Diocese Bragança-Miranda // "É a palavra de Deus que dá sentido à nossa vida" Por: / Secção: Igreja / 20-11-2009 · 3 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo
Bispo Diocesano sublinhou que sacerdócio é um dom de Deus à Igreja e à SociedadeD. António Montes Moreira, bispo da Diocese Bragança-Miranda, que ordenou dois novos diáconos e um novo presbítero, no passado Domingo, dia 15, na Catedral de Bragança, sublinhou na homília a importância da pregação da palavra de Deus, em tempos de pouca fé e de crise, não só económica, mas sobretudo de crise de valores. António Rodrigues, natural de Viduedo, Mogadouro, de 25 anos é o novo presbítero da diocese. José Pombal, natural de Mós, Torre de Moncorvo, de 24 anos, e Mauro Alves, de 25 anos, natural de Freixo de Espada à Cinta, receberam a ordem dos diáconos. D. António Montes começou por explicar que o serviço prestado à igreja pelo sacerdote se desenvolve, sobretudo, em torno das funções de pregação da palavra de Deus, santificação dos fiéis, nomeadamente pelos sacramentos, e governo do Povo de Deus. “O ministério da pregação é a primeira tarefa do sacerdote”, afirmou D. António Montes. Até porque, “é a palavra de Deus que dá sentido à vida”. Actualmente, muitas pessoas perderam o sentido da vida, e a crise, mais do que económica e financeira, é de valores, uma crise de ética. “Foi preciso a crise económico-financeira para muitos se darem conta disso”, de que a “economia e a técnica também precisam de ética”, disse. Neste mundo em crise, a “palavra de Deus é um marco de referência para julgar da autenticidade da nossa vida cristã”. E, “nesta área, há motivações e práticas a purificar”. D. António Montes referia-se a práticas que é necessário “arrancar e destruir pela raiz, para depois construir de novo”, no âmbito de outra das tarefas sacerdotais, “o governo do Povo de Deus”. O Bispo Diocesano deu o exemplo de “certa forma de fazer cumprir promessas que soa a mercantilismo e não conduz à melhoria da vida cristã dos interessados; a algumas modalidades de culto dos mortos que exprimem uma religiosidade rural e pagã e não uma atitude confiante”. Por essa razão, a vivência cristã deve ser iluminada pela “Palavra de Deus, devidamente explicada pelo sacerdote”. Contudo, a pregação não se inscreve no círculo mais reduzido da comunidade cristã, mas projecta-se na vida pública, na vida quotidiana. D. António Montes insistiu que um bom cristão deve ser “o melhor cidadão.” Se a larga maioria dos baptizados “cumprísse com fidelidade os 10 mandamentos, o mundo seria perfeito. Se todos respeitassem a vida, a propriedade, o bom nome e a dignidade dos outros, não haveria crimes”, e, portanto, os “tribunais seriam desnecessários”. Sendo essa uma utopia, D. António Montes exortou os presbíteros e diáconos, mas também todos os cristãos, a não cruzarem os braços perante as limitações da condição humana. O Bispo diocesano havia começado por afirmar que a disponibilidade para o ministério pastoral “é um dom de Deus à Igreja”, mas também à sociedade. D. António Montes Moreira agradeceu aos intermediários das acções de Deus, aos que permitiram a descoberta e o cultivo da caminhada vocacional, nomeadamente às comunidades cristãs, às paróquias e respectivos párocos, aos seminários e formadores e às famílias dos que foram ordenados. “É no seio da família que, normalmente, surgem os primeiros apelos vocacionais, como fruto da vivência cristã da família”. Num momento emotivo para familiares dos que iam ser ordenados, D. António Montes sublinhou que “uma família cristã deve sentir-se gratificada se nela surgirem vocações para o sacerdócio. Os pais não perdem um filho se o entregam ao serviço da Igreja pelo sacerdócio. Mantêm com ele uma ligação mais profunda porque centrada na ligação comum a Cristo”. Na homilia D. António Montes disse também que as vocações sacerdotais surgem em comunidades com uma forte vivência cristã, com movimentos de espiritualidade e apostolado. Nesse sentido, na Diocese, “temos ainda um longo caminho a percorrer. Há vários concelhos e arciprestados que não estão representados entre os alunos do nosso Seminário”, afirmou. Além de um dom de Deus à Igreja e à sociedade, as vocações são também “uma escolha de predilecção, por parte do Senhor”. No final da homilia, dirigindo-se directamente aos ordenados, D. António Montes afirmou que sabia que os ordenados não consideravam o sacerdócio como uma profissão, ou em emprego. “Ser padre é uma missão que faz de nós discípulos e apóstolos de Cristo. Apóstolos, porque sempre discípulos. Se não formos discípulos permanentes de Cristo, deixaremos de ser apóstolos e tornamo-nos funcionários do sagrado”, Ao novo padre e aos dois novos diáconos, o Dispo Diocesano deixou ainda um breve resumo das exortações do próprio Ritual da Ordenação. Estas ordenações encerraram a Semana dos Seminários e ocorrerem em pleno Ano Sacerdotal, instituído pelo Papa Bento XVI, sob o lema “Fidelidade a Cristo, Fidelidade do Sacerdote”.

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3 Comentários
Com esta insistência, pareceu-me que a grande aflição dos Senhores Bispos pela falta de sacerdotes já não será tanto para celebrar, mas para administrar “a Palavra de Deus que dá sentido à vida”; a “palavra de Deus é um marco de referência para julgar da autenticidade da nossa vida cristã” e da realização plena do sacerdote, como deu sentido à vida daqueles dois discípulos, encorajando - os e fazendo-os “julgar da autenticidade da” sua fé - “na mesma hora levantaram-se e voltaram a Jerusalém”. Assim acontecerá a quando d “A Palavra de Deus, devidamente explicada pelo sacerdote”, não só na Missa mas, sobretudo, durante o ano Litúrgico, em acções de formação.
O ano Paulino foi uma oportunidade perdida de formar Comunidades, que mesmo sem o Padre, se congreguem em volta da Palavra, fazendo-se representar pelos meios mais rápidos e diversificados que Paulo não tinha. O Ano Sacerdotal, por sua vez, parece - me ser outra oportunidade, cuja mensagem devia ser mais orientada ao Povo sacerdotal. Insiste-se muito e quase exclusivamente na oração e em acções exteriores e muito pouco na formação, actualização – avaliação, mudança do modo de ser, de estar, de actuar dos Presbíteros ,nos campos das homilias, da Catequese – formação de catequistas, realização de Cursos de Formação cristã, bíblica, litúrgica. É vital a Catequese de adultos, fazer sessões de esclarecimento, para as reformas serem percebidas e aceites; para termos cristãos esclarecidos, de modo a ser fácil “purificar motivações e práticas”, sem ser necessário “arrancar e destruir pela raiz, para depois construir de novo” mas, precisamente, nessas raízes que até já deram os seus frutos, enxertar uma Igreja nova, arejada, alegre na Fé, esclarecida na e pela Palavra, mostrando mais o rosto de Cristo Ressuscitado. A nossa presença para, na e no regresso da s igrejas, aos domingos, não mostra o rosto de Cristo Ressuscitado… ; não mostramos que vamos para e vimos da Festa. “Que alegria, quando me disseram vamos para a casa do Senhor” (Sl.122)
Para este trabalho pastoral não é preciso convidar doutores, especialistas. O próprio Pároco, só ou em equipa, para tal estudou tantos anos e disciplinas tão difíceis e exclusivas; e não tanto para outras actividades, quase a tempo inteiro… e fazer casamentos e baptizados, funerais, serviços de cartório, tarefas que os leigos, podem e devem fazer.. O Padre não pode limitar-se há homilia dominical.
Em Comunidades verdadeiramente Cristãs, esclarecidas, animadas pela Palavra e alimentadas pela Eucaristia, em vivência fraterna,”vede como eles se amam” “ e entre eles não havia necessitados,” (Acts.4,34) surgirão naturalmente as Vocações - permita-se-me que assim me expresse - não tanto como uma predilecção especial de Deus, uma honra para a família ou uma glória para a Terra, mas como chamamento natural da Fé do candidato, animada e sustentada pela Fé da família e da Comunidade paroquial.
A “Fidelidade a Cristo, Fidelidade do Sacerdote” supõe também a Fidelidade a Cristo, Fidelidade da família e da Comunidade Cristãs..
s.m.falcao@gmail.com