Adolescências e negligências!...

Com o final de Agosto e arranque de Setembro, começa a azáfama decorrente da preparação de mais um ano letivo que se inicia. Os pais, as crianças, os adolescentes, os avós, todos em conjunto, de uma ou outra forma, acabam por participar de forma ativa, num perfeito trabalho de equipa. Em harmonia…diria!... Porém, tudo isto acontece quando o conjunto dos parentes envolvidos exercem os seus deveres, conhecendo os seus direitos, numa atitude positivamente construtiva, de tranquilidade, de respeito e diálogo com os mais novos, que começam, ou recomeçam mais uma etapa formativa, vendo na escola a possibilidade para crescer, para ser, expressa numa atitude e num comportamento, que deve encaminhar para se tornarem cidadãos conscientes, responsáveis, livres, participativos, felizes!...
Vivendo, assim, o mais elementar, proporcionado às crianças e jovens em formação, sustentada no exercício da cidadania de maneira ativa, não podemos deixar considerar que, tantas vezes, assistimos a protagonismos desadequados, portanto pouco recomendados, quer por defeito, quer por excesso.
É que tudo deve ser feito e acontecer, na medida certa, ou mais adequada possível. E todos devemos ser levados a refletir sobre o assunto. Seriamente. Isto para não nos queixarmos, muitas vezes, dos comportamentos que diremos desajustados dos mais novos.
Muitas vezes desprovidos valores solidários, de atenção, proximidade e salutar comunicação, tantos pais, ou responsáveis educativos, deixam os jovens ao “Deus dará”, como se eles já estivessem dotados de competências transversais para fazer face, sozinhos, à exigências e adversidades das sociedades modernas, cada vez mais trituradoras, segregadoras e de vícios comprometedoras.
Se por um lado, existem aquelas crianças que têm materialmente tudo o que querem e lhes apetece, mas não mais do que isso, por outro, verifica-se precisamente o contrário, em que a pobreza não permite que disponham das necessidades básicas, materiais, para o coerente e sustentado desenvolvimento. Aqui não devemos esquecer a fome, os maus-tratos físicos e psíquicos, o abandono, puro e simples.
Se é verdade que no que respeita à educação/formação não há receitas próprias, também não é menos verdade que a atenção, o carinho, a responsabilidade, a proximidade parental, o exemplo, a educação familiar e o relacionamento afetivo, efetivo, se tornam preponderantes para o desenvolvimento integralmente harmonioso.
Por isso, é de todo o interesse evitar negligências educativas, não permitindo casos de alheamento/distanciamento afetivo irresponsável, deixando para a escola muita da responsabilidade que deve caber aos pais. É determinante que as nossas crianças e jovens percebam a beleza da vida, que alguém se importa com eles, por existirem, como expressões de amor incondicional, que se sintam próximos, amados, e que mesmo acompanhados não sintam a dor da solidão e do esquecimento, nem a ausência da prática efetiva do sentimento. Onde impera o alheamento e a falta de discernimento. Custe o que custar, adolescências com negligências, não poderão coexistir, sem as inerentes consequências.