Bragança // Areia das minas “inunda” Portelo Por: / Secção: Actual / 06-01-2010 Imprimir Enviar a um amigo
Prejuízos ambientais, públicos e privados ainda estão por calcular. Autarquia está a averiguar responsabilidadesA aldeia de Portelo, em Bragança, está a ser “inundada” pelas areias das antigas minas de Montesinho. A forte chuva que se fez sentir na última semana arrastou toneladas de areia para os campos agrícolas, fazendo transbordar o leito do rio. A areia das minas é considerada poluente, uma vez que resulta da extracção do volfrâmio. Os prejuízos ainda não foram calculados mas Amândio Costa, presidente da Junta de Freguesia, adianta que estes serão eventualmente ambientais, públicos e também privados. A areia atingiu algumas habitações da aldeia, cobriu os lameiros e hortas e chegou também ao rio. A população teme que o material seja altamente poluente, uma vez que terá componentes como silício e arsénico. As responsabilidades vão agora ser apuradas pelos técnicos da câmara de Bragança, conforme explicou o presidente da Junta local. “Está previsto que venham cá os técnicos da autarquia analisar a situação e que, em conjunto com outras entidades, sejam feitos estudos que permitam averiguar as responsabilidades”. As minas de volfrâmio de Montesinho/Portelo foram desactivadas há 25 anos. A empresa que então explorava o minério ficou responsável pela extracção dos inertes e das areias. Em declarações à imprensa, o autarca brigantino Jorge Nunes avançou que no ano passado solicitou ao Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade que averiguasse se o licenciamento da extracção estaria de acordo com as características da zona e com a nova legislação, mas até ao momento não terá tido qualquer resposta. Os técnicos da autarquia vão agora averiguar se haverá alguma relação entre o trabalho então efectuado pela empresa e o arrastamento das areias. Em 2007, a câmara de Bragança assinou um protocolo com a Empresa de Desenvolvimento Mineiro para a transformação de toda a antiga área mineira de Montesinho/Portelo. O projecto, orçado em mais de 1,7 milhões de euros, abrangia 15 hectares e pretendia transformar aquela área numa zona de turismo. A empresa procedeu aos trabalhos ao nível da inventariação e protecção dos acessos, poços, selagem das chaminés e das galerias das minas. Já a segunda fase do projecto, que previa toda a reabilitação da zona, a limpeza geral do local e do rio, bem como a protecção paisagística, nunca chegou a avançar. Em declarações ao Jornal de Notícias, fonte da Empresa de Desenvolvimento Mineiro adiantou que a segunda fase do projecto não se realizou porque não terá havido entendimento com “a pessoa que explora o areeiro”.

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