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Entrevista // Moral em alta Por: Alberto Pais / Secção: Igreja / 27-06-2008 · 1 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo

No final de mais um ano lectivo, o P. José Carlos Martins, responsável de E.M.R.C de Bragança-Miranda, fala do sucesso e preocupações da disciplina

Mensageiro Notícias: No final deste ano lectivo, qual o balanço das aulas de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) na diocese de Bragança?

P. José Carlos: Em termos globais, o balanço é positivo. Houve empenhamento dos professores de E.M.R.C no cumprimento dos conteúdos programáticos e demais objectivos inicialmente definidos e propostos. Da parte da comunidade educativa, em geral, houve também uma forte adesão às propostas da disciplina no que concerne ao contributo para o crescimento humano e espiritual dos adolescentes e jovens que acharam por bem matricular-se. Isto deixa-nos satisfeitos e com vontade de redobrar esforços no sentido de continuarmos a desenvolver este propósito. Da parte dos Conselhos Executivos, também temos encontrado, de forma crescente, uma colaboração muito aceitável, pois começam a dar-se conta que a E.M.R.C é uma mais valia a não desperdiçar no que diz respeito ao desenvolvimento das mais variadas actividades que se desenvolvem nos Agrupamentos de Escolas e no contributo para o enriquecimento dos jovens, sobretudo na sua componente moral, humana e axiológica. Por fim, quanto aos alunos, os principais destinatários da nossa acção pedagógica e educativa, sentimos com satisfação um crescente interesse e motivação.

MN: Como vê a actual situação da disciplina?

P.JC: Com preocupação! Se da parte das comunidades educativas (pais e encarregados de educação e demais parceiros) há uma valorização da disciplina, verificada no constante aumento de matrículas (sobretudo ao nível do 2º e 3º ciclos), a nível do poder central continuamos a sentir, no terreno, algumas dificuldades, sobretudo a nível de legislação existente. Esta, muitas vezes, não é cumprida e a que se vai publicando acaba por contrariar a existente. Esta legislação acaba por objectar e contrariar as aspirações da comunidade educativa e do Secretariado Diocesano, dificultando o objectivo antes de contribuir para o crescimento integral dos adolescentes e dos jovens. Mas há que ter esperança no futuro, pois, a meu ver, o Estado são as pessoas (comunidades educativas) e não os governos.

MN: Os alunos que não estão inscritos têm que ter uma componente de substituição a EMRC?

P.JC: A lei é muito clara quando refere que os horários dos alunos não deverão ter «furos» e quando, por qualquer motivo, os docentes têm que faltar, esse espaço deve ser preenchido com uma actividade lectiva e/ou pedagógica. Ora, isto se aplica-se aos alunos em termos gerais, inclusive àqueles que não estão matriculados em E.M.R.C, ou de outras confissões. Aqui, o que se pretende é que os alunos estejam ocupados em actividades que os façam crescer e não se privilegie a ociosidade, um princípio que pode levar a outros vícios.

MN: Qual a principal preocupação dos secretariados face às reformas na educação e concretamente do que diz respeito a EMRC?

P.JC: Não falaria em preocupação, mas em desafio. Creio que o esforço que está a ser feito na reformulação dos conteúdos programáticos é verdadeiramente um desafio a ter em conta. Os novos programas que entrarão em vigor já no próximo ano lectivo, nos primeiro, quinto e sétimo anos, sobretudo, privilegiam a interdisciplinaridade e estão mais atentos às preocupações hodiernas das crianças, adolescentes e jovens a quem particularmente se dirigem. Vamos ver como serão aceites e tentar tirar o maior partido deles, sempre com a preocupação crescente de corresponder aos seus anseios e de contribuir para o seu crescimento integral.

MN: Não teme que, aos poucos, a Educação Moral seja extinta das escolas?

P.JC: Não. Temos que ser optimistas. As comunidades educativas não deixarão que isso aconteça, pois serão elas as primeiras a reclamar, exigir e valorizar a importância que a disciplina no contexto de vários currículos propostos desde o básico ao secundário no que concerne ao seu contributo para o crescimento integral dos futuros homens e mulheres deste país. A disciplina está em condições de contribuir para uma formação humana muito completa e espiritual sólida para aqueles que professam a nossa religião e, como temos sentido ecuménico, para aqueles que professam outra ou mesmo nenhuma.

MN: Qual a principal aposta do Secretariado Diocesano para o próximo ano lectivo?

P.JC: Não diria no próximo, mas sim para os próximos. Vai em dois sentidos: uma sempre e mais atenta atenção aos alunos que se matriculam, no sentido de não defraudar as suas expectativas, e uma atenção mais cuidada no que concerne à formação específica do pessoal docente. Só com um corpo docente bem qualificado é que estaremos em condições de puder corresponder às, cada vez mais, exigentes propostas educativas que temos em mente desenvolver, indo também ao encontro dos desafios que os novos tempos nos vêm propondo. Queremos dar respostas válidas, rasgar horizontes plenos de verdade e ajudar a dar motivações de esperança.

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1 Comentário Feed

Serafim Falcão · escreveu em 04-07-2008 às 23:41:27
Tudo muito “em geral”; diplomático. Concluí que a Moral não está assim tão alta...Vão à EMRC os 1º. E 2º. Ciclos. E por que não os anos seguintes? Quais as causas? Isto é que eu precisava de saber. Acontece o mesmo com a Primeira Comunhão. Aqui acabou a catequese, a participação e a actividade cristãs, comunitárias. Onde estão as crianças e os seus no domingo seguinte?... .
E se essa Disciplina se chamasse e fosse “Aula de Formação Humana ou de Relações Humanas, obrigatória, em cujo programa constassem também as diversas religiões, podendo os respectivos praticantes organizar-se na cultura e no prática da sua Religião, na convivência e tolerância entre todas.
É que quem é PESSOA, se aderir a uma Religião será um bom praticante e tolerante para com as outras e não vice-versa. Evidentemente que tais Professores teriam de ser bem seleccionados e, previamente, para tal preparados, a longo prazo.
Foi Paulo VI quem me inspirou: “Homens, sede Homens,” disse ele em Fátima.

Serafim Falcão
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