2018: o renovar da esperança

Como que a exorcizar os maus olhados e os maus presságios, os portugueses e as portuguesas celebraram a chegada do ANO NOVO 2018 com alegria e com esperança.
A memória colectiva parece de curto prazo e quase toda a gente se esqueceu já dos idos 2011 a 2014 e das tragédias várias que com eles vieram. Para isso, contribuiu também a promessa de terra de leite e mel com que a governação dita de esquerda (Vasco Pulido Valente chamou-lhe geringonça) enfeitiçou os portugueses e as portuguesas. Não que a dita geringonça não tivesse razão em algumas coisas mas, no essencial, não tinha, não teve nem tem: o Estado continua a gastar mais do que o que arrecada e vai transformando em dívida pública os défices acumulados, ano após ano, recorrendo a títulos de dívida, a títulos do tesouro e a certificados de aforro.
As questões essenciais do país têm sido adiadas: 1) a consolidação das contas públicas tem sido reduzida ao mínimo, no respeito das exigências mínimas da EU; 2) a regulação das relações laborais entre trabalhadores e patronato tem desprezado os direitos fundamentais dos trabalhadores; 3) a nossa capacidade de defesa é praticamente nula; 4) os serviços da administração pública foram tomados de assalto, ao longo dos últimos 20 anos, por interesses privados e estão ao serviço desses interesses, como se viu com evidência na gestão dos incêndios do passado verão; 5) a maior parte dos membros da classe política revelam uma escandalosa falta de democraticidade, de ética e de equidade, como aliás se viu na recente lei do financiamento dos partidos e das campanhas eleitorais; 6) ninguém quer discutir o que vamos fazer com a nossa língua que tão maltratada está a ser; 7) ninguém quer discutir o que queremos ser como povo, coisa essencial para encarar a regulação da miscigenação racial, étnica e cultural que a chegada de novos migrantes e imigrantes, muitos deles radicais islâmicos, vai exigir face ao desaparecimento acelerado dos portugueses e das portuguesas; 8) ninguém quer discutir a liberdade no uso do espaço público face às invasões e ameaças que a intolerância religiosa, transformada em exercício clandestino de poder, vai ocupando, privando de liberdade todos os que pensem e ajam diversamente.
Mas ANO NOVO é sempre motivo de esperança. Como que por um passe de magia, acreditamos que o futuro vai ser melhor. A economia vai atravessar, pelo menos por mais um ano, um período de «vacas leiteiras» de boa qualidade com um crescimento estimado de 2,2%, caso a conjuntura internacional não se altere.
Como a memória colectiva é curta, a economia fortalecerá as expectativas eleitorais do PS e fragilizará as do PSD. Em Portugal, tudo funciona como se fossem os estrangeiros a mandar e, se não mandam através de pessoas, mandam através da economia. Neste contexto, o mês de Janeiro coloca-nos as eleições para Presidente do PSD como um elemento a testar a verdadeira cultura política dos portugueses, colocando-os perante a alternativa entre a demagogia e o pragmatismo.