Igreja // Entrevista a António Batista

“Casa de Trabalho já é financeiramente sustentável”

AGR em Qui, 09/01/2014 - 12:16

Esteve dois mandatos à frente da Casa de Trabalho Dr. Oliveira Salazar. Hoje despede-se do cargo com um balanço ao MDB.

Mensageiro de Bragança: Que balanço faz destes dois mandatos? Encontrou uma dívida grande. Isso já está resolvido...
António Baptista: Está parcialmente resolvido. Quando chegámos à Casa de Trabalho (CT) havia um passivo considerável, na ordem dos 870 mil euros. Atualmente estará na ordem dos 450 mil euros. Uma coisa importante é que a CT, para conseguir amortizar esse passivo, tem estado com cash flow sucessivamente positivo. Ou seja, está a criar riqueza financeira que permite o seu investimento na amortização da dívida. Hoje, a CT é financeiramente sustentável.

MB.: Como se conseguiu isso? Houve um redimensionamento do pessoal, uma aposta em mais serviços...?
AB.: As duas coisas. Por um lado, houve um melhor aproveitamento dos recursos humanos mas houve a necessidade de criar valências de valor acrescentado. A CT tinha como valência social o Lar de Infância e Juventude e o ATL. Vimos que havia a necessidade de alargar o serviço social da instituição, desde que não criássemos uma instabilidade financeira. A CT só consegue prestar o seu serviço se tiver condições financeiras para o fazer. E aquilo que foi feito foi, aumentando o leque de valências, como os apartamentos de autonomia e outros projetos como o Escolhas, o DOM, atualmente SERE +, redimensionámos as tais valências de valor acrescentado. Assim, conseguimos um melhor aproveitamento dos recursos humanos.

MB.: Houve necessidade de despedimentos?
AB.: Tudo fizemos para evitar os despedimentos, pois sabemos que os postos de trabalhos gerados pela nossa instituição contribuem e muito para o desenvolvimento da nossa economia local. Mesmo assim, tivemos a necessidade de despedir dois colaboradores ao longo dos seis anos. Primamos sempre pela requalificação dos nossos colaboradores, como aconteceu quando encerrámos a serralharia.

MB.: Qual a importância de uma instituição como a CT para a região?
AB.: A CT assume como missão principal acolher e educar crianças e jovens do sexo masculino provenientes de meios familiares desestruturados. No Lar de Infância e Juventude (LIJ) acolhe e educa crianças e jovens até aos 18 anos e em Apartamentos de Autonomia dá continuidade aos maiores de 18 anos que ainda não concluíram o seu processo de inserção/integração na sociedade.
Faz dos jovens Homens trabalhadores de valores sólidos para, cada um, poder construir uma vida de felicidade.
A CT assume, também, um papel importante na nossa economia local como um dos principais empregadores.

MB.: Que outros serviços prestam?
CT.: A CT tem valências sociais e valências comerciais, que eu prefiro designar de valências de valor acrescentado, geradoras de riqueza. Ou seja, o lucro que essas valências geram é investido na parte social. Trabalhamos num regime de acordos de cooperação com o Estado. Em muitas das valências há sempre três parceiros, o Estado, a instituição e o cliente. Como temos o LIJ e os apartamentos de autonomia, o cliente não tem condições de comparticipar. Então, alguém tem de compensar esse custo. A CT pensou nas valências geradoras de riqueza como a gráfica, o posto de abastecimento de combustível e uma cozinha industrial que equipámos e alugamos a uma empresa que opera no nosso concelho.

MB.: Qual foi o problema mais difícil?
AB.: Temos de ter sempre presente que a nossa linha de ação é a vertente social e não podemos geri-la como uma empresa. Podemos, sim, trazer o conhecimento de uma gestão empresarial para dentro de uma IPSS, para a tornar sustentável. Tínhamos sempre isso presente. Mas o nosso objetivo principal é a parte social. Para isso, tínhamos de ganhar condições financeiras para ganhar essa mais valia em serviço. Estávamos condenados a rentabilizar a parte comercial e depois investir na parte social. Temos a sorte de o nosso diretor geral, o Pe. José Bento, ter muitos conhecimentos nesta área, assim como os técnicos, formando uma boa equipa de trabalho e facilmente nos diziam onde tínhamos de investir. Também foi essencial o esforço das pessoas que cá trabalham. Agradeço-lhes sempre o facto de terem conseguido porem-me a gostar da CT ao ‘jeito deles’. Há aqui uma relação de trabalhador para com a entidade patronal que não é frequente. Eles são incansáveis. Quando souberam da situação financeira arregaçaram as mangas e foram incansáveis. Era frequente encontrar colaboradores a trabalharem nas férias ou para lá do horário do expediente.

(Entrevista completa disponível para assinantes)