Conseguirá Donald Trump mudar a ordem mundial?

Donald Trump, eleito em 8 de Novembro e confirmado no Congresso em 19 de Dezembro de 2016, tomou posse como 45º Presidente dos EUA, em 20 de Janeiro de 2017. Com ele, o Partido Republicano (nosso PSD e CDS) assumiu também o controlo dos órgãos de decisão (Governo, Congresso, Assembleia de Representantes e Senado).
Os analistas filiados na matriz ideológica socialista, ecológica e comunista são cáusticos para com o programa eleitoral de Trump, repetido em linhas gerais na sua tomada de posse. Tal programa enfatiza: 1) recuperar o poderio industrial dos EUA nem que para isso seja necessário pôr em causa os acordos sobre o clima e re-impor taxas alfandegárias aos produtos externos; 2) recuperar o emprego através do apoio à indústria e serviços sedeados nos EUA, aumentando os impostos sobre a produção no exterior e denunciando os acordos internacionais de liberalização do comércio, designadamente a globalização e os acordos bilaterais com a EU e com o Canadá e o México; 3) defender a cultura tradicional da América protegendo os legados culturais fundadores dos EUA contra as culturas hispânica, africana, asiática e europeia não anglo-saxónica; 4) manter o mais homogénea possível a população americana limitando a entrada de novos imigrantes; 5) afirmar o poderio americano no mundo através do reforço das forças armadas e do domínio dos mercados e através do reordenamento da ONU.
Os analistas referidos acusam Trump de perseguir políticas que isolarão os EUA do resto do mundo, podendo até conduzir a guerras comerciais graves, quando não a outras. Acusam-no ainda de populista por fundar as suas políticas nos sentimentos americanos contra o comércio livre, contra o desemprego, contra a ameaça de desagregação da população americana de origem anglo-saxónica e contra a perda de influência da América no mundo. Consideram por isso o programa de Trump como demagógico, populista e perigoso para os EUA e para o mundo.
Porém, Trump foi eleito por quase 50 milhões de americanos contra outros 50 milhões de americanos. A América sempre foi a origem de todas as mudanças sociais e políticas mundiais, mesmo da Revolução Francesa. É lá que encontramos a manifestação das políticas de esquerda mais radical, mesmo das que os europeus reclamam ou adoptam como suas. Não espantará que estejamos em presença de uma mudança político-social por via eleitoral.
Quem estará enganado, os eleitores de Trump ou os analistas de esquerda? Estes desmascaram os dramas do processo e do resultado da globalização pondo em ênfase que se gerou demasiada pobreza e se empobreceram em demasia os países antes industrializados mas são incapazes de reconhecer que é necessário afinar orientações.
As mudanças propostas por Trump estão também contra o pensamento de um terço da maioria republicana mas nem por isso deixam de merecer reflexão como reacção contra os dramas da globalização. Também penso que são exageradas e, por isso, perigosas. Porém, podem ser uma promessa de mudança que as instituições democráticas americanas e mundiais colocarão no caminho certo.