Página Inicial | Quarta-Feira, 22 de Fevereiro de 2012

Bragança // Porque “nunca é tarde demais para aprender” Por: Ana Preto / Secção: O Olhar / 19-01-2012 Imprimir Enviar a um amigo

Centro de Ciência Viva recebe, normalmente, visitas de crianças e jovens, mas, em Outubro do ano passado lançou uma iniciativa destinada aos maiores de 60 anos, designada “60+ciência”

Em torno de uma mesa, pessoas com mais de 60, a maioria provenientes da Santa Casa da Misericórdia de Bragança, outras inscritas na actividade a título individual, assistem e participam em experiências científicas, ficam a conhecer processos mais ou menos fáceis de compreender, alguns dos quais já conheciam, empiricamente, sem saberem qual a ciência que está por trás do seu desenrolar. No passado dia 12, a quinta oficina promovida para os seniores designava-se “A cozinha é um laboratório”. Segundo Ivone Fachada, coordenadora do Centro Ciência Viva de Bragança, esta é das actividades que cria mais interesse junto do público alvo. “Revisitamos muito este tema porque é um tema que lhes é muito familiar”, referiu. Ao fundo, três idosos, duas senhoras e um homem, amassam pão em pequenos recipientes. As senhoras mostram que conhecem bem a ciência de amassar. Durante a vida, dizem, cozeram pão muitas vezes. Esta experiência é para explicar, não a amassar e cozer pão, mas o processo químico que permite fazer um dos alimentos fundamentais da dieta transmontana, ou portuguesa. “Nestas sessões, todos têm uma opinião a dar. Já todos cozinharam ou sabem alguma coisa do conhecimento empírico. Esse conhecimento vem dar razão ao conhecimento científico. É muito interessante ver que as pessoas, muitas vezes, sabem as coisas e não sabem o porquê. Aqui as pessoas apresentam todo o seu saber e ficam a saber também o porquê”, acrescentou Ivone Fachada. Depois de a massa ter sido colocada a repousar, para que o fermento fizesse a sua função, o processo foi explicado. A fermentação deve-se à libertação de dióxido de carbono, presente nos açucares da farinha. Para verificarem, de uma forma mais concreta, que é a libertação de um gás o que permite o crescimento da massa, faz-se uma experiência dentro de uma garrafa, em que é colocado fermento, açúcar (para simular os açucares da farinha) e água. No final, como tampa, é colocado um balão. Os idosos puderam ver como, passado algum tempo, o balão que estava vazio, encheu ligeiramente com o gás libertado. Também aprenderam a fazer suspiros, no micro-ondas, juntado claras de ovo e açúcar. No final, quem não tinha diabetes, pode provar e comprovar esta ciência. Também a massa do pão, depois de fermentada, foi cozida e dada a dada a provar, com doce de marmelo.

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