Página Inicial | Sexta-Feira, 3 de Setembro de 2010

Mirandela // Movimento denuncia destruição da linha do Tua Por: Fernando Pires / Secção: Actual / 06-01-2010 · 4 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo

Foto: Fernando Pires
Carris arrancados e secções da via “atiradas pela encosta abaixo”

Alguém continua a destruir e a furtar carris da Linha do Tua, no troço desactivado, entre Carvalhais (Mirandela) e Bragança. A denúncia parte do Movimento Cívico da Linha do Tua (MCLT) que já deu conta de vários casos concretos à própria Refer e colocou mesmo um vídeo amador no Youtube. Daniel Conde foi avisado que, na aldeia do Romeu, tinha sido visto maquinaria a atirar com uma linha por uma ribanceira. Ao chegar àquela localidade do concelho de Mirandela, constatou um cenário de destruição. “Mal cheguei à aldeia vi aquele entulho todo acumulado em frente à ponte, a passagem de nível destruída, carris retorcidos e montes de terra em cima do canal” conta. Alguns metros à frente, foi possível observar “carris arrancados e outros cortados em pequenos segmentos para depois serem levados” denuncia. Este activista deparou-se ainda com uma grande secção da via “atirada pela encosta abaixo” e no meio do canal havia um furo de prospecção, sendo que a máquina ainda estava nas imediações, e “tudo indica que pode servir para fazer prospecções para a auto-estrada transmontana”, afirma. Alertou a Refer, que garantiu não saber de nada, e o próprio chefe da linha deslocou-se ao local descrito por Daniel Conde, para confirmar a situação. Aquele elemento do MCLT considera que estamos perante um caso de contornos idênticos ao que ficou conhecido como o “Carril Dourado” (alegado furto de carris na linha do Tua) em que esteve envolvida a empresa O2 de Manuel Godinho, detido no âmbito do caso “Face Oculta”. Se nesse caso, envolve uma empresa privada, “agora pode estar em causa a actuação de uma empresa pública”, diz. “Onde é que está a decência de certas pessoas e empresas, neste caso públicas, que tratam a linha do Tua, que é património do Estado, pondo e dispondo de qualquer forma” refere. No entanto, Daniel Conde entende que esta situação também fica a dever-se a “alguma incúria” por parte da Refer ao não encontrar soluções que valorizem este património. A Refer explicou ao Mensageiro que não deu autorização para qualquer tipo de intervenção na linha e que o assunto está a ser alvo de um inquérito para apurar responsabilidades.

Troço desactivado há 18 anos

Os acontecimentos relatados pelo MCLT aconteceram no troço que está desactivado, desde 1991, altura em que encerrou o troço entre Mirandela e Macedo de Cavaleiros, entrando em funcionamento autocarros de substituição para transbordo, deixando o troço (Macedo de Cavaleiros/Bragança) isolado do resto da Linha do Tua. Dez meses depois (14 de Outubro de 1992), sem aviso prévio, com escolta policial e um apagão nas comunicações rádio e telefone, é retirado, por via rodoviária, o material circulante estacionado nas estações de Bragança e Macedo de Cavaleiros. A operação, que custou 12 mil contos, foi justificada como necessária “para reparação do material circulante”. Até hoje, os comboios não voltaram a Bragança.

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4 Comentários Feed

transmontana · escreveu em 06-01-2010 às 19:50:22
Realmente só em Trás-os.montes este tipo de situações é possível. Todos comentam e criticam mas a população transmontana não é capaz de tomar acções que realmente dignifiquem a região.
Uma linha ferroviária desactivada sem mais nem porquê, abandonada aos anos e admiram-se que os carris desapareçam?! P.F.
Vias rodoviárias são o que infelizmente se vê.
As obras da auto-estrada já começaram, a ver vamos quando acabam!
Bem, mas não podemos estranhar este tipo de situações, afinal que exemplo dão os nossos representantes!
Temos ou tivemos algum político que lute pela região?
ap · escreveu em 07-01-2010 às 14:32:06
Em Trás-os-Montes as elites locais, divorciadas dos interesses da região, são subservientes ao poder central, do qual estão sempre à espera de receber algumas migalhas por favores prestados. Por isso as vemos hipocritamente caladas em vez de encabeçarem a revolta das gentes locais contra a Refer, CP, EDP, Auto-Estradas de Portugal, MOP, Ministério do Ambiente e todos os que, por omissão ou por conivência, se apropriam ou destroem o património que é de todos nós.
Em Espanha as elites bascas e catalãs sempre sempre encabeçaram a defesa das respectivas regiões e vemos que são as mais ricas do país vizinho, exceptuando Madrid, onde se concentra o poder castelhano.
Concordo com o comentário da Transmontana mas penso que é de realçar o papel público do presidente Silvano, da Câmara Municipal de Mirandela, na defesa da Linha do Tua.
OSerrano · escreveu em 07-01-2010 às 17:53:49
Bravo Transmontana!
A ambição dos nossos políticos já não se contenta por se ficarem pelo Terreiro do Paço!
Querem ser "caseiros de 1ª" e irem para Bruxelas!
E um dia vão reclamar subsídio de reintegração para voltarem a ser transmontanos!
o transmontano · escreveu em 07-02-2010 às 16:35:04
isto que aconteceu podia ter-se evitado!
mas mais cedo ou mais tarde os carris de mirandela/tua vao pelo mesmo caminho!!!

se não tivessem encerado o troço nada disto acontecia.
voltem a abrir a linha do tua
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