. // Ecclesia semper reformanda Por: / Secção: Editorial / 06-12-2009 · 3 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo
.D. José Policarpo, Patriarca de Lisboa, referiu, no contexto do Conselho Presbiteral, que era urgente fazer uma “radiografia sócio-religiosa da diocese”. O Conselho Presbiteral é uma estrutura da Igreja diocesana, que, segundo a lei da Igreja, o Código de Direito Canónico, é um Senado do Bispo que o ajuda a “promover o mais possível o bem pastoral do povo de Deus” (Cán. 495 §1). Esse órgão colegial da diocese é constituído por sacerdotes representativos das diferentes regiões e organismos da igreja diocesana. Foi precisamente perante o Conselho Presbiteral de Lisboa que o Cardeal Patriarca reconheceu a urgência de se estudar e conhecer melhor a diocese. Mas, mais do que o conhecimento da realidade, o Patriarca manifestou a preocupação de proceder a uma reestruturação pastoral da diocese. Não se trata do estudo pelo estudo, mas com um objectivo bem preciso, o de reorganizar o Patriarcado e, sobretudo, a distribuição do clero. Provavelmente com dois objectivos: o de melhor corresponder às exigências do mundo de hoje em ordem a uma pastoral mais eficaz. São afirmações corajosas e que demonstram a vitalidade de D. José Policarpo, apesar de estar já no dealbar da sua missão apostólica à frente dos destinos da Igreja de Lisboa. Um estudo sério de uma realidade tão complexa como uma diocese, e em particular a diocese de Lisboa, não se consegue fazer num curto espaço de tempo. Tudo indica que o Cardeal pretende acelerar esse processo, uma vez que pretende ter em conta essa reorganização da diocese nas nomeações do próximo ano. É importante que a Igreja, continuamente, procure dar resposta aos desafios que um mundo em constante evolução lhe vai colocando. Foram os protestantes os primeiros a reclamar para Igreja a necessidade de se reformar continuamente. O célebre princípio do teólogo calvinista, Gisbert Voetius, “Ecclesia semper reformanda” há muito que deixou de ser uma exigência estritamente protestante e se tornou uma necessidade católica para a Igreja se manter num diálogo fecundo com o mundo. Foi essa a preocupação de João XXIII ao convocar o II Concílio do Vaticano, para promover o “aggiornamento” (renovação) da Igreja. O primeiro documento conciliar, a constituição “Sacrosanctum Concilium” logo no seu primeiro número, espelha bem o “aggiornamento” pretendido pelo “Papa Bom”, ao afirmar que “o Sagrado Concílio se propõe fomentar a vida cristã entre os fiéis, adaptar melhor às necessidades do nosso tempo as instituições susceptíveis de mudança, promover tudo o que pode ajudar à união de todos os crentes em Cristo, e fortalecer o que pode contribuir para chamar a todos ao seio da Igreja". Já passaram quase cinquenta anos sobre a promulgação da “Sacrosanctum Concilium”, (faz, hoje [4 de Dezembro], precisamente 46 anos que foi votado e aprovado) muito se tem feito para adequar as estruturas da pastoral e os organismos eclesiais às exigências contemporâneas, mas muito ainda há a fazer para dar continuidade ao “aggiornamento” preconizado pelo Vaticano II.

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3 Comentários
“Ecclesia semper reformanda”
Pouco se tem falado e escrito acerca do Concílio Vaticano II, de alguns anos a esta parte.. Poderia ter sido lembrado e retomado nas Comemorações ainda bem presentes: Ano Paulino, Cinquentenário do Monumento a Cristo Rei, os 75 anos da Acção Católica. O Ano Sacerdotal vem também a propósito. Mas não basta falar ou escrever. É preciso fazer acções de formação, de esclarecimento, de mentalização não só a nível das elites, mas sobretudo a nível das Paróquias; mesmo sem especialistas; pelos próprios párocos mesmo. Pouco valerá fazer acções de formação, fora da Paróquia ou mesma nesta por especialistas convidados, se não for o próprio Pároco a sugerir, a orientar e a administrá-las, para depois poder acompanhar os que nelas participaram. Foi para isto que ele estudou e se preparou. O povo aceita e vive todas as mudanças – “agiornamento” – desde que esclarecido.
E o Concilio Vaticano II é de tal modo uma aragem fresca, uma renovação do Pentecostes que só cada um não “ouviu na sua própria língua,” porque a Igreja, a nível, sobretudo paroquial, não abriu as suas janelas a essa aragem, não deu voz a esse Espírito, não ateou esse fogo ou teve medo desse tremor de terra e se manteve na atitude mais cómoda. Seguir o tradicional é sempre mais cómodo…
Julgo não estar longe da verdade, se disser que o Concilio Vaticano II ficou nas estantes e a sua aplicação e prática se limitou a alterações sobretudo exteriores..
Este artigo tem o mérito de falar do Concilio Vaticano II, concretamente dirigido aos Padres. Essa “radiografia sócio-religiosa da diocese” deve começar pela radiografia presbiteral, pelo modo como se está a aplicar esse Concilio a nível da Catequese, da Pastoral, da administração dos Sacramentos, da dinâmica litúrgica. Não será um “pecado” pastoral, sobretudo nas cidades, ver padres válidos, novos, a concelebrar e a orientar o Coro? Não haverá um paroquiano? Há tanto lugar a ser ocupado por padres, onde os leigos, seriam até mais eficientes. E que dizer de edifícios que já estiveram a abarrotar … e que hoje estão ocupados por poucos só para não fechar as portas?
A nível da “ reestruturação pastoral da diocese e da distribuição do clero,” acrescentaria da ocupação do Clero. Além do que já me referi atrás, quantos haverá cuja ocupação a tempo inteiro é a pastoral, a pregação directa do Evangelho?
Há, de facto” muito ainda há a fazer para dar continuidade ao “aggiornamento” preconizado pelo Vaticano II.” Muito ou quase tudo?
s.m.falcao@gmail.com
Aprecio a sua prosa, a reflexão oportuna...
Sou agnóstioco à procura e arrepiam-me os comentários de sacristria de alguns leigos pseudo comprometidos a desancar nos padres. Será que a Igreja é antidemocrática e não tem os canais próprios de auto crítica para ser necessário lavar roupa suja nos jornais. Por favor entendam-se, trabalhem mais uns e outros, desanquem-se menos, até nós que estamos nas franjas precisamos do vosso testemunho e não das vossas intrigas...
Um abraço fraterno e universal no Supremo Arquitecto.
Noronha