Ajudar de forma exemplar!...

No quotidiano de cada uma de nós, há experiências positivas que nos marcam, sensibilizam, alegram e nos deixam otimistas em relação à vida, às pessoas e ao seu espírito solidário. Um estado de espírito positivo permite viver a vida com mais alegria, entusiasmo, ânimo e boa disposição, valorizando a simplicidade e a espontaneidade.
No âmbito da minha vida profissional e das várias atividades sociais que, voluntariamente, desempenho, deparo-me com múltiplas e diversificadas situações em que o espírito solidário surge como um valor acrescentado na interação pessoal e complementaridade funcional. Por vezes, até, uma pose alegre, a manifestação de disponibilidade desinteressada e o sorrir para o “Outro”, já se revestem de um significado especial, sobretudo para quem tem como principal carência, o afeto.
Olhar o “Outro” e para o “Outro” em períodos sombrios da sua vida, torna-se um ato de grande humanidade que, muitas vezes, nos passa ao lado, com relativa facilidade. E, nos contextos prisionais, as ausências/negligências no domínio dessa responsabilidade social, desse “Olhar”, mesmo até por pessoas que têm por MISSÃO estar com “Outro” em períodos difíceis, são frequentes e tornam-se mais que evidentes.
Todavia, verificam-se inúmeros exemplos positivos de humanismo invulgar. Por isso, e porque me “tocou”, não posso deixar de salientar uma situação recente que se consolidou no contexto social e laboralmente integrativo de um recluso. Já se verificaram muitos outros casos de sucesso, é certo. Porém, este merece ser destacado, não só pela mera integração laboral, mas, sobretudo pela demonstração de seriedade, solidariedade, de afeto e preocupação real, transversal.
Como é do conhecimento público, a Cadeia de Bragança “investe” com interesse e preocupação, na formação e reintegração laboral e social dos reclusos. Mas não o consegue fazer sozinha, em toda a dimensão. Torna-se, com efeito, necessária a disponibilidade de pessoas e instituições para colaborarem neste processo, sobretudo no que toca à reinserção no meio livre. E já são em número considerável as que demonstram a “vocação” para essa responsabilidade social. O que é salutar, pois daí deriva um valor acrescentado recíproco e complementar. Ora neste contexto de empregabilidade de reclusos, o caso em apreço tem a ver com a forma como um empresário agrícola do concelho de Mirandela, acolheu, acompanhou e a “educar” um recluso ajudou.
Em primeiro lugar, porque, enquanto recluso, lhe proporcionou trabalho, no âmbito do designado, Regime Aberto no Exterior, garantindo o pagamento da jorna e das deslocações diárias, em transporte público, de Bragança para Mirandela (ida e volta). Depois, porque se disponibilizou para o remunerar, quando não fosse trabalhar, nos dias em que frequentava a formação de Operador de Máquinas Agrícolas – Trator, que tem vindo a decorrer na cadeia. Por último, a garantia de contrato de trabalho quando lhe foi concedida a liberdade condicional. Mas, não menos importante, foi todo o interesse no inerente acompanhamento, de preocupação e proximidade, que este empresário de Vale Madeiro – Mirandela, prestou a um conterrâneo para o qual, além de outros aspetos, foi determinante na estabilidade do processo de recuperação aditiva alcoólica. Daqui, pois, a expressão do meu desejo de felicidades para estes dois protagonistas de um processo de reintegração, com sustentabilidade e alguma singularidade