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Alijó // «Ladrão de Livros»: solidão ou felicidade? Por: Joana Vieira / Secção: Cultura / 23-11-2009 · 2 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo

Foto: Joana Vieira
Livro alerta para o perigo da solidão e para a necessidade do auto-conhecimento

“É preciso acreditar em nós, em quem nos rodeia, em quem nos ajuda a sobreviver.” Foram estas as palavras que o jornalista e também escritor Carlos Barros proferiu e quis que chegassem ao público que se deslocou, no sábado, dia 21 de Novembro, à Biblioteca Municipal de Alijó, para assistir à apresentação do seu mais recente projecto, «Ladrão de Livros».

Este livro trata, sobretudo, da solidão e do perigo que esse sentimento acarreta para quem diariamente convive e nada faz para o combater. O jornalista sentiu necessidade, nesta que já é a sua terceira obra, de falar de sentimentos e da dicotomia sonho e realidade. Segundo o próprio, é “bom sonhar mas é bom estar aqui, trocar impressões, redescobrir que existem partes boas depois de um dia desgastante de trabalho”, referiu.

O medo de ficar só, da não partilha de sentimentos e emoções, da troca de ideias representam, para o autor, o fio condutor do «Ladrão de Livros». “Este livro tem muito da solidão que se vive hoje em dia. Há uma correlação entre esse sentimento e o egoísmo. Nós não queremos partilhar toda a amargura que nos atinge e se o fizéssemos era muito mais fácil”, adiantou. Vítor Raquel da editora Fronteira do Cais, a responsável pelo lançamento do livro, esteve ao lado de Carlos Barros e, de uma forma muito directa, disse que o livro tem “algo de cativante, uma simplicidade literária”, sendo “impossível parar de o ler”.

Apesar desta ser já a terceira incursão pelo mundo literário, Carlos Barros não considera que o seu livro tenha atingido a maturidade, pelo contrário, é apenas “um livro”. “Sei que tem muito de mim, pois enquanto desempenhava as minhas actividades, fui criando as personagens, elaborando a história, encaixando o trama. Escrevi o livro na minha cabeça, mas não o considero maduro”, disse.

Interpelado sobre a escolha do título, o escritor referiu que quando se lê um livro “roubamos as palavras, não as conseguimos largar” acrescentando que o «Ladrão de Livros» representa “alguém que consome a leitura, que não a espalha e, por isso, vive num mundo só dele... vive na solidão”.

Momentos de reflexão, de introspecção, balanços entre o sonho e a realidade esperam o leitor, pois a partir do momento em que “alguém tocar no livro, deixa de ser meu e passa a ser de quem o lê”, reiterou Carlos Barros. «Ladrão de Livros» é um convite à descoberta do ser humano, um apelo à busca da felicidade sem rejeitar o sofrimento.

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2 Comentários Feed

Estela Magalhães · escreveu em 27-11-2009 às 22:41:06
Felicito a Joana Vieira, pelo artigo que tão bem conseguiu transmitir, o que se passou no dia 21 na Biblioteca Municipal de Alijó.
Divulgar o que se produz em Portugal e o talento dos nossos escritores, faz parte da nossa história.
Estive presente no evento e senti o calor humano com que tudo se desenrolou...não esperava outra coisa das gentes da minha terra.
Carlos Barros é realmente talentoso e esta obra é fantástica.
Parabéns pela iniciativa.
Vanda · escreveu em 27-11-2009 às 23:56:09
É um livro bem escrito por alguém que não conta, apenas, "estórias". É sentido e emana de uma forma bastante agradável a mensagem que pretende que o leitor receba.
Matilde & David... um encontro de dois seres... de uma forma original, mas ao mesmo tempo bonita, como o escritor que lhes deu vida.
De facto, sonhar, somente, não chega...
Que quem o leia tenha força para materializar os seus sonhos!
Um abraço grande...
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