Desafios

É comum dizer-se e ouvir-se, que vida é um desenrolar de surpresas. Positivas, negativas, ou nem por isso. Porém, essa avaliação decorre, em parte, dos nossos valores, das nossas convicções de vida, da sustentabilidade formativa, das variáveis informativas e, sobretudo, das expetativas. Tudo o que nos surpreende, de uma maneira ou outra, “mexe” connosco, potenciando, com maior ou menor intensidade, reações em conformidade. Tanto pode suscitar felicidade, e será, porventura, a surpresa positiva o que mais faz despoletar inesquecíveis momentos, motivadores da alegria e do bem-estar, ou o contrário. Contudo, o que nos surpreende negativamente também nos deve levar ao exercício de uma reflexão mais apurada sobre o que potenciou o imprevisto, bem como os seus efeitos que nos podem ajudar a “crescer”.
Acaba, também por ser isso que dá vida à nossa vida, sustentando desafios e alimentando entusiasmos. O imprevisto, que nos contraria, fortalece, podendo tornar-nos mais consistentes, ousados e conscientes.
É que, na vida, umas vezes ganha-se e outras vezes perde-se. E mesmo quando parece que se perde, também se pode ganhar. Se do desaire esmiuçarmos lições que potenciem e alimentem a motivação para o triunfo, para o sucesso. Tal como as ventanias agrestes fazem com que as árvores se tornem mais fortes, também os imprevistos, que não consideramos positivos, nos podem fortalecer e tornar mais eficientes e afirmativamente interativos. Mas se é bom ficarmos felizes quando ganhamos, nunca devemos desistir quando perdemos. Perder dignificar ganhar. Dependerá das reações, das circunstâncias, dos contextos e das motivações. Com efeito, será importante tirar lições positivas dos imprevistos negativos, dos momentos em que não ganhámos, ou perante os quais mais dificilmente nos conformamos. Fazem parte de nós e, por isso, devemos geri-los como se de uma aprendizagem pedagógica se tratasse, sobretudo no domínio das lições de vida. Interessa, pois, é ter e definir objetivos, desenvolvendo capacidades de resposta positiva às adversidades. Foram os desafios que potenciaram o desenvolvimento da humanidade desde o tempo em que os homens viviam nas cavernas, até chegarem à lua. Com efeito, nunca devemos desistir, antes arregaçar as mangas e lutar, com determinação, de cabeça erguida e firmeza no olhar. Sustentados na esperança, no sonhar e experimentar coisas diferentes, novas, que constituam um valor acrescentado para nós e para aqueles com quem partilhamos a nossa existência. Mesmo quando nos parece que já não somos capazes de ultrapassar as dificuldades, não devemos parar, nem desistir de sonhar, porque perdemos a capacidade de nos valorizarmos e valorizar tudo que já conseguimos.
É nesta perspetiva que eu gosto agir, de pensar, de me expressar, de tentar e conseguir. De escrever, valorizando a positividade, mesmo quando a critica não transmite afinidade, de reforçar o caminho da amizade, acreditando que as sementes do afeto, quando sustentadas nos seus valores imateriais, puros, têm uma força extraordinária na interação humana, dando vida à alma, e ajudando desenvolver ambientes que potenciem a introspeção positiva, a compreensão, solidariedade e a simplicidade da amizade construtiva.