Vale de Algoso – Vimioso // Corpo de militar regressa a casa 36 anos depois Por: / Secção: Actual / 19-11-2009 · 1 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo
Manuel Maria Rodrigues Geraldes faleceu na Guerra Colonial, na Guiné BissauO corpo de um militar português, natural da aldeia de Vale de Algoso, concelho de Vimioso, que faleceu na Guerra, na Guiné Bissau, em Maio de 1973, foi só agora transladado para a sua terra natal e o seu país. Manuel Geraldes tinha 22 anos quando morreu em combate, em Guidage, na Guiné, juntamente com outros solados do Exército e do corpo de pára-quedistas. Na altura, os mortos desse combate ficaram sepultados no mesmo local, até que a União de Pára-quedistas de Portugal (UPP) mobilizou uma acção que permitiu o resgate dos corpos, não só dos pára-quedistas, mas também dos outros militares, desde que famílias mostrassem intenção de os reaver. Na região, além do soldado de Vale de Algoso, foi ainda resgatado o corpo de um militar de Valpaços. “A União de Pára-quedistas foi à Guiné resgatar os corpos e entendemos que deveríamos trazer também os restos mortais dos homens do Exército que se encontravam sepultados em campas paralelas às dos pára-quedistas”, explicou Avelar de Sousa, presidente da UPP, presente nas cerimónias fúnebres que tiveram lugar na aldeia natal de Manuel Geraldes. Na aldeia, os restos mortais do jovem soldado foram recebidos com emoção. “Sensibilizou-me muito. Recordo o Manuel Geraldes com muita saudade. Era um rapaz trabalhador, honesto, alegre e divertido. Estava sempre a puxar-nos para jogar futebol ou fazer bailaricos. Tinha um gira-discos que trouxe de França”, contou-nos Domingos Pimentel, um popular de Vale de Algoso. Luís Geraldes, irmão de Manuel Geraldes, referiu que para a família o facto de o corpo ter permanecido longe da terra, durante tantos anos, significou muito sofrimento, mas a família não tinha condições para fazer a transladação. O familiar criticou ainda o desinteresse do Estado português perante estas situações. Também Domingos Pimental sublinhou que “Governo deveria ter um nível elevado de patriotismo, como tiveram eles, que largaram tudo quanto gostavam para atender aos pedidos do país”, até porque “a história faz-se com os que eram da altura, não se faz só com os de agora. Esconder a história antiga acho que é mau, porque é recusarmo-nos a reconhecer o que os nossos pais fizeram”, disse.

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Casimiro Martins