Bragança // IPB quer “oficializar” luta tradicional do Nordeste Por: / Secção: Actual / 23-04-2008 · 10 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo
A “Galhofa” foi introduzida no currículo escolar do curso de Desporto e está a ser alvo de regulamentação com o objectivo de ser transformada numa modalidade desportivaO Instituto Politécnico de Bragança (IPB) introduziu, este ano, a “Galhofa”, um jogo tradicional transmontano, como disciplina de desporto de combate, no âmbito do currículos escolares dos cursos de Ciências do Desporto.
O projecto é do professor José Bragada e conta com a colaboração dos alunos de Desporto e de Educação Física do IPB. A intenção é oficializar este jogo como um desporto de combate, uma vez que é a única luta corpo a corpo com origens portuguesas.
A “Galhofa”, refere José Bragada, natural de Grijó, é um um fenómeno cultural e desportivo único no nosso país, que tem persistido ao longo de décadas, em algumas aldeias do concelho de Bragança, nomeadamente em Grijó, Parada, Freixedelo, Coelhoso, Paredes e Carocedo, por altura do Natal, integrado nas Festas dedicadas ao Santo Estêvão. Esta forma de luta típica e exclusiva, praticamente em desaparecimento, tem-se mantido sem qualquer regulamentação ou sistematização ao longo do tempo. As regras e as técnicas passaram de geração em geração pela oralidade e pela prática.
Embora esteja em vias de desaparecimento, José Bragada,contou ao Mensageiro que ainda no ano passado, no dia 28 de Dezembro, se realizou, num palheiro,na aldeia de Parada, como era tradição. Restrito tradicionalmente aos homens, este jogo de luta tem como objectivo colocar o adversário com as costas e ombros assente no chão e era visto como uma espécie de “rito de passagem” dos jovens à fase adulta.
Embora não haja muitos registos históricos que relatem como é que a “Galhofa” terá aparecido no Nordeste Transmontano, é certo que esta é a única luta com raízes portuguesas e, por isso, José Bragada considera que é necessário actualizar este jogo para que ele não se perca.
“Na minha opinião, o sucesso dos jogos orientais está na sua adaptação às necessidades actuais”, apontou o responsável.
Para já, a “Galhofa” foi introduzida na disciplina de Desportos de Combate e possibilita a participação de raparigas. A regra é jogar descalço, com camisolas justas, “que não permitam que o adversário agarre”, e calças de ganga, ou calças de outro material resistente. Qualquer gesto violento, como puxões, murros ou pontapés, são interditos e tudo se inicia e finaliza com um abraço de cordialidade.
“No fundo é uma brincadeira de crianças transformada numa luta de adultos cujo objectivo consiste em deixar o adversário com os ombros e costas no chão”, afirmou. Mas a ideia é revitalizar esta antiga luta para poder proporcionar à actual juventude “a prática de uma actividade desportiva que, para além de cumprir com a função social inerente a qualquer desporto, possa ser motivo de orgulho, por estarem a homenagear os seus antepassados: homens que, na sua simplicidade e rusticidade, encontraram neste jogo o sentido lúdico, de lazer e de competição, sãos e fraternos essenciais à vida em comunidade”.
A justificar, o professor assinala que, “embora, aparentemente, agressiva, esta actividade desportiva não tem provocado qualquer lesão nos seus alunos, decorridas mais de 15 horas de aulas. E, pela sua apreciação, a imagem que fica é que os alunos “participam, empenham-se, divertem-se e até querem ficar para além da hora”.
Regulamento em fase de preparação
Agilidade, força e sobretudo criatividade são os elementos chave que ditam o sucesso de quem pratica a “Galhofa”. Por isso, na hora de iniciar uma luta é necessário ter em conta o peso do adversário, já que uma grande diferença pode favorecer exageradamente o mais pesado. Para já está a ser desenvolvido um regulamento que integrará diferentes escalões de competição, como acontece com outras modalidades. Também as técnicas de jogo têm vindo a ser registadas e compiladas pelo professor ao longo das aulas. Algumas surgem naturalmente, já outras fazem parte da lembrança de José Bragada, um antigo praticante do tradicional jogo. Acima de tudo, como afirmou, é preciso usar a criatividade e pensar. “Quando o adversário nos agarra temos de pensar qual a melhor forma de escapar, como conseguiremos dominá-lo. Isso vai surgindo, de forma dinâmica, pela observação do contexto. Não há técnicas decoradas”, explicou, sublinhando a diferença desta luta transmontana para com as lutas orientais.
Projectos futuros
Se do lado dos alunos já foram ganhos adeptos, agora o objectivo de José Bragada passa por dar a conhecer a “Galhofa” a toda a comunidade. Para além do regulamento, o professor tenciona elaborar, conjuntamente com os alunos, um símbolo dedicado à luta. Outra das propostas a concretizar até ao final do ano é a elaboração de um site na Internet. Depois, no dia 7 de Junho, no Dia do Desporto, patrocinado pela autarquia municipal, será realizado, no Ginásio da Escola Superior de Educação, o primeiro torneio de “Galhofa” aberto a toda a comunidade, no qual participarão os alunos e alguns “lutadores” das aldeias que ainda hoje mantêm a tradição. Posteriormente, a “Galhofa” será divulgada nas escolas, junto das crianças, nas aulas de Educação Física ou no Desporto Escolar, de forma a fomentar a prática da modalidade. Caso haja adesão por parte dos mais jovens, José Bragada tenciona ainda criar um Clube da Galhofa e permitir que toda a comunidade possa praticar esta luta nas instalações do IPB, uma ou duas vezes por semana. As expectativas do responsável são, a longo prazo, a transformação da “Galhofa” numa actividade desportiva que possa concorrer com o judo, o karaté ou outras modalidades de desportos de combate que são actualmente, muito atractivas para a juventude mas que “não têm a riqueza desta, que é original da região”, frisou.
José Bragada “à lupa”
Professor adjunto do Departamento de Desporto e Educação Física na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Bragança. Publicou já vários artigos em revistas da especialidade, entre outras, e comunicações em vários congressos. Tem publicado ainda um livro dedicado aos “Jogos Tradicionais e o desenvolvimento das capacidades motoras na escola”, edição do Centro de Estudos e Formação Desportiva da Secretaria de Estado da Juventude e Desporto. José Bragada é licenciado pela Universidade do Porto em Educação Física, mestre em Ciências do Desporto, desporto para crianças e jovens, e doutorado em Ciências do Desporto, na área do treino desportivo. Das disciplinas leccionadas destaque para as aulas de atletismo, treino desportivo e galhofa.
Como nasceu o projecto
A ideia de transformar a “Galhofa” num desporto de combate reconhecido a nível nacional surgiu no ano passado, no âmbito do 1º Congresso Cientifico de Artes Marciais e Desportos de Combate, em Viseu. Ao longo de dois dias, vários profissionais do desporto debateram diferentes desportos de combate e artes marciais, chegando-se à conclusão que existem apenas três modalidades originalmente portuguesas: o jogo do pau; a esgrima lusitana; e a galhofa. Das três, a única que consiste numa luta corpo a corpo é a galhofa transmontana. José Bragada, sendo natural da aldeia de Grijó, onde este jogo era tradição, quis começar um trabalho de defesa e adaptação da “Galhofa” aos tempos modernos começando por introduzir a modalidade numa disciplina de Desportos de Combate a par com o oriental Karaté. Com uma adesão positiva por parte dos alunos, a ideia fortaleceu-se e deu-se início a um processo de regulamentação que visa oficializar a Galhofa como actividade desportiva.
“Galhofa” – o resquício da antiga luta greco-romana
A “Galhofa” é uma luta que não se sabe bem como terá surgido, mas acredita-se que seja um resquício da antiga luta greco-romana, com muitas semelhanças à luta leonesa, da região de León, em Espanha. Realizava-se apenas na altura do Natal, inserida nas Festas de Santo Estêvão e apenas era permitida aos homens. Após as festividades religiosas, um grupo de homens da aldeia reunia-se num curral, com o chão coberto de palha, e os adversários, em tronco nu, apenas vestindo umas calças velhas, lutavam até que um caísse de costas no chão. Quem participava nestes torneios era visto como “Homem”, pelo que esta luta poderá estar associada a um rito de passagem para a vida adulta. Naquela época, a realização de torneios inter-comunidades, aldeias de ambiente social muito fechado, assumiam uma importância relevante. Aos vencedores era dado um protagonismo semelhante ao do padre ou do professor e a possibilidade de uma afirmação social que, de outra forma, provavelmente nunca alcançariam. Para além disso, as batalhas entre as aldeias, simuladas nos jogos, acabavam, também, por ser um “escape para a agressividade”, elevada tensão e rivalidade existente entre algumas comunidades. Motivos que, assim expostos, podem, na opinião de José Bragada, justificar a adaptação e revitalização desta antiga luta, como se fez, atempadamente, em Espanha. O responsável apontou que a luta leonesa sobreviveu até aos dias de hoje porque se adaptou aos tempos que correm, existindo mesmo uma Federação com regulamentos e regras próprias feitas cumprir por árbitros com formação para tal.


10 Comentários
Uma abraçar muito grande para todos os que luta pela recuperação das tradições, e em especial ao professor Bragada.
contact for tradicional wrestling.
I'm French (français) in Baiona (Bayonne) France.
Bernard.cabos@orange.fr
Eu expliquo-me : a ESGRIMA LUSITANA é o arte marcial portugues com pau longo ou curto :
1/ JOGO DO PAU : é a forma original da esgrima lusitana , praticada dantes essencialemente em meios rurais , no Norte de Portugal ,
é praticada com um pau longo de 120cm a 155cm e maniado com as duas maos !
2/ BASTAO DE COMBATE : é uma forma de jogo do pau , mais adaptada a meios urbanos ,
é praticada com um pau curto de 60cm a 80cm e maniado a uma mao !
Espero mesmo que a LUTA GALHOFA
vai se tornar em uma luta desportiva , popular e reconhecida !
pesquitar na internet : exemplo : artdo , mestre Victor Duarte
1/ LUTA GALHOFA (professor José Bragada).
2/ ESGRIMA LUSITANA : Jogo do pau (pau comprido) - bastao de combate (pau curto) , (mestre Nuno Russo).
3/ POMBO ou LUTA LUSITANA (mestre José Da silva).
4/ CONTATO TOTAL MILITAR ou CONTATO TOTAL PORTUGUES (mestre fundador Adriano Silva).
5/ ARTDO (mestre fundador victor Duarte).
6/ JINHA KENPO (mestre fundador Jorge soares Jinha).
7/ ALEX RYU JITSU (mestre fundador Alexandre Carvalho).
( 8/ KUNG DO TE (o mestre fundador era portugués) ???
ps: Eu vos convido a pesquitar ( nome da forma de combate + o nome do seu mestre ) ,
para vocés se fazerem ,
uma melhor ideia da cada estas 7(ou 8) formas de combate portuguesas e poderem julgar " do sério e do valor " de cada uma delas !
o seu présidente e mestre actual em Portugal , é o mestre José Marques (nao fundador desta arte marcial)
9/ T.D.C.U (tecnicas de defesa e combate urbano) , fundador Joao Botelho .
9/ T.D.C.U ( tecnicas de defesa e combate urbano ) , mestre fundador Joao Botelho .