Distrito de Vila Real // Batas brancas em protesto Por: / Secção: Actual / 28-01-2010 · 1 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo
Enfermeiros param três dias e guardam momento alto para amanhãNão agradou a proposta de transição da carreira apresentada pelo Governo de José Sócrates para a classe dos enfermeiros. Por isso, desde ontem, estes profissionais estão a garantir somente os serviços mínimos a nível nacional e para amanhã, o último dia de greve, preparam uma manifestação em Lisboa. Na base dos protestos, está a proposta dos recém-licenciados continuarem a receber 1020 euros e, apenas daqui a quatro anos, os enfermeiros saídos das universidades auferirem 1201. Perante isto, há batas brancas em protesto no mais longo protesto das últimas duas décadas. Para o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), os recém-licenciados deveriam ser remunerados com um salário bruto de início da carreira de 1510 euros, à semelhança do que acontece com outros licenciados igualmente em carreiras especiais. No entanto, a proposta do ministério tutelado por Ana Jorge coloca o salário em 1201 euros em 2015 e, até lá, mantém-se nos 1020. A responsável da delegação de Trás-os-Montes do SEP, Paula Pinto, considera esta uma das “propostas aberrantes” que estão a ser feitas pelo actual Governo. “O Ministério está a propor que os enfermeiros agora licenciados entrem na tabela dos bacharéis, o que nunca poderíamos aceitar, porque há dez anos que somos licenciado e ganhamos como bacharéis”, explicou Paula Pinto. A enfermeira assume que esta posição da classe tem como intuito garantir os direitos dos novos profissionais que ingressam no mundo do trabalho, mas também uma forma de pressão para o reconhecimento daqueles que já desempenham funções. “Os enfermeiros que já estão em actividade também querem ver reconvertida na grelha salarial o esforço que fizeram com o tempo de formação para adquirir a licenciatura.” Paula Pinto acrescentou que este cenário não convém ao Governo socialista porque, “na transição para as novas carreiras, não quer dar valorização remuneratória aos enfermeiros que já desempenham funções”. Outro dos aspectos que a classe quer ver alterados é a intenção do Governo, na categoria de enfermeiro principal, apenas querer colocar dez por cento dos profissionais o que, par Paula Pinto, “é um rácio insuficiente tendo em conta o que deve ser o enfermeiro principal e olhando para a estrutura que temos a nível nacional”. Nas suas funções, um enfermeiro principal terá de planear e incrementar acções e métodos de trabalho que visem a melhoria da qualidade dos cuidados, mas também outros pontos como gerir e garantir a aplicação dos padrões de qualidade no serviço ou unidade de cuidados. A greve teve início ontem e estende-se até amanhã, dia 29, com os enfermeiros a reunirem-se nas ruas de Lisboa. Até ao fecho desta edição, não foi possível apurar o número de adesão à greve por parte da classe na nossa região, mas Paula Pinto foi deixando a ideia de que, pelo menos sexta-feira, os profissionais de Trás-os-Montes iriam marcar posição. “Temos conhecimento de um grande número de enfermeiros da região que pretende estar em Lisboa, coisa que não havia nas últimas greves”, sublinhou Paula Pinto.

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