrangeiro, ficam cada vez mais ricos e podem viajar nas auto-estradas em descapotáveis.
As empresas que “ganharam” os concursos encomendam e pagam os estudos (DIA e RECAPE), decidem os traçados, e não ligam á participação dos cidadãos, que habitam e desenvolvem actividades nessas zonas. A Agência do Ambiente e as Estradas de Portugal aprovam e não fiscalizam nada ou fazem que fiscalizam.
Circulam Milhões de euros dos cidadãos para as empresas com a bênção dos políticos. Quem se encontrar no caminho é arruinado, expropriado e caluniado. Os proprietários são expropriados pelas empresas, que têm as concessões, e que pagam os terrenos e casas a valores de miséria, mais uma vez com a bênção dos políticos. Vejam e digam, em voz alta, quem está a arruinar o país. Quanto vale um recurso como as águas do Marão que é infinito e é possível de exportar durante milhares de anos. Vamos trocar um recurso natural por um túnel que foi decidido por um concessionário, quando existiam outros traçados, com base unicamente na ganância e no lucro fácil. Quem vai lucrar com tudo isto?
Primeiro devia-se fazer os estudos de Impacte Ambiental e depois decidir os traçados. O que se faz é decidir o traçado que dá mais lucro aos concessionários e a outros e depois fazem-se os estudos de Impacte Ambiental a dizer que este é o melhor traçado. Os cidadãos incautos estão na ser enganados, penso que muitos gostam, depois de o facto consumado vai ser tarde, só espero que eu esteja enganado.
Se já sabiam e havia à muito tempo estudos feitos pela Água do Marão e vários avisos a todas as entidades competentes, porque o estado não fez um unico estudo de impacto ambiental, de que iriam ser afectadas as captações da água, porque é que escolheram o único inviável para a empresa de Água que já la estava desde sempre?
Por algum motivo tem sido dados pareceres favoráveis à empresa de Água e tem sido proferidas decisões que salvaguardam o trabalho de uma vida e de familias que desde à 25 anos dependem dela. Tem de ser dadas garantias para poder continuar a trabalhar.
Os construtores deram com lençois de água que não contavam, pois é no Marão que se encontra a maior bacia hidrográfica que faz parte da reserva ecológica natural de Portugal.