Terra Fria // São Martinho de pouca castanha Por: / Secção: Actual / 30-10-2008 Imprimir Enviar a um amigo
“Este ano, pouca castanha há-de haver para o São Martinho”. O lamento é já uma ladainha que anda na boca dos pequenos produtores de castanha da Terra Fria. Este ano, as grandes amplitudes térmicas verificadas nos últimos 15 dias, a par da falta de pluviosidade, parecem estar associadas à má produção: os ouriços continuam fechados e por cair. A pouca castanha que há, é pequena. Muita dela está já seca, dentro dos ouriços, que, este ano, à semelhança do que aconteceu no ano passado, permanecem encerrados, obrigando os “apanhadores” a “desouriçar” o fruto. Para quem tirou férias propositadamente nesta altura, época da apanha, foi um verdadeiro “balde de água fria”. “Este ano ainda pouco se apanhou. Quem tirou férias, não ganhou dinheiro”, iam atirando alguns pequenos produtores da aldeia de Terroso, em Bragança. Conhecida pelos seus soutos, terra boa para a castanha, este ano, Terroso deve ter uma produção 1/3 menor que a do ano passado, que já não foi muito boa. Segundo as contas de Hélder Martins, presidente da Junta de Espinhosela (que integra também a aldeia de Terroso) e também ele proprietário de alguns pequenos soutos, a produção deste ano deve ser menos de metade quando comparada com anos anteriores. “Quase toda a gente da freguesia tem castanha, é um orçamento extra com o qual as pessoas sempre contaram e que, actualmente, não podem contar. É um mau ano de castanha e um mau ano para os agricultores locais”, vaticinou. A pouca produção tem levado já muitos privados a andar de aldeia em aldeia à procura de castanha para comprar. Nalgumas aldeias do concelho de Bragança alguns pequenos produtores já conseguiram vender alguma castanha, mas a preços muito baixos: 1,30 euros o quilo. Nas grandes superfícies, cerca de 400 gramas deste fruto, com origem em Trás-os-Montes e Alto Douro, está a ser vendida a mais de quatro euros, um grande diferencial que é exemplo da margem de lucro que fica nos intermediários. A esperança é que, entretanto, o tempo melhore e ajude a fazer cair a chamada castanha “longal”, conhecida por ser a mais saborosa e também a mais bem paga. No entanto, as previsões do tempo não trazem boas notícias: o Instituto de Meteorologia aponta para uma descida da temperatura e possibilidade de queda de neve nas terras altas.

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