Atual // Nordeste Transmontano

Vespa será combatida com outra vespa já no próximo ano (com reportagem vídeo)

António G. Rodrigues/Marta Pereira em Ter, 04/07/2017 - 11:16

A partir do próximo ano, a praga da vespa da galha do castanheiro será feita com largadas de uma outra vespa que se alimenta deste inseto e que afeta as folhas dos castanheiros, debilitando a árvore e baixando a produção de castanhas.
A revelação foi feita na sexta-feira, em Vinhais, durante uma sessão de trabalho que reuniu autarcas, produtores, investigadores, representantes da Direção Regional de Agricultura e da Direção Geral de Alimentação e Veterinária.

“Aqui nesta zona detetámos focos pouco significativos em 2015, que foram imediatamente controlados pelo corte dos ramos. Temos estado a acompanhar e na primavera de 2017 verificou-se uma dispersão mais generalizada do que nos anos anteriores. Vamos acompanhar na primavera de 2018 para verificar a necessidade de luta biológica. Precisamos de taxas de infeção significativa e, se se verificar, iremos avançar com essa luta biológica em 2018”, prometeu Paula Carvalho, sub-diretora geral de alimentação e veterinária.

Esta responsável explicou que não é com inseticidas que se combate esta praga, pelo que até nem é conveniente que sejam utilizados produtos químicos, que podem comprometer o único meio de combate efetivo à vespa da galha do castanheiro. “As medidas que podem ser tomadas, quando as árvores ainda são pequenas, é o corte dos ramos que têm as galhas e a destruição no local dessas galhas. Mas têm de ser destruídas. Se ficarem os ramos com galhas em cima do terreno as vespas acabam por sair e esse trabalho é inútil. Portanto, corte dos ramos e destruição no terreno, quando é possível pelo número de galhas e pelo tamanho da própria árvore.

Quando as galhas já são adultas, já são árvores de grande porte, já não é prático estar a cortar galha a galha, porque ficaríamos praticamente com o castanheiro sem ramos. Nessa fase entramos com a luta biológica. Ou seja, com largadas de um parasitóide específico, que é o torymus sinensis, e que se alimenta da larva da vespa, evitando que saia” e se espalhe, explicou Paula Carvalho.

No próximo ano, e pela primeira vez, dadas as indicações recolhidas no terreno, deverá haver condições para começar a fazer largadas do inseto que combate a vespa. “Esse trabalho é feito quando tecnicamente há justificação para o fazer e quando o inseto parasitóide tem alimento para poder fazer este trabalho. Está a ser feito em várias regiões do país e, em 2018, será feito nos locais que estiverem em condições de se poder acionar a luta biológica”, frisou a mesma responsável.

O problema é que são poucos os produtores deste parasitóide. Aliás, em Portugal ninguém tem capacidade de o produzir (na realidade, trata-se apenas de recolher este inseto que se alimenta da vespa da galha do castanheiro).
Paula Carvalho explicou que o facto de apenas se estar a recorrer a uma fornecedora italiana, docente numa universidade e com trabalho de investigação nesta área, se deve ao facto de as entidades francesas não terem capacidade para isso. “A entidade francesa não tinha disponibilidade de fornecer o nosso território. Temos de ter garantias de que estamos a comprar o torymus”, sublinhou.

Mas garante que, havendo garantias, serão procurados outros fornecedores.

Queixas de falta de fiscalização

Entre os produtores, faltam soluções e sobram preocupações.
 
(Artigo completo disponível para assinantes ou na edição impressa)