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Bragança // Milhares na Srª da Serra Por: Carla A. Gonçalves / Secção: Actual / 12-09-2008 · 3 comentário(s) Imprimir Enviar a um amigo

Foto: Carla A. Gonçalves Milhares de pessoas continuam a ir à Srª da Serra
Santuário vai sofrer obras de melhoramento e receber uma Pousada de apoio aos fiéis

O santuário de Nossa Senhora da Serra, em Bragança, vai ter mais um novo espaço para acolher os fiéis que, todos os anos, ali se deslocam. A novidade foi avançada nesta segunda-feira, o último dia das novenas religiosas, pelo padre José Bento. A Confraria do Santuário pretende criar no local uma Pousada de apoio às pessoas que coordenam e ajudam nas celebrações. Mas a Pousada não terá apenas a função de “dormitório”, servirá também para outras actividades que ainda se fazem dentro do tempo e que, muitas vezes, “não permitem que haja o silêncio necessário ao recolhimento e à oração”. Para o ano serão ainda realizados mais arranjos exteriores que têm como finalidade tornar aquele local num sítio de “muita serenidade e paz”, “para que as pessoas que aqui estejam possam dedicar-se exclusivamente à oração e ao encontro com Deus”. Este ano, como já é tradição, milhares de pessoas acorreram ao santuário para rezar e reforçar a fé. Ao longo de dez dias de novena, que culminaram, no dia 8 de Setembro, com a procissão em honra de Nossa Senhora, receberam o sacramento da reconciliação mais de duas mil pessoas e comungaram cerca de oito mil. O P. José Bento confirmou mesmo que o penúltimo dia, domingo, foi aquele em que mais gente acorreu ao local. “Estou cá há três anos e nunca tinha visto tanta gente”, confessou. Da mesma opinião foi o Bispo D. António Montes Moreira. Presente no último dia, no “adeus” simbólico a Nossa Senhora da Serra, comparou a celebração à peregrinação de Fátima, na qual esteve nos dias anteriores. “Estive em Fátima nos últimos dias e a celebração aqui neste local foi como que uma continuação de Fátima”. Conforme apontou, em declarações ao Mensageiro, mais de duas mil pessoas participaram, ao longo de toda a semana, no “intensivo” programa religioso, numa afluência que acredita ser “rara” em todo o país. “Este evento é um dos acontecimentos religiosos, cívicos e culturais mais importantes da Diocese de Bragança-Miranda, particularmente na área norte”, sublinhou. Ao longo de nove dias, as pessoas abandonam os seus trabalhos, enquanto outros pedem férias, para permanecer no retiro, na serra. Aqui existem algumas infra-estruturas, a que os populares chamam “quartéis”, e que servem de quarto aos peregrinos que vêm a pé e a outros. “É uma manifestação popular religiosa que é autêntica e que merece ser preservada e desenvolvida”.

A caminho da conversão

O que move tantos milhares ao Santuário de Nossa Senhora da Serra é somente a fé e o caminho para a conversão. Conforme explicou o P. José Bento, “as pessoas olham para a figura de Maria como exemplo e guia para chegar a Jesus” e, ao longo dos dez dias, participam nos momentos de oração e reflexão sempre tendo em vista o encontro com Deus. Por isso, este ano, num gesto simbólico, as pessoas puderam tocar fisicamente a imagem de Nossa Senhora. “Este gesto vai mais um pouco ao encontro daquilo que as pessoas pretendem na sua religiosidade popular e na sua fé cristã”, explicou o P. José Bento. Entre os milhares de pessoas que ali estiveram, o Mensageiro ouviu alguns fiéis que dizem lembrar-se “desde sempre” de participar. É o caso de José Gonçalves. Natural da aldeia de Rebordãos, a 12 quilómetros do santuário, recordou que, em outros tempos, chegou a ir a pé, subindo serra acima pela ladeira à qual chamavam “cansa burros”. Nunca o fez por “promessa”, mas somente pela fé em Nossa Senhora da Serra, fé essa que diz ter “herdado” dos pais. “Os meus pais têm aqui quarto fixo há 30 anos e eu há oito”, contou. Já Manuel Luís, natural de Santa Maria, em Bragança, é outros dos que participa “sempre” nas novenas. Enquanto esteve emigrado na Alemanha, conta que tirou férias sempre por esta altura do ano para poder estar presente no retiro. A fé e o amor que diz ter pela Srª da Serra transmitiu-o também à esposa, Isilda Gonçalves. Natural de Espinho, Isilda visita Bragança por esta altura desde há 30 anos. “Desde que casei que venho aqui e tenciono continuar a vir, pois tenho muita fé na Srª da Serra”. Para quem regressa, após alguns anos de afastamento, o sentimento é idêntico. Manuel Teixeira, natural da aldeia de Montesinho, contou estar “surpreendido” com a evolução do local. “Antigamente era só poeira e não havia lugares para estacionar”. Satisfeito com a melhoria das condições, Manuel Teixeira confirmou que tenciona também voltar no próximo ano. “Só vim no último dia, mas para o ano tenciono voltar”. Por motivos diferentes acorrerem também ao local alguns comerciantes que ali fazem negócio durante 10 dias. Artesanato local, fruta da época, artigos em ouro e prata, marroquinaria são alguns dos artigos que ali se podem comprar. Ir à Srª da Serra é, no entanto, também para os comerciantes, uma questão de fé e tradição. “Já aqui venho há muitos anos, é tradição. Por um lado, tenho fé na Srª da Serra, por outro, vem aqui muita gente e é também uma oportunidade de negócio”. De lenços brancos nas mãos, olhos rasados de lágrimas, os milhares de fiéis que estiveram no “adeus” à Srª da Serra prometeram voltar e recordar, ao longo do ano, toda a experiência de fé ali vivida, a nível comunitário e pessoal.

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3 Comentários Feed

Luísa do Céu Rodrigues · escreveu em 27-09-2008 às 19:29:06
Linda essa Procissão e a Imagem!
carlos · escreveu em 01-02-2010 às 12:53:16
è um dos locais que mais saudades me trazem da minha infancia e da minha juventude. fui peregrino assídua durante 40 anos ainda sou do tempo dos quartéis É um lugar fantástico era lá que passava os nove dias das novenas que erm para mim na altura as minhas férias do Verão.qualquer melhora que ali se faça é sempre bom ,mas não acabem com o original
Manuel · escreveu em 14-12-2011 às 15:11:10
Sempre que olho para aquela serra sinto a maior das emoções. Passei lá as férias da minha infancia e da minha juventude. Naquele tempo era a praia que eu tinha.Grandes amizades ali se criaram. Sabem as melhorias no recinto e nos pavilhões são necessárias mas não acabem com as tradiçõesQue é feito do jogo dos paus e do fito que eram as grandes diversões que havia?? Melhorem tudo mas deixem alguma coisa do passado que está namemória e nos corações de muita gente.
OBRIGADO.
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