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Sociedade // Tecnologia da UTAD em Israel Por: Daniel Faiões / Secção: Actual / 30-10-2008 Imprimir Enviar a um amigo

Foto: Direitos Reservados
ONG terá à disposição uma plataforma tecnológica para monitorizar postos de controlo em território israelita.

Uma Organização Não Governamental (ONG) de Israel, especializada em Direitos Humanos, será auxiliada por um aluno de Mestrado em Informática, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Luís Filipe Gens vai visitar o território israelita para adaptar uma plataforma tecnológica, que tem vindo a ser desenvolvida nos dois últimos anos na academia transmontana, junto da Machsom Watch, organização que monitoriza os postos de controlo militares e elabora relatórios acerca de possíveis violações dos direitos humanos que ocorram nesses mesmos postos. “Tudo começou com um projecto de estudo de carácter genérico, que poderia ser aplicado a diversos cenários. Como um dos nossos colaboradores, israelita, tinha contactos nessa organização, fez a ponte, facilitando a proximidade entre nós”, explicou o aluno. Segundo o informático, “o sistema serve situações de pessoas que em permanente movimentação precisem de informação ou de criar essa mesma informação geo-referenciada sobre determinado lugar, sem ter ao seu dispor redes físicas normais de Internet”. O dia-a-dia da Machsom Watch, organização composta por cerca de 500 membros, todos do sexo feminino, é fazer duas ou três rondas pelos cerca de 30 check-points que existem. “Quando observam alguma violação dos direitos humanos ou algum incidente criam relatórios, mas quando não têm acesso à sede, têm que o fazer por escrito e só depois levá-los à sede passando-os para o sistema”. Este processo é moroso e não funciona em tempo real, situação que irá ficar resolvida com a adaptação da plataforma à forma de operar desta organização. “Esta plataforma é constituída por uma aplicação que é colocada no telemóvel, ficando disponível o mapa de Israel, bem como todos os postos de controlo. Isso vai permitir aos membros seleccionar um determinado check-point, ver toda a informação agregada a esse posto de controlo e se for observado um incidente, criar, na hora, uma nova entrada, fazendo um upload para o servidor. Esta informação fica imediatamente disponível para que, cada pessoa, em qualquer parte do mundo, possa aceder e obter a informação colocada”, explicou. Os testes têm sido efectuados em Portugal mas para se saber, efectivamente, se a tecnologia funciona “in loco”, Luís Filipe Gens prepara-se para ir a Israel dar formação aos elementos desta organização. “Poderá haver dificuldades, em primeiro lugar, porque vou sozinho. Em segundo lugar vou ter que dar formação a uma organização constituída unicamente por mulheres oriundas de um leque muito amplo de estratos sociais e de educação. A agravar há ainda o facto de não serem tecnólogas. Vou ter que explicar tudo de forma muito simples”, sublinhou. Esta tecnologia é livre e gratuita, tendo sido esse um dos objectivos aquando da criação da plataforma. Esta tecnologia é por isso pioneira, por ser de livre acesso. Há, no entanto, algumas tecnologias similares, “extremamente dispendiosas”, utilizadas em situações de crise ou catástrofes naturais como foi o caso do furacão Katrina. Luís Filipe Gens parte agora em direcção a território israelita, onde fará, juntamente com a organização, rondas de monitorização de postos para poder observar e anotar todos os procedimentos e dificuldades que possam ocorrer.

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