Atual // Nordeste Transmontano

Até 2080 a região Norte perderá 42 por cento da população

Glória Lopes em Qui, 13/04/2017 - 10:22

Cada vez há mais aldeias sem crianças ou apenas com uma ou duas. A situação é transversal ao interior e nem as  localidades mais próximas das cidades escapam à tendência. Meixedo e Oleirinhos,  aldeias integradas na União das Freguesias de Sé, Santa Maria, a meia dúzia de quilómetros da cidade de Bragança, tem cada uma sua criança. Com menos de seis, já contando os alunos em idade pré-escolar, está Parada, concelho de Alfândega da Fé, a cerca de 100 km da capital de distrito. Em Souto da Velha, concelho de Torre de Moncorvo, há três com menos de 15 anos. Estes são apenas alguns exemplos da realidade da região, que se agrava todos os anos.
Segundo os dados da Pordata, em 2015 eram apenas 18 os alunos de Freixo de Espada à Cinta matriculados no Ensino Secundário, onde  a escola não dispõe deste nível de ensino. Em Torre de Moncorvo havia, em 2009, 255 alunos matriculados no secundário mas em 2015 só já eram 178. Em Alfândega da Fé eram 89 e na cidade de Bragança 1675. Em Vinhais apenas 152.
Izeda, uma vila do concelho de Bragança, perdeu na última década um terço da população, passando de 1800 habitantes para cerca de 600. O secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, que passou por lá no passado sábado, deu conta da criação da Unidade de Missão para valorizar o interior. “Nós temos que ser os atores  que não podem só dizer que isto está mau, temos é que pegar no valor que temos e transformá-lo em valor económico, para a criação de emprego, inovação e investimento”. E prosseguiu: “Não podemos ficar todos a chorar porque as pessoas se vão embora”, acrescentou.

Secretário de Estado acredita na unidade de Missão para o Interior

Os centros urbanos exercem grande poder de atração sobre os jovens, mas Jorge Gomes admite que, muitas vezes, encontra por lá gente oriunda da região que não vive bem. “Têm emprego precário e vivem em condições quase sub-humanas, mas preferem viver assim. É preciso mais apoios, mas não à natalidade”, referiu. No seu entender a culpa do despovoamento também “decorre da mentalidade dos jovens que preferem estar em grandes centros urbanos do que ter qualidade de vida”. Por outro lado, a crise dos últimos anos agravou tudo. “Pusemos jovens de 35 anos a depender dos pais ou a ter de emigrar”, lamentou.
 
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