Bragança e o jardim da Braguinha!...

Depois de um sábado no meio rural, onde a alegre azáfama das vindimas se fazia sentir, o dia de domingo surgiu repleto de sol outonal, como que a convidar para um higiénico passeio matinal. Bragança tem inúmeros espaços e itinerários pedestres com suficiente atratividade para recrear, passear, conviver, arejar!... Na verdade, neste contexto, como noutros, a urbe brigantina oferece condições para que a qualidade de vida seja exercida e esteja suficientemente garantida. Assim o pretendam os cidadãos, aproveitando e usufruindo convenientemente das ofertas que as infraestruturas existentes potenciam.
Todavia, há sempre algo que pode ser melhorado e que pode ir de encontro às expetativas e desejos de quem utiliza as áreas urbanas. Um dos espaços brigantinos mais apelativos, para andar, passear, conviver, brincar, interagir socialmente, é o jardim da Braguinha, em Vale de Álvaro, antigamente um grande e sempre verdejante lameiro.
Como muitos outros bragançanos, quase todos os dias tenho contacto com aquela área. É, também, um dos locais onde acompanho a minha neta nas suas atividades lúdicas, no parque infantil e não só. A tarde do passado domingo foi passada ali. Como já o havia observado antes, uma vez mais, constatei que, com pouco dinheiro, o município poderia introduzir algumas melhorias que se tornariam, no meu entender, interessantes valores acrescentados.
Desde logo, a construção de sanitários públicos. Depois, a colocação de uns bancos à volta o parque infantil. É que, enquanto as crianças se divertem, sobretudo as pessoas mais idosas que as acompanham, devem ter um lugar de proximidade que lhes permita estarem sentadas. Por outro lado, existindo uma nascente, com caudal suficiente, por detrás da Rodonorte, poderia, muito bem, aproveitando o desnível, ser introduzido um pequeno canal que potenciasse contactos com água corrente, ou mesmo a realização de experiências lúdicas, como aquelas que alguns pais, ou avós, faziam quando guardavam as vacas no lameiros. Poderia, ou melhor, deveria, também, ser dado ao terreno devoluto que está por detrás do restaurante o Acácio, alguma utilização. Que potenciasse a prática dos jogos tradicionais, tanto em desuso, diria mesmo a caminhar para o completo esquecimento, ou um espaço polivalente para outras atividades, desportivas e não só, de modo a evitar que o jardim fosse utilizado para esse fim, com as implicações interativas inerentes, para já não falar nos aspetos de segurança evidentes. Que poderia, também, servir de anfiteatro para realização de eventos culturais ao ar livre. Afinal, a zona de Vale de Álvaro, também merece animação, sobretudo no verão. É que se trata, seguramente, de um dos bairros com mais identidade e densidade populacional da cidade. Também por isso, é importante dar-lhe vida, promovendo o convívio e a animação. As interações sociais não se cultivam só com infraestruturas físicas. É determinante dar-lhes vida, motivando as pessoas, proporcionando oportunidades, apostando, também na vertente desportiva e cultural.
E porque se trata de jardins, áreas com relva, quero alertar, deixar o recado, uma vez mais, para o facto de os/as donos/as de caninos, continuarem impune e até vaidosamente a conspurcar estes espaços que potenciariam o divertimento de crianças e jovens, sem que sejam, sequer, advertidos, para não dizerem educados, no respeito pelos valores da decência e da urbanidade.
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