Celebrar a vitória…Aceitar a derrota!...

Depois do agitado período de tempo, em que os diversos candidatos tiveram oportunidade de promover a sua campanha, divulgar as suas ideias e os seus projetos, decorreram, no passado domingo, com natural civismo, as eleições autárquicas 2017. 
Tendo-se apresentando a sufrágio um significativo e diversificado número de candidatos, pode dizer-se que houve resultados (quase) para todos os gostos, independentemente dos gostos para todos os resultados. Enquanto uns ganharam com mérito próprio, fruto das suas competências e capacidades ao nível da intervenção cívica e politica, outros conquistaram o “pódio” à “boleia”. Mas não poderemos esquecer os que ganharam porque, simplesmente, os opositores perderam. Sobretudo a estes últimos “vencedores” (?!...) não são aconselháveis grandes euforias ou paraísos “nublados”, olhando, egocentricamente, para o seu umbigo, mas, isso sim, reflexões e exercícios sociológicos, em que o perceber o “porquê” e “como fazer melhor”, poderão ser questões pertinentes e de positiva prudência.
Neste contexto, será, ainda, de ter em conta que muitos dos resultados, negativos ou positivos, sendo fruto das circunstâncias, são, também, fruto das escolhas, nomeadamente do afunilamento partidário, para não falar do inqualificável e pouco democrático convencimento de líderes políticos que, muitas vezes, posicionados no temporário “poleiro”, pensam que são o supra sumo da inteligência e mestres inigualáveis no domínio da estratégia. Não admira, por isso, que tenha vindo a crescer, e com provas dadas, o número dos designados “independentes”. E, quanto isso, poderá admitir-se que serão, no mínimo, mais “livres e ousados”. Talvez um “positivo ar fresco” no exercício da democracia, potenciador de uma análise séria no interior do leque partidário, pedagogicamente aberta ao exterior. 
Apurados os resultados, interessa, agora, que todos os envolvidos procurem meditar sobre o rescaldo deste sufrágio: os que ganharam, os que se contentaram, e, ainda, aqueles que não conseguiram o desejado desfecho. O importante é que a democracia funcione, sendo certo que, em muitos casos está tão doente quanto, na prática, inexistente, e que a gestão da causa pública funcione de forma justa, coerente e eficiente.
Qualquer adversidade do período eleitoral, e não só, entre vencedores e opositores, deve, a partir de agora, constituir um ciclo que se fechou, num contexto de urbanidade, com respeito, educação e elevação. As lições do passado são importantes. Mas de pouco servem se continuarem a imperar a desavenças, sem aposta nas convergências, os desacordos, sem motivação para chegar a acordos, os consensos se não houver bons sensos, as palmadinhas nas costas, se esse bater não for afetivo e não promover o amigo. Importa que, no arranque para novos mandatos e no decurso destes, ninguém se deixe embalar pelo autoritarismo, pelo desproporcional convencimento, pelo ódio, pela cobiça, ou pela vingança.
É que, na vida, pessoal e coletiva, nem tudo passando por um explicação lógica, é determinante que saibamos ouvir, acolher e respeitar o outro, mesmo quando não pensa como nós, exercitando a confiança estimulante, o descomprometimento, o exercício da cidadania, da justiça e da paz, promovendo a esperança. Tudo o resto virá a seu tempo.