Olhar // Ensino Superior

IPB no caminho do sonho de mudar um país

António G. Rodrigues em Qui, 11/10/2018 - 09:48

Alunos do Bangladesh chegaram a Bragança com o apoio da Fundação Maria Cristina, a primeira portuguesa a chegar ao topo do Everest, que usa os recordes do Guiness para financiar a educação de 600 crianças. Os primeiros dez a estudar no Ensino Superior chegaram agora a Bragança.
“Quando tinha sete anos, só pensava em sobreviver a cada dia que passava. Não tinha sonhos. Depois, apareceu a Maria Conceição e deu-me um sonho, fez-me acreditar e é por isso que vim para Bragança tirar um curso. Quero voltar ao Bangladesh e ajudar a melhorar o meu país.” A garantia é deixada por Mustofa, um dos dez estudantes do Bangladesh, que acabaram de chegar ao Nordeste Transmontano.

Com um brilho nos olhos e emoção na voz, surpreendidos pelo serpentear das montanhas que envolvem a cidade de Bragança e apanhados desprevenidos pelo frio cortante que o outono começa a trazer.

Foi assim que dez estudantes do Bangladesh chegaram a Bragança, depois de uma grande aventura para conseguirem “uma oportunidade por que milhões anseiam” no seu país, mas que a eles sorriu. Mustofa ainda mal consegue acreditar na volta que a sua vida deu.
Foi uma das 600 crianças que nasceram num bairro de lata de Dhaka, capital do Bangladesh, que outrora foi parte integrante da Índia, primeiro, e do Paquistão, depois, a quem foi dada a possibilidade de estudar, graças ao esforço e perseverança de uma portuguesa (ver caixa). Ao longo de 12 anos, a Fundação Maria Cristina custeou o estudos a estas 600 crianças e, agora, chegaram a Bragança os primeiros dez que têm a oportunidade de abraçar o ensino superior. Bragança foi o destino escolhido.

Na bagagem, trouxeram sonhos e um objetivo claro: “tirar o curso para voltar e ajudar o meu país a desenvolver-se”, dizem, à vez, mas em uníssono, Hossain, Abedin e Mustofa. Estes são apenas três de um total de dez estudantes do Bangladesh que conseguiram o visto e vaga no Instituto Politécnico de Bragança. “Estava previsto que viessem 18 mas oito deles ficaram impedidos devido ao processo burocrático”, explicou ao Mensageiro Hélio Silva, voluntário da Fundação Maria Cristina, responsável pelo encaminhamento do grupo. “A embaixada portuguesa mais perto de Dhaka é em Nova Déli, na Índia. Para irem pedir o visto português, têm, primeiro, de ter um visto de entrada na Índia e oito deles não conseguiram”, disse ainda.

As expectativas dos estudantes também vinham altas, mas nada que se compare ao que encontraram em Bragança. “É muito superior ao que imaginávamos”, diz Abedin, radiante.
 
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