Compromisso!...

Vivemos numa sociedade repleta de compromissos e azáfamas. Revelamo-nos ansiosos, sem nos encontramos, fomentando um ativismo desenfreado, assoberbado tarefas, tantas vezes inúteis e pouco direcionadas para a VIDA, numa incessante corrida atrás do tempo, sem tempo para o que VERDADEIRAMENTE nos faz falta. Assim, no embrenhado labirinto das vivências pessoais e socais, o essencial, o compromisso com sentido da vida, acaba por ficar, tantas vezes esquecido, ou mesmo ignorado. Compromisso, esse, que deve acontecer, sobretudo, connosco próprios, emergindo do sentido que queremos dar à vida. Na verdade, inúmeras vezes, nos descomprometemos perante compromissos mais realizadores do SER, optando por outros que não vão além da materialização de simples desejos, que pretendemos ver satisfeitos a todo o custo. Ansiosos, desajustadamente comprometidos e pouco tolerantes com as contrariedades da vida, pretendendo que tudo aconteça muito depressa, sem tempo para “amadurecer”, queremos “ser” sem “crescer”, almejando rapidamente o fim do caminho, sem caminhar. Sem o inerente esforço para que o mesmo seja devidamente calcorreado, ou, durante o percurso, fazer paragens para refletir. É que, parar para prosseguir, é dar vida ao compromisso, exercitando a reflexão, a escolha do melhor percurso, alimentando a ponderação.
 
Comprometemo-nos, desajustadamente, com o desejo de possuir bens, ou protagonismos fúteis, que absolutamente não necessitamos, mas para mostrar à sociedade o inventário material, conjugado com uma ambição desmedida.
 
Esquecemo-nos da dimensão Espiritual que é a nossa razão de Ser e Estar inseridos neste Universo tão vasto e que nos faz sentir o que somos:"humanos". Seremos, sempre, o que fizermos, enquanto vivermos, porque a vida é finita, com diferentes tempos de “estágio” vivencial.
Que a nossa "pegada" a nossa marca, os nossos atos, são o único bem sustentável que deixamos àqueles que nos precederem e tudo o que levaremos connosco. Não obstante o envolvimento exagerado com a materialidade, fruto de uma sociedade de consumo e em muitos valores essenciais desavinda, a vida deve ser sustentada nos afectos, nas boas ações que nos ligam ao amor, na oração com caridade, na empatia com generosidade, na compaixão e no perdão.
 
Omitimos, ou relegamos para um plano inferior, tanta coisa que nos pode alegrar a alma e arejar a mente, sobrepondo-a à ganância material e a vaidade pessoal, que se apoderou da nossa  sociedade, não exercendo, na essência, o compromisso com a VIDA, potenciando um “apodrecimento” humano, de forma consentida.
 
São tempos muito conturbados os que vivemos: o ser desonesto é, vezes sem conta, ser premiado, sendo que o crime, até parece que compensa. Fechamos os olhos perante uma escravatura disfarçada mas muito feroz e completamente despida de humanidade, mas não dizemos nada! Alguém disse que o mal vence, não por aqueles que o praticam, mas por aqueles que sofrem e se calam.
 
É, também, alimentando esta negligência, reveladora de ausência de compromisso, que nos tornamos, implicitamente responsáveis, pelo que deveríamos fazer e não fazemos, ou até, responsabilizando a Fé, pelo que deve ser feito e não é, pelo que deveria ter sido realizado e não o foi.