Desporto // Entrevista ao Presidente do Conselho de Arbitragem da FPF

“Queremos patrocinar o centro de treinos de Bragança”

AGR em Sex, 03/01/2014 - 12:23

Presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol acredita que profissionalização vai cativar mais árbitros.

Bragança é das poucas associações do país com árbitros para todos os jogos, incluindo as camadas jovens. Que comentário é que isso lhe merece?
Vítor Pereira: Deixa-me contente. Em primeiro lugar, porque um dos pressupostos que a FIFA defende, de haver um trio de arbitragem certificado em todos os jogos está a concretizar-se. Por outro lado, garante que o número de árbitros é suficiente para as competições, garantindo que haja pessoas competentes a dirigir os jogos. Em terceiro lugar, permite que dessa quantidade se melhore a qualidade dos que vão subindo na carreira e sendo indicados aos quadros nacionais.

MB.: Tem receio de que numa altura em que se avançou para a profissionalização se possa ficar sem árbitros suficientes, até para as divisões profissionais?
VP.: Não, pelo contrário. Até de experiências anteriores se sabe que a profissionalização aumenta a adesão à atividade, vai criar motivações nos pressupostos de desenvolvimento de carreiras. Estamos convencidos que, quer a nível inicial, o número de árbitros vai aumentar, como também a motivação a uma segunda fase, no processo de passagens dos concelhos distritais para a Federação, vai ser ainda mais entusiasmante, mais motivador e a profissionalização vai ser um fator motivador das arbitragens distritais.

MB.: Onde se pode fazer o recrutamento de base? É que os árbitros têm aparecido numa fase mais tardia…
VP.: Aparecem quando aparecem, não tem mal nenhum.

MB.: Por exemplo, aqui ao lado, em Espanha, o recrutamento começa junto de jogadores das camadas jovens, com 15, 16 anos…
VP.: O objetivo é conseguir recrutar todos os jovens que gostem de futebol, que queiram experimentar a arbitragem. Para isso há um conjunto de nichos de recrutamento que vamos observar. Um deles é, naturalmente, o Desporto Escolar. Outros são os escalões jovens, de sub-13 a sub-17. Para além de outras iniciativas como o boca a boca, o traz um amigo, um familiar. Mesmo nos clubes, em escalões de idades mais elevadas. O perfil que preconizamos anda entre os 16 e os 20 anos.

MB.: Na AF Bragança foi criado um centro de treinos mas de que forma é que a Federação pode ajudar?
VP.: Há um conjunto de coisas que estamos a desenvolver. Vamos continuar a oferecer o primeiro equipamento dos árbitros assim que terminam a fase teórico prática do curso, antes de começarem o seu estágio curricular. E temos vindo a colaborar com os nossos colegas do ponto de vista da formação de formadores. Vamos ter um programa que visa ter os centros de treino patrocinados pela Federação. Bragança ainda não tem esse patrocínio e queremos que mais esse espaço de apoio seja concretizado. Estamos a centralizar tudo o que sejam matérias de formação, a uniformizar as metodologia de treino. Estamos a ter um apoio fantástico de norte a sul. Estamos convencidos que, mesmo associações que antes enviavam um árbitro passarem a enviar três, é um fator de motivação extra. Na III categoria, de 150 árbitros só subiam 10, agora em 60 sobem oito. Tudo isto são fatores de motivação.

(Entrevista completa disponível para assinantes)

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