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Recusa de vistos a estudantes cabo-verdianos preocupa IPB

Marta Pereira em Qui, 12/10/2017 - 11:33

A recusa de vistos a estudantes Cabo-Verdianos está a preocupar o presidente do Instituto Politécnico de Bragança, Sobrinho Teixeira, que classifica esta situação como “inaceitável”.  Das 1100 candidaturas de estudantes cabo-verdianos, apenas 30 têm vistos atribuídos. Facto que, segundo Sobrinho Teixeira, está relacionado com “questões económicas”. “Foi determinado que os jovens têm que ter cerca de 550 euros livres, para além das necessidades do agregado familiar para poderem vir para Portugal”, referiu o presidente.

No ano passado quase 40% dos vistos foram aprovados e por isso, o presidente não acredita que “haja uma alteração tão substancial de um ano para o outro daquilo que é o rendimento do agregado familiar das famílias cabo-verdianas” que justifique uma recusa de “quase 80% dos vistos”. “Por uma questão administrativa estão a por obstáculos naquilo que podia ser uma harmonia de coesão territorial dentro de Portugal e sobretudo uma qualificação dos jovens cabo-verdianos”, afirmou. “Escrevi a vários ministérios que 550 euros por mês para um jovem em Bragança é dinheiro a mais. É um financiamento que não é bom porque os jovens ao terem dinheiro a mais vão fazer coisas que não devem. O país é diferente e não percebo porque teimam em equalizar. 550 pode estar adequado para o Porto e Lisboa mas está desadequado face aquilo que é o custo de vida em Bragança”,salientou o presidente.

Este ano o IPB esperaria 400 estudantes cabo-verdianos para conseguir chegar à fasquia do 2000 alunos internacionais. Contudo, a recusa de vistos nesse país em relação aos anos anteriores, “vai muito para além do normal”. “Aquilo que sentimos é que a dificuldade que está a haver entre Cabo-Verde e os outros países tem uma diferença muito grande. Não podemos falar aqui numa atuação global de governo, mas há algo que está a ocorrer que é errado porque relativamente aos outros países diria que estamos numa situação de normalidade face aos anos transatos”, assegurou.

Marly Monteiro é aluna do primeiro ano e é cabo-verdiana. A estudante considera-se com “sorte” por ter conseguido o visto porque confirmou que “não tem sido fácil”. “Tenho uma prima que chegou mesmo agora porque esteve desde o mês de Agosto à espera de visto e só agora é que obteve. E tenho outras amigas que não obtiveram visto”, referiu.

Esta não é a única dificuldade que tem “atormentado” o IPB este ano, a falta de alojamento também tem sido um problema para os alunos, sobretudo para aqueles que entraram na segunda fase. “O crescimento que está a haver de número de alunos e da economia em Bragança fazem alguma pressão sobre a questão do alojamento”, mencionou Sobrinho Teixeira. “Há uma dificuldade acrescida face aos anos transatos, daí o nosso maior esforço. Tive a ocasião de me reunir com as imobiliárias, com o clero e com a câmara municipal para apelar a que a cidade disponibilize alojamento para acomodar estes jovens. Há muita gente que não está para cuidar de um apartamento mas nós conseguimos criar empresas de ex-alunos do IPB que farão esse serviço. Alugam apartamentos e comprometem-se a entregá-los no mesmo estado”, mencionou o presidente.

A associação de estudantes também tem ajudado os alunos a procurar casa e Ricardo Cordeiro, presidente da Associação, considerou que esta situação “não é nada alarmante como as pessoas pensam ou falam”. “Na segunda fase houve alguns casos em que não conseguiram arranjar facilmente casa ou quarto porque não se deram ao trabalho de procurar nos locais certos. Se procurassem um bocadinho mais tinham encontrado porque ainda há quartos e apartamentos em Bragança”, garantiu.