Vila Real // Agricultores descontentes com atrasos Por: / Secção: Actual / 12-03-2010 Imprimir Enviar a um amigo
Candidaturas a subsídios dependem das actualizações do parcelárioMais de duas dezenas de agricultores reuniram-se, no passado dia 9 de Março, em frente ao edifício da Direcção Regional de Agricultura (DRA), em Vila Real, para mostrarem a sua indignação perante as dificuldades impostas pelos serviços daquele organismo na actualização do parcelário. O Centro de Gestão Agrária do Cima Corgo (CGACC), com sede em Vila Real, pretende, tendo em conta estas condicionantes, que as competências sejam delegadas às organizações de agricultores para tornar o serviço mais “rápido e eficiente”. É uma situação que tem vindo a provocar alguns transtornos aos produtores de gado e agricultores que se têm deslocado com frequência à DRA. Sem resultados práticos e com sucessivos aditamentos, os agricultores decidiram concentrar-se com o propósito de conseguirem efectuar as suas marcações. Os registos de parcelários tem de ser actualizado sempre que exista uma alteração no tipo de produção ou que se efectue uma venda de terrenos. “É um documento dinâmico que está em constante mutação”, sublinhou o técnico do CGACC, Nelson Viana. Os problemas para conseguir “alterar” os parcelários têm provocado alguns constrangimentos, pois só com este documento actualizado é que os agricultores têm a possibilidade de “realizar candidaturas a subsídios comunitários e a demais projectos”, frisou. António Fontes, de Alijó, é um dos trabalhadores que se encontra nesta situação. Com marcações apenas para Maio, já vai ficar à tangente para conseguir efectuar a sua candidatura, cujo data limite termina no mesmo mês. “Esta situação é grave, porque queremos ter o manifesto do gado e não aceitam os papéis. Estamos sempre à espera que nos resolvam o assunto, mas nada.” Face a esta situação, Nelson Viana propõe que as competências sejam delegadas às organizações de agricultores, porque estas têm “maior disponibilidade” para resolver este tipo de questões. “A renovação parcelária envolve eficiência técnica e capacidade de resposta, mas isso não está a acontecer”, referiu. Embora confesse que “não está em causa a qualidade dos funcionários”, Nelson Viana avançou que esta seria a solução. “A DRA já abriu mão de algumas salas de parcelários em algumas localidades, por isso não se compreende que esta, tendo os mesmos problemas que as já extintas, continue aberta.” Exemplos de locais já com serviços delegados são Miranda do Douro, Vinhais e Vila Pouca de Aguiar. Para José Teixeira, de Torre do Pinhão, Sabrosa, além de ter de enfrentar os problemas na marcação de alteração do parcelário, o que vai impossibilitar a elaboração da sua candidatura a fundos comunitários, confronta-se, actualmente, com o problema do porco bravo. “Eles destroem tudo”, frisou, adiantando ainda que “não consegue vender o seu produto”. “Em 1982, havia 42 juntas de gado, hoje há lá seis cabeças de vacas e, daqui a pouco temos de desistir delas. Não temos protecção”, acusou, assegurando que só quer que o deixem “vender e valorizar o produto”.


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