Amar a terra… Partilhar a saudade!...

Tal como gosto que leiam o que escrevo, porque partilho a escrita e o pensamento com os meus leitores, sobretudo quando mais próximos, que me incentivam a escrever, me dão ideias, me abordam e presenteiam com comentários, sinceros, são esses que eu valorizo, naturalmente, também gosto de ler quem escreve bem, tornando-se uma mais valia para mim, para a minha motivação, para o sentir criativo do meu imaginário, das saudades…do passado.
Pois vem isto a propósito de uma “Crónica Ilustrada” que li na edição do passado dia 28/08/2016, na Notícias Magazine, companheira dos meus domingos, assinada pelo escritor José Luís Peixoto, intitulada “O tempo é o caminho”. Como se costuma dizer, “nem pedida por boca”. É que, depois de eu ter escrito, na semana passada, sobre as festas da aldeia, também este ilustre escritor escreveu sobre este mesmo assunto. O que, confesso, me deixou com um conforto emocional acrescido. Afinal, há mais gente que tem apelo das raízes e que concretiza a vontade e os sonhos de voltar, de lá estar, de conviver e partilhar. De rever os amigos, os familiares. De viver o desejo, de pisar chão, de sentir o cheiro da terra, agora já misturada com o alcatrão. O odor dos animais, o cheiro a feno, e muitas outras coisas mais, que nos transportam para um pensamento que nos faz recordar vivências de um outro tempo, já sem tempo.
Neste contexto, não posso deixar de referir e até subscrever, o primeiro parágrafo da referida crónica “ Apesar de ter saído da minha terra há mais de vinte anos, continuo a ter sonhos em que estou lá. Quando acordo, tenho a certeza profunda de que os meus sonhos preservam uma certa verdade. Há um passado que, nesses sonhos, continua presente.”
Confesso que, tal como quando vim estudar, pela primeira vez, para o Liceu Nacional de Bragança, me custava a entender como havia colegas que não “tinham aldeia”, também agora me interrogo como há pessoas que conseguem esquecer o “berço”, as origens, a terra onde nasceram. Da minha parte acontece o contrário. No meu pensamento, no sonho, na ação. Porque tudo se torna mais autêntico quando emerge do coração. Ande por onde andar, conheça o que conhecer, converse com quem conversar, Frieira não deixarei de lembrar.                                                                                                   
 Sentir a vida, deslocando-me ao meio rural, se possível semanalmente, revivendo as minhas memórias, sentido a minha gente, o que deixa o meu pai, com um bem-estar especial e uma alegria diferente, tem feito parte de mim. Também porque, como refere José Luís Peixoto, “desperdiçamos demasiado tempo a preocupar-nos com insignificâncias. Porque aquilo que é importante para nós, por aquilo que amamos, temos a obrigação de viver”.
E se eu não esqueço a “minha Frieira”, a casa onde nasci e cresci, que me faz recordar um passado feliz e tudo o que ali vivi, obviamente que não posso esquecer as festas do mês de Agosto, não me esquivando, sequer, à responsabilidade social que tenho para esse inesquecível local, a cuja organização festiva pertenço e me empenho, como todo o dinamismo e gosto.
E, aqui, não posso esquecer que, se os meus pais me incutiram, entre outros, os valores da identidade e da disponibilidade para colaborar com a comunidade, não é menos verdade que me sinto muito feliz por perceber que,  pela minha filha e neta, tudo isso é vivido com especial afetividade, o que vai, certamente, sustentar a responsabilidade da continuidade.