Página Inicial | Domingo, 5 de Fevereiro de 2012

Mirandela // Salários em atraso motivam protesto Por: Fernando Pires / Secção: Actual / 20-08-2010 Imprimir Enviar a um amigo

Trabalhadores de matadouro do Cachão recusam fazer abate de animais

A unidade de abate esteve parada, na passada segunda-feira, devido ao protesto dos trabalhadores contra o atraso no pagamento dos salários do mês de Julho e a ausência de explicações. Apesar de envergarem o vestuário habitual que utilizam naquela unidade decidiram não proceder ao abate das mais de duas centenas de animais (bovinos, ovinos, caprinos, porcos e leitões) que estavam marcados para o primeiro dia da semana. Depois de vários atrasos pontuais no pagamento dos ordenados, nos últimos meses, os trabalhadores da unidade de abate começam a ficar preocupados com a falta de explicações da administração para o atraso nos salários referentes ao mês de Julho. “Estamos descontentes porque não recebemos o dinheiro para sustentar as nossas famílias e ninguém diz nada sobre este atraso”, afirma Henrique Afonso, porta-voz dos trabalhadores. Depois de avisarem a administração, na semana passada, que estavam prontos para tomar medidas drásticas, a situação não foi regularizada. “Viemos para trabalhar, vestimos as fardas, mas todos decidiram não efectuar os abates, diz Henrique Afonso lamentando o facto de ninguém da administração aparecer para dar explicações. “Sempre demos tudo por este matadouro e gostaríamos de ver esta situação resolvida”, acrescenta. O administrador delegado da Agro-Industrial do Nordeste (AIN), responsável pela gestão do matadouro do Cachão, confirma o atraso no pagamento dos salários do mês de Julho. “Tivemos algumas dificuldades devido às férias e problemas de tesouraria, mas dentro de dois ou três dias vamos pagar os vencimentos”, assegura António Mendonça que considera ter sido uma decisão “demasiado radical” dos trabalhadores. “Sempre receberam a tempo e horas e até já pagamos os subsídios de férias, e tomaram esta atitude”, lamenta. Admite que a situação financeira “é delicada”, dado que o matadouro tem vindo a apresentar resultados negativos. “Não temos abates suficientes para pagar as despesas com o pessoal”, afirma. Esta situação acontece devido à crescente diminuição da actividade, provocada pelo aumento do consumo na região de carne importada, nomeadamente de Espanha, da instalação de grandes superfícies comerciais na zona que se abastecem a partir de centrais de compras em detrimento do mercado regional, mas “sobretudo porque entraram em funcionamento novas unidades de abate em Vinhais, Bragança e Miranda do Douro, quando o matadouro do Cachão foi construído com o intuito de abastecer toda a região transmontana”, explica. A administração diz estar a encetar negociações com um privado para entregar a gestão e funcionamento da unidade de abate. No entanto, foram feitas algumas exigências financeiras que “estão a ser dificultadas pela crise da banca e da economia em geral”, revela António Mendonça. Caso estas negociações falhem, o administrador da AIN admite o cenário de encerramento do matadouro, apesar de ressalvar que “será sempre a último caminho a enveredar”, garante.

Empresa Intermunicipal faz a gestão

A AIN tem o capital social repartido pelas câmaras de Mirandela e Vila Flor e adquiriu o matadouro, por 400 mil euros, há quatro anos, à PEC Nordeste, depois do aval do Governo que só foi possível porque o Estado tem vindo a sair do sector das carnes e decidiu privatizar as quatro empresas PEC que existiam no país. No entanto, a intenção era realizar um investimento de 700 mil euros para modernizar o matadouro e a criação de uma empresa de salsicharia, mas os projectos não foram avante por falta de apoio do QREN, tendo em conta que a empresa tem a maioria de capitais públicos. Perante este obstáculo, a administração está a encetar negociações com um privado para entregar a gestão e funcionamento daquela estrutura. A unidade de abate de animais ovinos, caprinos, suínos é também a única no país, desde Agosto de 2001, autorizada para exportação de carne bovina, depois da interdição decretada pela União Europeia, em Novembro de 1998, devido à elevada incidência de BSE.

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