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Criminalidade geral desceu no distrito de Bragança

AGR em Seg, 05/05/2014 - 15:33

A criminalidade baixou no distrito de Bragança no ano de 2013, nas áreas de influência da GNR e da PSP.
Segundo os dados do relatório Anual de Segurança Interna, a que o Mensageiro teve acesso, houve um decréscimo superior a dez por cento.
No caso da área da GNR, o item que conheceu, no entanto, maior aumento foram os crimes previstos em legislação penal avulsa (mais 18 por cento) e os Crimes contra o Estado (mais nove por cento, o que representam apenas mais cinco crimes contabilizados).
“Foi um ano que correu muito bem”, considera o Tenente-Coronel Sá Pires, comandante distrital da GNR. “A criminalidade geral teve um decréscimo de 11,48 por cento. Isto não quer dizer que não haja um item ou outro em que não tenha havido um aumento. Por exemplo, em furtos de veículos ou em veículos. Nos patrimoniais houve aumento. Podemos ver neste item as capelas ou locais de culto que foram assaltados nos meses de janeiro e fevereiro. Conseguiu-se travar essa onda de assaltos”, frisou.
Por outro lado, “houve, também, um aumento do crime de desobediência e sete por cento dos crimes de coação e resistência aos agentes de autoridade”.
O comandante da GNR considera que a crise está a influenciar o comportamento das pessoas. “Temos de considerar ossos do ofício mas tem a ver com um certo nervosismo, um certo desgaste que a atual conjuntura económica e social provoca sobre as pessoas. Perante a perspetiva de serem autuadas, por exemplo, em cem euros, é evidente que se já andam de mal com a vida, vão reagir com algum despropósito contra o agente que está perante eles e que é apenas um agente do Estado para cumprir a lei. O Estado é que é o titular de direito, o militar age apenas em nome do Estado. E têm reações às vezes demasiado exageradas, com alguma robustez física”, explicou o mesmo responsável.
Por outro lado, são várias as dificuldades que a GNR sente. “A dispersão geográfica é um dos contratempos que enfrentamos diariamente. Para as deslocações não temos qualquer tipo de restrição.
Somos 561 no distrito de Bragança, já fomos 640. O dispositivo precisa de um reforçozinho. Não encerrámos postos, não reduzimos horários, mantemos na íntegra a nossa capacidade operacional. Mas temos muito bom emprego para dar a mais 20 ou 25 militares. Suprimos alguma falta de gente com a extinção dos postos de transmissões nos destacamentos. Esses militares foram empenhados nos programas especiais como o do Comércio Seguro, o apoio aos idosos, porque são militares que não estão habituados à atividade profissional da Guarda. A especialidade deles era a rádio, as comunicações, as cifras, etc. Acabou porque a tecnologia vai acabando com algumas atividades. Neste momento é tudo via mail, fax e telefone. Os meios são tão sofisticados que não é fácil haver intercessões. Temos formas seguras de comunicar e qualquer militar opera um fax, manda um email ou atende um telefone”, explicou.
Apesar disso, tem havido um reforço dos meios. “O trânsito recebeu recentemente meios. O comando também e avizinha-se a distribuição de mais viaturas brevemente”, admitiu o mesmo responsável.
 
PSP faz baixar números em quase 10%
 
Na área da PSP (cidades de Bragança e Mirandela) também se verifica uma descida dos números da criminalidade na ordem dos dez por cento ao longo do ano de 2013.
De acordo com Amilcar Correia, comandante distrital da PSP, “em termos absolutos foram participados menos 111 crimes, sendo a variação relativa negativa correspondente na ordem dos 9,2%. Esta variação relativa está mais de dois pontos acima da variação verificada a nível nacional e cerca de dois pontos abaixo de diminuição verificada ao nível do distrito de Bragança. De acordo com o RASI 2013, a diminuição nacional foi de 6,9% e ao nível do Distrito de Bragança foi de 11%”.
Por outro lado, “considerando os cinco principais capítulos de crimes a diminuição verifica-se em quatro. A exceção é o capítulo de crimes contra o Estado em que se registou o mesmo número de ocorrências. A diminuição mais significativa teve lugar no capítulo dos crimes contra o património, no valor relativo de 11,6%”, explicou.
De acordo com o mesmo, “os números da criminalidade geral participada à PSP nos últimos cinco anos permitem concluir que se verifica uma relativa estabilidade, com variações anuais pouco significativas, quer em termos absolutos quer em termos relativos”.