Altar (1)

O altar que se encontra na igreja matriz de Pombares é um simples bloco de pedra. Fixo mas beliscado. Ferido no lado direito.
O altar representa Cristo. A partir da carta aos Hebreus sabemos que possuímos um altar do qual nos podemos alimentar (Hebr 13, 10). Sendo o altar a evocação do próprio Cristo, compreendemos a razão pela qual na liturgia se encontra revestido de veneração. O altar é ungido no dia da sua dedicação, é saudado com um beijo pelos ministros celebrantes, é incensado nas ações litúrgicas. Tendo tamanho valor simbólico, aquando da construção do altar de Pombares, procurou-se que artisticamente se evocasse Aquele de quem ele é sinal. Conseguiu-se, na peugada do que se realizou na Capela Árvore da Vida do Seminário Maior de Braga. Ali encontramos uma pedra do altar com uma ferida natural; foi assim extraída da pedreira. Aqui a ferida, qual lado aberto de Cristo na cruz, foi provocada. A lança que trespassa Jesus na cruz podia ter sido arremessada com uma grande dose de inconsciência, mas não deixou de ser intencional. No lado direito do altar de Pombares está aberto um pequeno golpe que se assemelha à ponta de uma lança. Essa fenda encontra-se tingida de ouro, de azul e de vermelho.
No século XVI, aquando da Reforma, sublinharam-se sobremaneira as duas dimensões da Eucaristia. Os protestantes centraram-se na Eucaristia enquanto a Ceia do Senhor; os católicos não quiseram atenuar a dimensão sacrificial da mesma. A Missa é em simultâneo Banquete e Sacrifício. Daí que os preliminares do Ritual da Dedicação da Igreja e do Altar esclareçam: «o altar cristão é, pela sua própria natureza, uma mesa especial do sacrifício e do banquete pascal» (cap. IV, nº 4). Se uma simples toalha e a mera forma retangular dum altar aponta para uma mesa preparada para uma refeição, um bloco de pedra apela às aras sacrificiais. Já um bloco de pedra rasgado, donde brota o vermelho do sangue e o azul da água, remete para o mistério pascal de Cristo, transporta para a cruz de Cristo donde jorra uma fonte cujas caudalosas corrente, como escreve S. João da Cruz, «regam céus, infernos e as gentes».