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Carção – Vimioso // Preservar e valorizar as tradições da aldeia Por: Ana Preto / Secção: Cultura / 09-09-2010 · 2 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo

Foto: Ana Preto Sessão de apresentação das publicações, que contou com a presença do Bispo da Diocese, D. António Montes, vários convidados e muita da população da aldeia
Associação Almocreve promoveu o lançamento de livros e CDs

Com o objectivo de promover e divulgar a história e a tradição da aldeia, bem como a produção literária das suas gentes, a Associação Cultural dos Almocreves de Carção, em colaboração com o município de Vimioso, a Junta de Freguesia e Comissão de Festas de Nossa Senhora das Graças, entre outras entidades, promoveu o lançamento de três livros e dois CDs, no âmbito das festividades da Padroeira de Carção, que decorrem no último fim-de-semana de Agosto.

“O nosso grande objectivo com estes livros é preservar a nossa história, o nosso passado. Carção tem muita história mas até há três ou quatro anos atrás não existia praticamente nada publicado. Essas obras que temos vindo a publicar são um registo que fica para os vindouros”, explicou Paulo Lopes, presidente da Associação Almocreve.

Os dois CDs resultaram de gravações de canções tradicionais por pessoas da aldeia que ainda as recordam e foram incluídos na última edição da Revista Almocreve. A gravação foi feita pela Sons da Terra. “Fizemos uma inventariação de mais de 40 canções, não estão todas, no próximo ano iremos continuar”, explicou Paulo Lopes referindo que muitas destas canções fazem parte do repertório da música tradicional de muitas aldeias da região que se está a perder por completo.

Um dos livros editados, “Destinos Jogados em Vidas a Salto”, de Francisco da Costa Andrade, que contou também com o apoio da Delegação regional de Cultura do Norte, incide sobre a temática da emigração na década de 60.

Segundo o autor, as histórias que apresenta no livro são verídicas, embora tenha colocado nomes fictícios em algumas das personagens, para dificultar a identificação, sobretudo porque algumas são histórias duras de morte e traição. “As pessoas jogavam a sua vida e houve mortes, tiros roubos, abandonos, pessoas jogadas como gado no meio das paisagens depois de lhes apanharem o dinheiro”, referiu Francisco da Costa Andrade.

Já a jovem Sara Afonso, que editou o seu segundo livro de poesia, sob o título “Ver-me nos Teus Olhos”, referiu que a sua publicação fala sobretudo sobre o amor e a amizade entre as pessoas. A jovem que vive na aldeia que muito estima continua a escrever nos tempos livres e ficou extremamente agradada com a recepção que a sua poesia causou.

Festividades de Nossa Senhora das Graças em livro

O livro “Senhora das Graças, a Santa e Padroeira de Carção” é o único escrito por um não natural da aldeia. Luís Vale, antropólogo que já havia publicado um livro sobre a romaria de Nossa Senhora da Serra, em Bragança, foi convidado pela Associação dos Almocreves a abordar temática das Festividades em honra de Nossa Senhora das graças, padroeira da aldeia.

Segundo Paulo Lopes esta festa, que não é uma romaria, é feita apenas pelas pessoas da aldeia, tem uma importância muito grande em Carção e era importante conhecer melhor essa festividade bem como deixar um registo dessa importância local.

Para o Luís Vale, o que mais impressiona é a dimensão da própria festa nos seus vários aspectos, nomeadamente ao nível da fé da comunidade pela sua Santa e Padroeira e ao nível da dedicação que é colocada na organização das festividades.

Outro aspecto importante é o facto de todas as pessoas de Carção, ou com origens na aldeia, mesmo as que fazem vida em diferentes lugares de Portugal e do estrangeiro, procurarem nunca faltar a estes dias de convívio e união comunitária. “Todos eles depositam na sua Santa o acumular das suas sensibilidades, das suas emoções e a dimensão do ritual assume uma grandiosidade difícil de encontrar, principalmente numa região como Trás-os-Montes”, sublinhou Luís Vale.

O livro faz também um enquadramento histórico do culto Mariano e das festividades em honra de Nossa Senhora das Graças, cuja invocação surgiu a partir das aparições de Nossa Senhora em Paris, em 1830, a Catarina Labouré. O culto disseminou-se por Portugal na décadas seguintes e terá chegado a Carção, segundo a tradição local, em 1869.

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2 Comentários Feed

maria rodrigues · escreveu em 22-09-2010 às 17:14:37
"Das diferenças nasce a verdade dos factos; todos, é que sabemos tudo".
Alguém proferiu esta expressão, com a qual estou completamente de acordo.
Quanto mais ideias, quanto mais livros se escreverem, mais se preserva o riquíssimo património cultural de Carção. Nesse aspecto,esta secular aldeia tem efectivamente, avançado a passos de gigane.quer sejam obras simples ou mais aprofundadas.Todas elas contêm vivências memórias dos autores, memórias que o tempo não conseguiu apagar, ditadas pelo coração, e regadas com a saudade!....
Todos merecem o nosso aplauso, a nossa gratidão, tal com merece especial destaque, pelo excelente serviço a Revista Almocreve, repositório por excelência da Cultura carçonense.
Ninguém melhor que os próprios fala da sua terra!...
maria rodrigues · escreveu em 22-09-2010 às 17:16:53
"Das diferenças nasce a verdade dos factos; todos, é que sabemos tudo".
Alguém proferiu esta expressão, com a qual estou completamente de acordo.
Quanto mais ideias, quanto mais livros se escreverem, mais se preserva o riquíssimo património cultural de Carção. Nesse aspecto,esta secular aldeia tem efectivamente, avançado a passos de gigante,quer sejam obras simples ou mais aprofundadas.Todas elas contêm vivências memórias dos autores, memórias que o tempo não conseguiu apagar, ditadas pelo coração, e regadas com a saudade!....
Todos merecem o nosso aplauso, a nossa gratidão, tal com merece especial destaque, pelo excelente serviço a Revista Almocreve, repositório por excelência da Cultura carçonense.
Ninguém melhor que os próprios fala da sua terra!...
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