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Mirandela // Movimento denuncia destruição da linha do Tua Por: Fernando Pires / Secção: Actual / 06-01-2010 · 6 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo

Foto: Fernando Pires
Carris arrancados e secções da via “atiradas pela encosta abaixo”

Alguém continua a destruir e a furtar carris da Linha do Tua, no troço desactivado, entre Carvalhais (Mirandela) e Bragança. A denúncia parte do Movimento Cívico da Linha do Tua (MCLT) que já deu conta de vários casos concretos à própria Refer e colocou mesmo um vídeo amador no Youtube. Daniel Conde foi avisado que, na aldeia do Romeu, tinha sido visto maquinaria a atirar com uma linha por uma ribanceira. Ao chegar àquela localidade do concelho de Mirandela, constatou um cenário de destruição. “Mal cheguei à aldeia vi aquele entulho todo acumulado em frente à ponte, a passagem de nível destruída, carris retorcidos e montes de terra em cima do canal” conta. Alguns metros à frente, foi possível observar “carris arrancados e outros cortados em pequenos segmentos para depois serem levados” denuncia. Este activista deparou-se ainda com uma grande secção da via “atirada pela encosta abaixo” e no meio do canal havia um furo de prospecção, sendo que a máquina ainda estava nas imediações, e “tudo indica que pode servir para fazer prospecções para a auto-estrada transmontana”, afirma. Alertou a Refer, que garantiu não saber de nada, e o próprio chefe da linha deslocou-se ao local descrito por Daniel Conde, para confirmar a situação. Aquele elemento do MCLT considera que estamos perante um caso de contornos idênticos ao que ficou conhecido como o “Carril Dourado” (alegado furto de carris na linha do Tua) em que esteve envolvida a empresa O2 de Manuel Godinho, detido no âmbito do caso “Face Oculta”. Se nesse caso, envolve uma empresa privada, “agora pode estar em causa a actuação de uma empresa pública”, diz. “Onde é que está a decência de certas pessoas e empresas, neste caso públicas, que tratam a linha do Tua, que é património do Estado, pondo e dispondo de qualquer forma” refere. No entanto, Daniel Conde entende que esta situação também fica a dever-se a “alguma incúria” por parte da Refer ao não encontrar soluções que valorizem este património. A Refer explicou ao Mensageiro que não deu autorização para qualquer tipo de intervenção na linha e que o assunto está a ser alvo de um inquérito para apurar responsabilidades.

Troço desactivado há 18 anos

Os acontecimentos relatados pelo MCLT aconteceram no troço que está desactivado, desde 1991, altura em que encerrou o troço entre Mirandela e Macedo de Cavaleiros, entrando em funcionamento autocarros de substituição para transbordo, deixando o troço (Macedo de Cavaleiros/Bragança) isolado do resto da Linha do Tua. Dez meses depois (14 de Outubro de 1992), sem aviso prévio, com escolta policial e um apagão nas comunicações rádio e telefone, é retirado, por via rodoviária, o material circulante estacionado nas estações de Bragança e Macedo de Cavaleiros. A operação, que custou 12 mil contos, foi justificada como necessária “para reparação do material circulante”. Até hoje, os comboios não voltaram a Bragança.

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6 Comentários Feed

transmontana · escreveu em 06-01-2010 às 19:50:22
Realmente só em Trás-os.montes este tipo de situações é possível. Todos comentam e criticam mas a população transmontana não é capaz de tomar acções que realmente dignifiquem a região.
Uma linha ferroviária desactivada sem mais nem porquê, abandonada aos anos e admiram-se que os carris desapareçam?! P.F.
Vias rodoviárias são o que infelizmente se vê.
As obras da auto-estrada já começaram, a ver vamos quando acabam!
Bem, mas não podemos estranhar este tipo de situações, afinal que exemplo dão os nossos representantes!
Temos ou tivemos algum político que lute pela região?
ap · escreveu em 07-01-2010 às 14:32:06
Em Trás-os-Montes as elites locais, divorciadas dos interesses da região, são subservientes ao poder central, do qual estão sempre à espera de receber algumas migalhas por favores prestados. Por isso as vemos hipocritamente caladas em vez de encabeçarem a revolta das gentes locais contra a Refer, CP, EDP, Auto-Estradas de Portugal, MOP, Ministério do Ambiente e todos os que, por omissão ou por conivência, se apropriam ou destroem o património que é de todos nós.
Em Espanha as elites bascas e catalãs sempre sempre encabeçaram a defesa das respectivas regiões e vemos que são as mais ricas do país vizinho, exceptuando Madrid, onde se concentra o poder castelhano.
Concordo com o comentário da Transmontana mas penso que é de realçar o papel público do presidente Silvano, da Câmara Municipal de Mirandela, na defesa da Linha do Tua.
OSerrano · escreveu em 07-01-2010 às 17:53:49
Bravo Transmontana!
A ambição dos nossos políticos já não se contenta por se ficarem pelo Terreiro do Paço!
Querem ser "caseiros de 1ª" e irem para Bruxelas!
E um dia vão reclamar subsídio de reintegração para voltarem a ser transmontanos!
o transmontano · escreveu em 07-02-2010 às 16:35:04
isto que aconteceu podia ter-se evitado!
mas mais cedo ou mais tarde os carris de mirandela/tua vao pelo mesmo caminho!!!

se não tivessem encerado o troço nada disto acontecia.
voltem a abrir a linha do tua
Augusto · escreveu em 23-09-2010 às 20:58:36
É simplesmente revoltante o que se está a passar com o património ferroviário nacional. Não é só falta de cultura e cidadania, é uma imensa falta de respeito, consideração e admiração pelo esforço das gerações que nos antecederam, como também um total desprezo pelas gerações que nos vão suceder considerando que o petróleo barato acabará em breve e com ele o luxo actual do transporte individual privado.
Mauricio Arrais · escreveu em 20-02-2011 às 18:02:51
NÃO DESTRUAM A LINHA DO TUA! È UM PATRIMÒNIO DO ESTADO.O COMBÒIO È O TRANSPORTE DO FUTURO.O COMBÓIO È O TRANSPORTE MAIS SEGURO NO MUNDO.O combóio em Portugal é o segundo mais seguro no Mundo.A nossa bitola de 1,668m dá uma segurança ao combóio em movimento perto de 98%.È segurança máxima,isto com travessas de betão.Renovem a LINHA DO TUA com travessas de betão.Com automotoras mais leves.Os preços dos bilhetes até podem baixar 20 ou 25%.As travessas de betão mais pesadas dão mais estabilidade as automotoras.Se os lucros vão para a E.D.P. ela que baixe a cota da barragem,ou então construa 16km de linha acima do nivel da água.Ou então faça duas estações fluviais,e mande construir dois barcos de dois pisos nos estaleiros de Viana.As linhas do Alentejo onde fui chefe de estação e de combóio,estão todas encerradas,é um dó de alma.Eu cumprimentava do combóio os pastores,com um olá,e os homens da lavoura,bons tempos.Nunca me descarrilou um combóio em vinte e cinco anos.Nunca morreu um passageiro.Agora as estradas são CEMITÈRIOS DE PORTUGAL.Mauricio Arrais.Abrantes 19/2/2011.
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